Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, julho 22, 2013
Que poema de Fernando Pessoa você é?
Indicação de Grissom's Girl, esse teste divertido indicou algo do Livro do Desassossego (que eu tenho, mas ainda não li) para mim. Tão certeiro que estou publicando aqui: "Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo."
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
indicações,
Poesia
quinta-feira, junho 13, 2013
quinta-feira, março 14, 2013
Hoje é...
...Dia Nacional da Poesia.

'Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim'.
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
***
Porque...

'Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim'.
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
***
Porque...
Marcadores:
citações,
Dia de Estrela,
Fernando Pessoa,
imagens,
Poesia
segunda-feira, junho 13, 2011
Estrelas
Anteontem foi dia de estrela porque foi aniversário de mi hermano. Somos irmãos de sangue e de coração, acho que isso diz tudo. Essa é pra ele, que gosta de roseiras:

Hoje é dia de estrela porque é o 123o aniversário de Fernando Pessoa, e depois que conheci a história de sua obra, passei a me sentir mais 'normal', com essa penca de personagens, de tão variadas personalidades. Não é o mesmo que Fernando Pessoa e seus heterônimos, mas deu aquela sensação de pertencer a algum lugar. Nem que seja o dos que vivem em várias dimensões, às vezes ao mesmo tempo.

Hoje é dia de estrela porque é o 123o aniversário de Fernando Pessoa, e depois que conheci a história de sua obra, passei a me sentir mais 'normal', com essa penca de personagens, de tão variadas personalidades. Não é o mesmo que Fernando Pessoa e seus heterônimos, mas deu aquela sensação de pertencer a algum lugar. Nem que seja o dos que vivem em várias dimensões, às vezes ao mesmo tempo.
Marcadores:
Dia de Estrela,
Fernando Pessoa,
flores,
fotografia,
imagens,
meu irmão,
minha família de coração,
ser escritora
quarta-feira, junho 01, 2011
Estava falando...
...dessa, mas descobri que nunca foi postada nesse blog, ou cometi algum erro, portanto:
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
Marcadores:
citações,
escritores,
estrelas,
Fernando Pessoa,
imagens,
Lua,
outros blogs,
Poesia
Olha!
‘Limpamos’ (eu e a turma de personagens, o bom é que tem companhia) todas as gavetas do quarto. Não precisou organizar porque já estava organizado, como você deve imaginar. Uma pessoa com certo grau de TOC devido ao Transtorno bipolar arruma as gavetas como ensinaram na escola técnica de economia doméstica, e ainda dá um up grade - eu suponho que seja devido a isso, mas vamos ao que interessa. ‘Começamos’ ontem pela falta de sono. Meu sono é algo digno daqueles centros de estudo como em ‘Pirates of the Third Reich’ (CSI S06E15): essas ‘pilulinhas’ não dão conta. Uma vez, minha médica teve que prescrever Rohypnol e, além de ser difícil pra conseguir e receber olhares suspeitos nas farmácias, teve o mesmo efeito que água com açúcar. Tenho outras histórias semelhantes. Eu esperava que a idade fosse modificando esse aspecto da minha fisiologia, mas continuamos na mesma. Meio miligrama do mais comum dos controlados pra dormir me levou a assistir ‘Bones’, porque desisti de ficar rolando no sofá-cama (sim, senhora, ‘continuamos’ aqui por causa do mofo). Dois miligramas, no dia anterior, me levaram a acordar meio-dia. Ok. A porcaria até que funcionou, mas possivelmente porque eu mal dormia há noites e noites, mas meio-dia! Isso é embaraçoso, vergonhoso e ‘temos’ uma faxina a fazer, que fica sendo interrompida por ‘é bom lavar a louça’, ‘finalmente a chuva deu uma trégua, lava o pergolado que você prometeu há três dias!’, ‘vou enterrar o-que-se-decompõe, pra fazer adubo’, ‘é bom aproveitar pra passar outra vassoura na casa que não custa nada’ e... são duas e meia.

Hora de comer antes que eu comece a não dizer coisa-com-coisa (tem que ter hífen, não me importa a regra, que nunca entendia, nem na época da ED). Hora de tomar banho também e trocar de roupa, pra descansar, porque essa energia toda foi uma caneca de café que tomei pela ‘manhã’ (não acordei tão cedo assim, um comprimido e meio pra conseguir fechar os olhos de vez, aliás detesto tomar remédio, tomo porque preciso) e estou cansada, tão cansada (igual à poesia de Fernando Pessoa, que já devo ter postado).
Contei que estou cabendo de novo numa calça querida, especial pra bagunça? Era pra ‘enquanto eu emagrecia’, depois emagreci, não quis me desfazer da peça, mandei apertar e deixei pra me ajudar nos ‘serviços pesados’. Se faxina não é ‘serviço pesado’, não sei o que é. Bom, mas, eu engordei ‘um muitinho’, a ponto de tirar os ajustes da calça e ainda assim ela coube. Isso me fez bem, porque antes eu era tão gorda que jamais caberia naquela calça. Até pensei, coisa de ‘artista’, em emoldurar a calça jeans, manchada de tinta mesmo, com uma moldura dourada e colocar por aqui. Eu ia achar legal, me lembrando o que passei com essa calça, que foi uma das poucas jeans que tive, porque não gosto do tecido. Muito quente pro nosso clima, só gosto nessa época. Sobre emoldurar a calça: ou iam achar horrível, ou o máximo. Arte é assim mesmo. E o que mais importante: voltei a perder peso, devagarzinho, mas espero que sempre.

Sabe, é bom fazer faxina assim: sem ninguém pegando no pé, com boa companhia (excelente, eu diria!), ouvindo a trilha sonora de ‘Bones’ (que é ainda melhor que a série de TV).
(Acredita que parei tudo pra gritar, não muito alto, pra pessoa que joga água lá de cima ao lavar o terraço - e bate na minha parede, onde começou o mofo, o tempo úmido só ajudou - porque a mesma estava fazendo isso de novo? Que saco! Já falei, já mostrei - nessa época não 'pega' porque tudo aqui fica úmido. Bem dizia alguém que o melhor vizinho é aquele que você nem percebe que ele existe.)

Hora de comer antes que eu comece a não dizer coisa-com-coisa (tem que ter hífen, não me importa a regra, que nunca entendia, nem na época da ED). Hora de tomar banho também e trocar de roupa, pra descansar, porque essa energia toda foi uma caneca de café que tomei pela ‘manhã’ (não acordei tão cedo assim, um comprimido e meio pra conseguir fechar os olhos de vez, aliás detesto tomar remédio, tomo porque preciso) e estou cansada, tão cansada (igual à poesia de Fernando Pessoa, que já devo ter postado).
Contei que estou cabendo de novo numa calça querida, especial pra bagunça? Era pra ‘enquanto eu emagrecia’, depois emagreci, não quis me desfazer da peça, mandei apertar e deixei pra me ajudar nos ‘serviços pesados’. Se faxina não é ‘serviço pesado’, não sei o que é. Bom, mas, eu engordei ‘um muitinho’, a ponto de tirar os ajustes da calça e ainda assim ela coube. Isso me fez bem, porque antes eu era tão gorda que jamais caberia naquela calça. Até pensei, coisa de ‘artista’, em emoldurar a calça jeans, manchada de tinta mesmo, com uma moldura dourada e colocar por aqui. Eu ia achar legal, me lembrando o que passei com essa calça, que foi uma das poucas jeans que tive, porque não gosto do tecido. Muito quente pro nosso clima, só gosto nessa época. Sobre emoldurar a calça: ou iam achar horrível, ou o máximo. Arte é assim mesmo. E o que mais importante: voltei a perder peso, devagarzinho, mas espero que sempre.

Sabe, é bom fazer faxina assim: sem ninguém pegando no pé, com boa companhia (excelente, eu diria!), ouvindo a trilha sonora de ‘Bones’ (que é ainda melhor que a série de TV).
(Acredita que parei tudo pra gritar, não muito alto, pra pessoa que joga água lá de cima ao lavar o terraço - e bate na minha parede, onde começou o mofo, o tempo úmido só ajudou - porque a mesma estava fazendo isso de novo? Que saco! Já falei, já mostrei - nessa época não 'pega' porque tudo aqui fica úmido. Bem dizia alguém que o melhor vizinho é aquele que você nem percebe que ele existe.)
Marcadores:
CSI,
Fernando Pessoa,
música,
ser bipolar,
ser escritora,
ser Técnica em Economia Doméstica,
Séries de TV,
simplesmente ser,
TV
terça-feira, abril 05, 2011
Para refletir
Em certos momentos, tudo que posso fazer é sonhar. Quando estou viajando, por exemplo, costumo ver lugares assim, da minha janela. Talvez a fantasia torne mais fácil 'a verdade vivida', como diria o poeta. Talvez seja o único modo de seguir em frente: um dia de casa vez.

"There are things we don't want to happen, but have to accept;
things we don't want to know, but have to learn,
and people we can't live without, but have to let go."
(AJ Cook, em 'JJ', S06E02 de Criminal Minds)

"There are things we don't want to happen, but have to accept;
things we don't want to know, but have to learn,
and people we can't live without, but have to let go."
(AJ Cook, em 'JJ', S06E02 de Criminal Minds)
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
flores,
fotografia,
imagens,
Séries de TV,
TV
domingo, janeiro 02, 2011
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Não sei o hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa par eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
(Alberto Caeiro)

É, Fernando Pessoa provou que ter heterônimos vale a pena. Alberto Caeiro é só um de muitos. E até onde entendo da obra de Jung, heterônimos e arquétipos são o mesmo. Ou não?
Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Não sei o hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa par eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
(Alberto Caeiro)

É, Fernando Pessoa provou que ter heterônimos vale a pena. Alberto Caeiro é só um de muitos. E até onde entendo da obra de Jung, heterônimos e arquétipos são o mesmo. Ou não?
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
flores,
fotografia,
imagens,
Poesia,
ser bipolar
terça-feira, junho 29, 2010
Falando em decoração pra casa nova...
Ontem eu conheci a Wall Tattoo e adorei uma frase do Fernando Pessoa em adesivo, mas vamos começar com essa.

Deu saudade de um antigo LP (fala não, eu tenho quase 35!) de Caetano, com 'Os argonautas':
O barco, meu coração não agüenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto, perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Deu saudade de um antigo LP (fala não, eu tenho quase 35!) de Caetano, com 'Os argonautas':
O barco, meu coração não agüenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto, perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Marcadores:
citações,
escritores,
Fernando Pessoa,
indicações,
letras de música,
música
terça-feira, março 03, 2009
Constatação
Você percebe que sabe fazer algo direito nessa vida quando prefere reler tudo que escreveu na última semana a assistir o episódio inédito de sua série preferida.
Às vezes eu ainda me surpreendo por rir e me emocionar com frases que eu mesma escrevi. Estranho, não?
Eu espero, fervorosamente, que Luís Fernando Veríssimo saiba com é feliz por ganhar a vida fazendo o que gosta. Eu tenho que procurar outro emprego pra manter esse corpo funcionando, porque é o que me prende nesse plano.
Fernando Pessoa tinha razão: a vida sonhada vale menos que a vida vivida? Responda você, anônimo leitor.
Às vezes eu ainda me surpreendo por rir e me emocionar com frases que eu mesma escrevi. Estranho, não?
Eu espero, fervorosamente, que Luís Fernando Veríssimo saiba com é feliz por ganhar a vida fazendo o que gosta. Eu tenho que procurar outro emprego pra manter esse corpo funcionando, porque é o que me prende nesse plano.
Fernando Pessoa tinha razão: a vida sonhada vale menos que a vida vivida? Responda você, anônimo leitor.
Marcadores:
CSI,
Fernando Pessoa,
Literatura,
ser escritora,
Séries de TV,
simplesmente ser,
TV,
Veríssimo
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Enquanto não sou andarilha plena...
PERDER PAÍSES...
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa
20-9-1933
A DREAM
In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed-
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.
Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?
That holy dream- that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.
What though that light,
thro' storm and night,
So trembled from afar-
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?
Edgar Allan Poe (1827)
A DREAM WITHIN A DREAM
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe (1827)
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa
20-9-1933
A DREAM
In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed-
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.
Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?
That holy dream- that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.
What though that light,
thro' storm and night,
So trembled from afar-
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?
Edgar Allan Poe (1827)
A DREAM WITHIN A DREAM
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe (1827)
Marcadores:
citações,
escritores,
Fernando Pessoa,
Literatura,
Poesia,
simplesmente ser
quinta-feira, setembro 18, 2008
Pra quem vive assim
Tenho tanto sentimento que...
Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Pelo menos uma pessoa que lê esse blog sabe do que essa poesia fala exatamente. Finalmente, alguém para compartilhar minha vida 'errada'. Obrigada, leitora querida!
Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Pelo menos uma pessoa que lê esse blog sabe do que essa poesia fala exatamente. Finalmente, alguém para compartilhar minha vida 'errada'. Obrigada, leitora querida!
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
Poesia,
ser escritora
terça-feira, setembro 16, 2008
Quem escreve, entende
XLVIII
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvores, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Textos são como filhos: crescem e tomam vida própria. Vão aonde nunca nós (que o criamos) poderíamos supor, nos trazem grandes dores e insuspeitas alegrias. Só quem escreve, entende exatamente isso. Mães e pais têm uma pálida idéia, porque um filho tem metade de outro que não você. Um texto é só seu, e nada se compara à alegria de tê-lo diante de si. Ainda que ninguém jamais leia, que você nunca se resolva a compartilhá-lo, mesmo que ninguém publique. Ele é seu. Seu, e de cada um que o ame tanto (ou mais) que você.
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvores, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Textos são como filhos: crescem e tomam vida própria. Vão aonde nunca nós (que o criamos) poderíamos supor, nos trazem grandes dores e insuspeitas alegrias. Só quem escreve, entende exatamente isso. Mães e pais têm uma pálida idéia, porque um filho tem metade de outro que não você. Um texto é só seu, e nada se compara à alegria de tê-lo diante de si. Ainda que ninguém jamais leia, que você nunca se resolva a compartilhá-lo, mesmo que ninguém publique. Ele é seu. Seu, e de cada um que o ame tanto (ou mais) que você.
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
meus escritos,
Poesia,
ser escritora
quarta-feira, setembro 10, 2008
Três grandes amores da minha vida: azul, estrelas e borboletas.

Passa Uma Borboleta
Fernando Pessoa
Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
Marcadores:
borboletas,
citações,
estrelas,
Fernando Pessoa,
Poesia
Assinar:
Postagens (Atom)
