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quarta-feira, junho 12, 2013
DIY
Olha, Hermano!
Esse berço Lua (com estrelas!) pode ser encomendado - para quem mora na França, bem entendido - por 990 euros e tem uma lista de espera de 3 semanas. Ainda que seja lindo e ecologicamente correto, com cada tábua lixada, não é nada ergonômico para quem tem de cuidar da criança. ;)
sábado, outubro 22, 2011
terça-feira, julho 05, 2011
Desapego

‘There are things we don't want to happen, but have to accept; things we don't want to know, but have to learn, and people we can't live without, but have to let go’
(JJ, o personagem de AJ Cook, de Criminal Minds, na sua carta formal de desligamento do BAU)
Tecla SAP: 'Existem coisas que não queremos que aconteçam, mas temos que aceitar; coisas que não queremos saber, mas temos que aprender, e pessoas sem as quais não podemos viver, mas temos que deixar ir.'
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quarta-feira, junho 01, 2011
Estava falando...
...dessa, mas descobri que nunca foi postada nesse blog, ou cometi algum erro, portanto:
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
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Poesia
domingo, março 13, 2011
Dia de estrela
Amanhã é o Dia Nacional da Poesia. Entre Quintana e Cecília, Drummond e Vinícius, quem escolher? Como esquecer Augusto dos Anjos? Indico a quem ainda não conhece Bruna Lombardi, Martha Medeiros, o saudoso João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, Carlos Pena Filho, Bilac, e a lista segue, infinita, porque - amante ardoroso ou leitor desavisado - todo mundo conhece alguma poesia.

Lembrança de Morrer
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Lembrança de Morrer
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
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quinta-feira, dezembro 30, 2010
De lua

Acende uma lua no céu
Toquinho/Vinícius de Moraes
Acende uma lua no céu
E muitas estrelas no olhar
E deixa-te linda e sem véu
Envolta num brando dossel de luar
Semeia de flores teu chão
E abre a janela aos perfumes do ar
E esquece tua porta entreaberta
Porque na hora certa
Verás teu poeta surgir
E entrar e abraçar-te chorando
E amar-te até quando
Tiver que partir
Fontes: letra (viniciusdemoraes.com.br), vídeo (Youtube)
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domingo, maio 24, 2009
Uma das minhas prediletas

Ora (direis) ouvir estrelas
Olavo Bilac
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
Pra quem não conhece, 'Ouvir Estrelas' é a versão musicada desse texto, gravada pelo Kid Abelha. Como eu gosto de Paula Toller, sou suspeitíssima para dizer se ficou bom. Li essa poesia quando estudava Literatura na Escola e nunca a esqueci, apesar de não ser boa decorando nada: frases, textos, versos ou o que o paciente disse há dois dias. Por isso, escrevo tudo na ficha, no bloco de notas ou no computador. No meu tempo de estudante, eu sofria porque preciso entender e não apenas decorar. Então eu lembro da conversa e do paciente assim que leio a última consulta, noutras ocasiões sei quem escreveu sobre o quê, mas não as palavras exatas. Eu daria uma péssima testemunha auricular (se tem testemunha ocular, tem testemunha auricular, certo?).
(É impressionante acompanhar o crescimento profissional de um artista. 'Como eu quero' foi a primeira música que minha melhor amiga me ensinou. Eu tinha uns seis ou sete anos. Eis-me com 33 e eis Paula Toller após ter estudado ópera. Tem algo naquela voz e naquelas letras que me toca)
Como Prince Cristal postou essa também, resolvi usar a mesma imagem, mas veio lá do blog dele.
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terça-feira, maio 12, 2009
De lua

"Lua Branca"
Chiquinha Gonzaga
Ó, lua branca de fulgor e desencanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Ai, por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, ó, vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim
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quinta-feira, março 12, 2009
Feliz Aniversário!

É aniversário de Recife e Olinda. Eu deveria ter ido hoje por lá, era dia de consulta pra ajuste das medicações, etc, etc. Mas é assim mesmo, acontece de tudo pra eu não colocar os pés onde eu nasci. A eterna cólica volta a atacar! Ou foi a maneira que a PMD arranjou pra boicotar tudo. Vai-se saber.
Anyway, espero que todos estejam curtindo a praia ou a chuva do dia, o bolo no Recife Antigo, a beleza da arquitetura e manifestações culturais de ambas as cidades. É dia de frevo, caboclinhos, maracatu e mais frevo!

Bem que minha mãe diz: 'A coisa mais bonita que Olinda tem é a Sé, porque de lá tem-se a melhor vista... de Recife!'. Bairrismo? Imagina!
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