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domingo, dezembro 08, 2013
Alternativas
Duas vezes esse mês, alguém me perguntou, de modo nada gentil, se ou por que, não sou casada. ‘Não casou por que não quis ou por que não apareceu ninguém?’. Eu respirei fundo, contei mentalmente até cem em grego e não dei a resposta que gostaria porque meu contrato de trabalho diz que devo interagir com urbanidade. Mas eu bem que gostaria de ter dito: ‘Moça, eu tenho um curso técnico, um curso superior, faço uma pós-graduação, e tenho um emprego onde colocar os pés. Ao contrário de você, eu não preciso casar’. Mas saiu o que sempre sai, porque é o máximo que vão entender: ‘Pedido de casamento, teve mais de um. Eu é que não quis’.
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Confete e Serpentina

Eu sei, na maioria do Brasil, as pessoas estão comemorando o Carnaval. Muitas não estão sequer embriagadas, nem usaram drogas. Simplesmente, elas gostam de dançar e pular, ao som altíssimo de bandas, tambores e clássicos trios elétricos. Não importa a idade: tem sempre um folião disposto a comemorar antes e depois da data oficial.

Isso não se aplica a mim. Nascida em Pernambuco, só vi um Carnaval ao vivo na minha adolescência, e achei lindo, como manifestação cultural. Sim, eu tentei pular atrás dos blocos e dos trios, mas nunca entendi qual a graça.

Até que eu aceitei que eu sou, em mais um aspecto, diferente do resto do mundo e que prefiro ficar sossegada em casa. Nada contra quem brinca, só não tente me arrastar junto.

Cheguei até mesmo a me mudar pra cidade certa. Aqui,o Carnaval só acontece no fim de semana depois da Quarta-Feira de Cinzas. Enquanto isso, a cidade está morta. Até o comércio fechou mais cedo e não havia seguer uma padaria aberta às seis e meia da noite. Até a vizinha desistiu de colocar o som nas alturas, ou viajou.

Aqui, o Carnaval começa quando se inicia a Quaresma. A cada ano, eu fujo pra algum lugar: Hogwarts, Las Vegas, Nárnia, onde minha imaginação me levar. Um monte de material de leitura, filmes e séries de TV. Precisa mais?
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quarta-feira, novembro 16, 2011
Um cantinho especial

Você já teve um cantinho especial na infância, pra onde fugia quando tudo estava desabando? Não precisa ser um lugar tão arrumadinho, só quieto o bastante pra fingir que o mundo lá fora não existia. Talvez seu cantinho não fosse pra fugir, apenas era o seu lugar no mundo, talvez tenha sido o único lugar verdadeiramente seu no mundo, até hoje.
Bem, hoje, vou dispensar os clássicos sótãos, porões e afins; vou ficar com locais arborizados, porque cresci entre um quintal arborizado e um jardim florido. Então, entre,

É, pode, entrar.

Fique à vontade.






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quarta-feira, julho 06, 2011
For Grissom's Girl

Saudade
Neruda
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não
foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
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terça-feira, julho 05, 2011
Desapego

‘There are things we don't want to happen, but have to accept; things we don't want to know, but have to learn, and people we can't live without, but have to let go’
(JJ, o personagem de AJ Cook, de Criminal Minds, na sua carta formal de desligamento do BAU)
Tecla SAP: 'Existem coisas que não queremos que aconteçam, mas temos que aceitar; coisas que não queremos saber, mas temos que aprender, e pessoas sem as quais não podemos viver, mas temos que deixar ir.'
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sexta-feira, maio 20, 2011
Se realmente o mundo acabar amanhã

(encontrei minha imagem perfeita de ilha deserta, pra onde fujo, quase sempre)
Despedida
19.05.11 18:29h
Interessante: gosto de escrever, mas sou péssima com cartas e cartões. O que se escreve numa carta de despedida? Como se justifica o que se fez? Para as pessoas, é muito fácil criticar, condenar e apontar alternativas depois que tudo aconteceu. Quem sabe a dor, a angústia pelo que passamos? Nunca entendi os que condenam os suicidam, nunca critiquei uma mulher que abortou. Quem sabe o desespero que sentiam? Se podem justificar morte por legítima defesa, porque a pessoa entrou em pânico, por que não tentar entender o outro lado? Não digo aceitar, não digo concordar. Falo de tentar entender.
Alguém sabe o que é acordar repetidas vezes, numa mesma noite, se sentindo à beira da morte? Sonhar com diversos tipos de morte e não lembrar de quase nada, exceto do pavor? Acordar querendo matar quem estava matando você, no sonho? Viver dias e dias se sentindo vítima de agressão sexual, sem ter sido? Apenas sentir a sensação?
Eu como compulsivamente, pra não beber compulsivamente. Eu detesto tomar remédios, e os tomo regularmente, numa tentativa cada vez mais vã de manter a sanidade. Como posso trabalhar como médica, nessas condições?
Eu detesto pedir. Ajuda, dinheiro, uma licença-médica, distância, atenção. Tenho pedido várias dessas coisas ultimamente, mas pode ser a falta de hábito e por isso as pessoas não entenderam a urgência do pedido. Não estou dizendo agora que larguem tudo e venham me resgatar. Perdi a fé em mim, mas rezo pelos outros, peço que rezem por mim. Dá pra entender? Não posso me matar, não por questões religiosas, mas pelo que isso faria a uma pessoa ou duas que ainda se importam, pelo que isso faria a eles e porque poderia piorar a situação deles. Não a minha. Não acredito num lugar separado pros suicidas. São pessoas doentes, desesperadas, em sua maioria. Existem os egoístas, mas acredito que são minoria. A meu ver, assim como nenhuma mulher gostaria de abortar (ela não queria estar grávida), suicidas não querem morrer: só querem que o sofrimento acabe.
A vontade, referida pela maioria dos depressivos descompensados, é de vagar sem rumo. Com as recentes chuvas, eu poderia me oferecer como voluntária em algum lugar, mas não acho que daria certo. Cansei de interpretar um papel, fingir o que não sou. Nunca me encaixei, sempre fui vista como esquisita. As pessoas me olham estranho quando digo que não quero ser médica, e isso inclui minha mãe. Aliás, esse foi um dos maiores motivos pra desistir do meu relacionamento com ela. Acho que as pessoas vão olhar mais esquisito ainda pra alguém bipolar, com ideação suicida, que desistiu de Medicina e de se relacionar com a mãe. Deste tipo de vida também.
Espero que exista outro, porque esse não é pra mim.
18:46h
***
Se realmente o mundo acabar amanhã, vejam a Season Finale de Bones antes. Algo de belo em Bones são as imagens de Washington. Nem vou falar do Booth, é retórico.




Jefferson Memorial, Washington
Indico a Season Finale de CSI também. Senti um clima meio 'Obama/Bin Laden', na análise e interpretação das evidências no caso de Haskel/Langston. Se Haskel era um monstro, e Bin Laden também, vamos justificar tudo?
***
Droga, o mundo vai acabar e eu não vi o último 'Piratas do Caribe'. Jerry vai ter que entender.
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quinta-feira, janeiro 06, 2011
Dia de Reis
Se existe algum feriado digno de estrela, é o Natal. Afinal, foi uma estrela guiou os reis magos até Belém. Hoje é dia de reis, dia de desmontar a decoração natalina. É a primeira vez, em 9 anos, que eu não montei árvore, nem presépio, nem guirlanda, nem toalha especial pra ceia. Não terminei de pintar o que queria, etc, etc. Mas as medicações estão funcionando, nem que seja pra dar efeitos colaterais. Queda de pressão, tontura, náuseas e os tremores. Pareço alguém com Parkinson, mas estou com parkisonismo, que tem várias causas, incluindo efeitos colaterais de tratamentos neurológicos. Mais raro, com anti-depressivos. Eu fui a sorteada.
Já tive tremores piores, há mais de 10 anos. Foi quando mudei a letra nos receituários, sempre letra de forma. Não é tão ruim, mas fica evidente quando fico ansiosa. Imagine fazer trabalhos manuais desse jeito, colocar linha na agulha, etc. Entre isso e o resto, eu vou indo, ou melhor: eu vou ficando em casa, o máximo possível.
Ainda me pergunto pra quê me dou ao trabalho de pensar, se sei fazer algo bom o bastante pra eu cancelar meu registro regional.






Já tive tremores piores, há mais de 10 anos. Foi quando mudei a letra nos receituários, sempre letra de forma. Não é tão ruim, mas fica evidente quando fico ansiosa. Imagine fazer trabalhos manuais desse jeito, colocar linha na agulha, etc. Entre isso e o resto, eu vou indo, ou melhor: eu vou ficando em casa, o máximo possível.
Ainda me pergunto pra quê me dou ao trabalho de pensar, se sei fazer algo bom o bastante pra eu cancelar meu registro regional.





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sábado, janeiro 01, 2011
Porque...







Fonte: Desktop Nexus.
...a saudade me lembra a cada instante de quem partiu, ou está a um oceano de distância.
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quinta-feira, dezembro 30, 2010
Falando em Vinícius...

Suave amiga
'E eu pensarei: Que bom, nem é preciso respirar' (Cecília Meireles)
Não fui ao teu enterro, Suave Amiga.
Os enterros, eliminei-os de minha vida para que possa lembrar vivos os meus mortos. Quando os vejo morrer, ou lhes velo os despojos, ou os acompanho em seu último e inútil passeio, eles se vão pouco a pouco fazendo imparticipantes; deixam-se frios e reservados como hóspedes de uma longínqua Marienbad. Sim, Suave Amiga, muito esnobes ficam os mortos para meu gosto. Prefiro pensá-los em viagem, capazes de inesperadamente surgir em minha imaginação, como sucediam no meu tempo; vivos itinerantes, sempre partindo e sempre de volta. Porque, assim como eu, todos os meus amigos viajam muito.
Em algum lugar andarás agora, Suave Amiga, algum Tibete ou algum Nepal, a te moveres entre templos, levada pelo ímã do teu olhar de prata. Em algum lugar estará acontecendo o teu silêncio, a tua sombra, a tua dúvida. Ora deves parar em doce postura para ouvir de algum velho monge fórmulas mágicas capazes de imobilizar o tempo, dar voz às rosas, transformar tudo em distância; ora ensimesmar-te diante de horizontes infinitos até a evaporação total da carne feita bruma, feita nuvem, feitá pólen lunar: bruma, nuvem, pólen lunar habitados por imensos olhos verdilúcidos a caminharem para a grande treva fluida esgarçada de véus brancos.
Suave Amiga, que saudade antiga... Saudade de quando entravas na sala de mesas toscas e, à tua chegada, nós nos iluminávamos; e o teu olhar fazia tudo verde, mas não verde-que-te-quero-verde: verde-conta, verde-cecília, cristal verde. Era Manuel Bandeira, cujo beijo deves ainda guardar na face fria; era Ribeiro Couto, que nunca mais vai voltar de Belgrado e era eu nos meus 28 anos, investindo com a lança do Silêncio contra os cavaleiros do Som, em combate cinematográfico desigual; éramos nós, teus poetas, e eras tu, poeta nosso, poeta-nuvem, poeta-gaivota a pescar na névoa de teu mar os peixes luminosos de teus versos. Era outro dia, era outra fábula. De mesmo só havia uma grande vontade de chorar.
Suave Amiga, que cantiga triste... Que triste história a não contar mais nunca, essa do tempo que passa, do teu vulto avançando na penumbra da sala para logo se perder, da luz de teu sorriso e da calma dos teus olhos sem paz... Não importa onde estejas agora, nos caminhos do Sinai tangendo estrelas, ou a dormir num aquário no fundo de um lago, a graça de teu vulto acompanha nossos passos. À noite, em silêncio, pensamos em ti, ó poeta-pássaro, e sentimos o roçagar inaudível de tuas asas. Um dia, quando menos esperares, estaremos a teu lado. E eu sei que, inclinando graciosamente o corpo sobre o abismo, vigiarás nossa escalada e, no último lance, nos darás a mão. E tu serás para nós, teus poetas, a adorável cicerone desse mundo sem som onde hoje vagas ao sabor da inexistência de tudo, na imensa disponibilidade de quem não tem para onde ir. E nós talvez possamos escrever no grande quadro-negro incolor do espaço, como alunos aplicados, as primeiras palavras inexistentes da poesia que não foi.
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Vinícius de Moraes
Mais Vinícius
Mas, eu estava procurando outro texto do Vinícius, quando acabei encontrando a poesia pra Mr. Buster. Graças à internet, é possível ler praticamente tudo que o poetinha escreveu, em poesia, em prosa, em letras de música. É só acessar algo como o viniciusdemoreaes.com.br.

Da solidão
Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à idéia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. Assim nasceu "O corvo": o pássaro agoureiro a repetir ao homem sozinho em sua saudade a pungente litania do "nunca mais".
Será esta a maior das solidões? Realmente, o que pode existir de pior que a impossibilidade de arrancar à morte o ser amado, que fez Orfeu descer aos Infernos em busca de Eurídice e acabou por lhe calar a lira mágica? Distante, separado, prisioneiro, ainda pode aquele que ama alimentar sua paixão com o sentimento de que o objeto amado está vivo. Morto este, só lhe restam dois caminhos: o suicídio, físico ou moral, ou uma fé qualquer. E como tal fé constitui uma possibilidade - que outra coisa é a Divina comédia para Dante senão a morte de Beatriz? - cabe uma consideração também dolorosa: a solidão que a morte da mulher amada deixa não é, porquanto absoluta, a maior solidão.
Qual será maior então? Os grandes momentos de solidão, a de Jó, a de Cristo no Horto, tinham a exaltá-la uma fé. A solidão de Carlitos, naquela incrível imagem em que ele aparece na eterna esquina no final de Luzes da cidade, tinha a justificá-la o sacrifício feito pela mulher amada. Penso com mais frio n'alma na solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer, como a culpá-lo de o ter gerado um monstro. Penso com mais frio n'alma ainda na solidão total dos poucos minutos que terão restado ao poeta Hart Crane, quando, no auge da neurastenia, depois de se ter jogado ao mar, numa viagem de regresso do México para os Estados Unidos, viu sobre si mesmo a imensa noite do oceano imenso à sua volta, e ao longe as luzes do navio que se afastava. O que se terão dito o poeta e a eternidade nesses poucos instantes em que ele, quem sabe banhado de poesia total, boiou a esmo sobre a negra massa líquida, à espera do abandono?
Solidão inenarrável, quem sabe povoada de beleza... Mas será ela, também, a maior solidão? A solidão do poeta Rilke, quando, na alta escarpa sobre o Adriático, ouviu no vento a música do primeiro verso que desencadeou as Elegias de Duino, será ela a maior solidão?
Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.

Da solidão
Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à idéia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. Assim nasceu "O corvo": o pássaro agoureiro a repetir ao homem sozinho em sua saudade a pungente litania do "nunca mais".
Será esta a maior das solidões? Realmente, o que pode existir de pior que a impossibilidade de arrancar à morte o ser amado, que fez Orfeu descer aos Infernos em busca de Eurídice e acabou por lhe calar a lira mágica? Distante, separado, prisioneiro, ainda pode aquele que ama alimentar sua paixão com o sentimento de que o objeto amado está vivo. Morto este, só lhe restam dois caminhos: o suicídio, físico ou moral, ou uma fé qualquer. E como tal fé constitui uma possibilidade - que outra coisa é a Divina comédia para Dante senão a morte de Beatriz? - cabe uma consideração também dolorosa: a solidão que a morte da mulher amada deixa não é, porquanto absoluta, a maior solidão.
Qual será maior então? Os grandes momentos de solidão, a de Jó, a de Cristo no Horto, tinham a exaltá-la uma fé. A solidão de Carlitos, naquela incrível imagem em que ele aparece na eterna esquina no final de Luzes da cidade, tinha a justificá-la o sacrifício feito pela mulher amada. Penso com mais frio n'alma na solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer, como a culpá-lo de o ter gerado um monstro. Penso com mais frio n'alma ainda na solidão total dos poucos minutos que terão restado ao poeta Hart Crane, quando, no auge da neurastenia, depois de se ter jogado ao mar, numa viagem de regresso do México para os Estados Unidos, viu sobre si mesmo a imensa noite do oceano imenso à sua volta, e ao longe as luzes do navio que se afastava. O que se terão dito o poeta e a eternidade nesses poucos instantes em que ele, quem sabe banhado de poesia total, boiou a esmo sobre a negra massa líquida, à espera do abandono?
Solidão inenarrável, quem sabe povoada de beleza... Mas será ela, também, a maior solidão? A solidão do poeta Rilke, quando, na alta escarpa sobre o Adriático, ouviu no vento a música do primeiro verso que desencadeou as Elegias de Duino, será ela a maior solidão?
Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.
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quarta-feira, dezembro 29, 2010
É, estou mesmo acreditando:
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terça-feira, dezembro 28, 2010
In Memorian
But what am I?
An infant crying in the night:
An infant crying for the light:
And with no language but a cry.
from "In Memoriam" - Alfred, Lord Tennyson

Estou me sentindo 'La Femme au chapeau noir' (by Jack Vettriano). Aparentemente controlada por fora, arrasada por dentro.
Quer entender com o que parecia com minha escola? 'O Sorriso de Monalisa', politicamente correto ou não. Quem batalhou pela evolução, por nossa entrada no mercado de trabalho, foi nossa diretora. Tipo a Julia Roberts no filme em questão.
(Quão descontrolada uma pessoa deve estar para que acreditem que há algo de muito, muito errado? Perdi essa aula)
An infant crying in the night:
An infant crying for the light:
And with no language but a cry.
from "In Memoriam" - Alfred, Lord Tennyson

Estou me sentindo 'La Femme au chapeau noir' (by Jack Vettriano). Aparentemente controlada por fora, arrasada por dentro.
Quer entender com o que parecia com minha escola? 'O Sorriso de Monalisa', politicamente correto ou não. Quem batalhou pela evolução, por nossa entrada no mercado de trabalho, foi nossa diretora. Tipo a Julia Roberts no filme em questão.
(Quão descontrolada uma pessoa deve estar para que acreditem que há algo de muito, muito errado? Perdi essa aula)
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segunda-feira, dezembro 27, 2010
domingo, dezembro 26, 2010
Vontade de sumir

The Lake Isle Of Innisfree
William Butler Yeats
I WILL arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.
And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.
I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core.
Tradução aqui.
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