No dia 22.07.15, a secretária de saúde do município onde eu estava lotada apareceu no posto, acompanhada da prefeita. Eu estava atendendo a portas fechadas e não vi o escândalo que armaram lá fora, humilhando a enfermeira e o resto da equipe. Depois vieram atrás de mim, cobrar pelas faltas dos dias da pós (que foram autorizadas pela própria secretaria!) e outras coisas que nem vale a pena explicar. Mesmo porque eu não consegui abrir a boca, porque era sempre interrompida e ainda fui taxada de insubordinada com a hierarquia. 'Quer saber de uma coisa? Eu estou saindo. Neste instante. Antes que eu me suicide'. Aí vem a prefeita, supostamente enfermeira, me dizer que eu pense direito.
Ainda passou-se um mês, comigo pedindo ao supervisor que me desligasse, e ele insistindo em me transferir. Eu sem conseguir o formulário de desligamento e lidando com a lentidão da burocracia em Brasília, até saber o que e pra onde enviar pra me ver livre. Espero que o pesadelo tenha terminado. Mesmo sem emprego, sem ter tido um paciente na clínica no mês de Agosto, ainda constando como 'ativa' naquela secretaria de saúde pavorosa, minha gastrite se foi. Um monte de coisas se foi. E não vão voltar.
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sexta-feira, setembro 04, 2015
sexta-feira, julho 24, 2015
Ainda sem chorar
Ontem, voltei ao posto pra fechar a produção. A dor de ler a história de cada pessoa que atendi nos três últimos dias, de ver escrito 'retorno em...' e saber que essa pessoa não vai ter um médico para reavaliá-la quase acabou comigo. E eu não chorei, e meu estômago não doeu. Dessa vez, eu fiz meu trabalho, recolhi meu calendário pintado por pés e bocas, peguei o lanche que tinha esquecido no dia anterior e fui-me embora.
Hoje, eu limpei o mato da entrada que crescia há meses, pensando em alternativas de suicídio, investimento na clínica particular ou transferência pra outro município. Varri a casa. Troquei os lençóis da cama, tentei falar com o marceneiro pra instalar a porta do corredor que espera há meses, arquivei as contas, inaugurei a colcha de sofá que meu irmão comprou de encomenda pra mim, molhei as orquídeas, coloquei o lixo pra fora. Dormi, dormi, dormi. Organizei o fichário eletrônico dos pacientes da clínica, fiz a lista de tarefas pra amanhã, tomei meus remédios. Nada que indique uma descompensação.
Tudo que eu queria era ficar atendendo num sítio perto de casa. Outros querem ser grandes e famosos. É crime querer tão pouco?
Hoje, eu limpei o mato da entrada que crescia há meses, pensando em alternativas de suicídio, investimento na clínica particular ou transferência pra outro município. Varri a casa. Troquei os lençóis da cama, tentei falar com o marceneiro pra instalar a porta do corredor que espera há meses, arquivei as contas, inaugurei a colcha de sofá que meu irmão comprou de encomenda pra mim, molhei as orquídeas, coloquei o lixo pra fora. Dormi, dormi, dormi. Organizei o fichário eletrônico dos pacientes da clínica, fiz a lista de tarefas pra amanhã, tomei meus remédios. Nada que indique uma descompensação.
Tudo que eu queria era ficar atendendo num sítio perto de casa. Outros querem ser grandes e famosos. É crime querer tão pouco?
quarta-feira, julho 22, 2015
Sem lágrimas
Hoje eu recolhi tudo e pedi transferência do município. Deixei bem claro à gestora do porquê, consegui ignorar a maioria das ironias, apesar de ficar tremendo, é só voltarei lá porque tenho que fechar a produção. Sem produção não tem salário. Depois, ocorreu-me que ambas foram propositalmente me interrogar sobre os dias que faltei por motivo de doença pra puxar assunto após assunto até acontecer o que aconteceu. Quem sabe é o que eu preciso pra enfrentar a clínica de uma vez.
O interessante é que eu não chorei nem uma vez.
O interessante é que eu não chorei nem uma vez.
sábado, julho 11, 2015
Alívio II
Uma vez eu falei que precisava encontrar um serviço de clínica oncológica com boa vontade, pra atender os pacientes rápido. E encontrei! Mês passado, uma paciente minha apareceu com uma mamografia sugerindo um câncer de mama e, pra complicar, a mamografia já estava com seis meses! É uma paciente jovem, que toda vez que faz mamografia dá alteração, então precisa fazer o exame a cada seis meses (e não a cada ano), mas o hospital demorou a dar o laudo e quando ela recebeu eu estava de licença-médica, depois de férias (eu tenho direito a férias!) e só agora eu vi a tal mamografia. Entrei em contato com um colega oncologista, mas ele não atende mais em Recife e me indicou o Hospital do Câncer de Pernambuco. Para minha surpresa, a responsável pela marcação de consultas na secretaria de saúde disse que eles têm um programa de triagem que atende na mesma semana. E a paciente foi, mesmo, atendida dois dias depois! Minha alegria não é maior porque o hospital-escola onde estudei teve que suspender os tratamentos de quimioterapia por falta de verba. E como ele, existem outros.
quinta-feira, janeiro 22, 2015
sexta-feira, janeiro 16, 2015
Reconfigurando
Claro que as fotos de ontem foram pra um blog de mau gosto que faz propaganda da prefeitura, acompanhadas de informações erradas sobre minha pessoa (eu dou plantão? Nunca dei plantão naquela cidade), com os NOMES dos pacientes e do sítio visitado. Eu não gostaria que meu endereço, foto minha e da minha casa (não se pediu permissão pra foto de casa) aparecesse num blog da prefeitura, dizendo que eu estava sendo consultada em casa. Foto anônima é diferente, mas... Não podia dizer 'não' porque ele perguntou à tecnica de enfermagem se podia tirar as fotos dela atendendo (e não à mim). Eu nao quis complicar a situação dela, que está grávida, eu soube hoje. Tudo é motivo pra demissão. Nem me ocorreu dizer que era anti-ético ou quebrava o sigilo. E eu NUNCA vou conseguir convencer os motoristas que a visita é nossa, não deles. O homem só não entrou e fotografou a troca de uma sonda urinária porque eu disse, antes dele pedir uma foto do paciente 'essa o senhor não pode fotografar'. Porque era bem capaz dele pedir pra fotografar o procedimento. Ou não, ele foi tão educado. Eu é que estou de saco cheio com a prefeitura, a secretaria, o calor e o mundo quase todo. Pedi uma vassoura hoje e me disseram que precisa falar com a SECRETÁRIA DE SAÚDE. Precisa de um requerimento em três vias também?
Então, eu acabei corrigindo as informações sobre mim e quando enviei o comentário, descobri que havia postado como 'Odessa Valadares'. Ma-ra-vi-lha, o cara vai jogar esse pesudônimo no Google e ler tudo sobre a secretaria no blog. Vou ser despedida duas vezes em menos de um ano - eu contei isso? Contei que perdi a festa de 100 anos da Escola? Contei que perdi um casamento esses dias porque passei mal de raiva? - por causa do que falo. Tive que 'privatizar' o blog nas configurações.
Já que havia comentado mesmo, fui comentar sobre o nome das pessoas e, surpresa(!), o primeiro comentário não havia aparecido, nem havia moderação (aparentemente). Excluí o que havia comentado (esqueça 'Odessa Valadares', senhor blogueiro), mas vou manter o blog privado, just in case.
Então, eu acabei corrigindo as informações sobre mim e quando enviei o comentário, descobri que havia postado como 'Odessa Valadares'. Ma-ra-vi-lha, o cara vai jogar esse pesudônimo no Google e ler tudo sobre a secretaria no blog. Vou ser despedida duas vezes em menos de um ano - eu contei isso? Contei que perdi a festa de 100 anos da Escola? Contei que perdi um casamento esses dias porque passei mal de raiva? - por causa do que falo. Tive que 'privatizar' o blog nas configurações.
Já que havia comentado mesmo, fui comentar sobre o nome das pessoas e, surpresa(!), o primeiro comentário não havia aparecido, nem havia moderação (aparentemente). Excluí o que havia comentado (esqueça 'Odessa Valadares', senhor blogueiro), mas vou manter o blog privado, just in case.
Ser pau pra toda obra
Contei que tem três dias que tento fazer visitas pros pacientes? Terça e quinta são dias de visita, mas continuamos sem motorista fixo (não lembro se postei, mas demitiram enfermeira e motorista no início de dezembro). Não mandaram ninguém na terça, nem uma desculpa, e deixamos de marcar consultas à tarde porque faríamos visitas. Acabei indo socorrer alguém num carro particular e não voltei pro posto porque, se não foram me buscar pras visitas, será que se lembrariam de me pegar no fim do expediente? Saí mais cedo, mesmo sem querer.
Na quarta, tive reunião com meu supervisor e só depois de mais de duas horas que a reunião acabou, apareceu um carro pra me levar, com um motorista que estava dirigindo desde as duas e meia da manhã. Com pena dele (e com medo), fiz apenas a visita mais urgente, entreguei a pilha de receitas controladas que fiquei fazendo nas duas horas enquanto esperava pelo carro e dispensei o rapaz meia hora antes do fim do turno. Eu ia deixar ele dirigindo sem dormir até nos acidentarmos?
Quinta é dia de visita, não tem atendimento no posto. Já não teve na quarta por causa da reunião e do atraso do carro. Não avisaram ao motorista das visitas. 'Vão mandar um carro' significou esperar até mais de meio-dia! E eu fazendo receita controlada (o que conta como atendimento, mas quem vê, pensa que não estou fazendo nada). Fizemos as visitas mais importantes, mas o rapaz que veio nem é motorista, é chefe da limpeza! E ainda veio tirar foto pro blog da prefeitura, da gente trabalhando (provavelmente pra usar em nome da prefeitura). Odeio isso.
Sem falar que desde que estou sozinha eu tenho que, além de conseguir carro todo dia, tenho que providenciar vacina, medicação, água mineral, impressos, conserto de bomba d'água, material de limpeza e, que saber? O contrato diz que eu deveria ter um carro me buscando em casa. Vou reler aquela porcaria e dizer que só trabalho se for assim.
Na quarta, tive reunião com meu supervisor e só depois de mais de duas horas que a reunião acabou, apareceu um carro pra me levar, com um motorista que estava dirigindo desde as duas e meia da manhã. Com pena dele (e com medo), fiz apenas a visita mais urgente, entreguei a pilha de receitas controladas que fiquei fazendo nas duas horas enquanto esperava pelo carro e dispensei o rapaz meia hora antes do fim do turno. Eu ia deixar ele dirigindo sem dormir até nos acidentarmos?
Quinta é dia de visita, não tem atendimento no posto. Já não teve na quarta por causa da reunião e do atraso do carro. Não avisaram ao motorista das visitas. 'Vão mandar um carro' significou esperar até mais de meio-dia! E eu fazendo receita controlada (o que conta como atendimento, mas quem vê, pensa que não estou fazendo nada). Fizemos as visitas mais importantes, mas o rapaz que veio nem é motorista, é chefe da limpeza! E ainda veio tirar foto pro blog da prefeitura, da gente trabalhando (provavelmente pra usar em nome da prefeitura). Odeio isso.
Sem falar que desde que estou sozinha eu tenho que, além de conseguir carro todo dia, tenho que providenciar vacina, medicação, água mineral, impressos, conserto de bomba d'água, material de limpeza e, que saber? O contrato diz que eu deveria ter um carro me buscando em casa. Vou reler aquela porcaria e dizer que só trabalho se for assim.
terça-feira, setembro 23, 2014
Alívio
Às vezes, quando há boa vontade de todas as partes, o SUS funciona e no tempo devido. Minha paciente pediátrica veio há uns dez dias com perda de peso, duas infecções respiratórias em menos de um mês e equimoses sem trauma. Tem uma meia-irmã que teve leucemia. O IMIP, centro de referência pediátrica no estado, mandou uma equipe de oncologia, de cidade em cidade, no início do ano, orientando as equipes dos postos como proceder em casos assim, pra não perder tempo. Telefonei pra lá, falei com uma oncologista e a menina só não foi no dia seguinte porque era fim de semana. Passou a semana por lá, fazendo exames e voltou hoje. Não é câncer.
Preciso encontrar um serviço com essa boa vontade pros adultos também.
Preciso encontrar um serviço com essa boa vontade pros adultos também.
domingo, junho 22, 2014
Sem sair do lugar
De novo. Não posso nunca, nunca, deixar as medicações compradas na capital acabarem. Aqui sempre faltam os originais. Similares e genéricos não fazem o mesmo efeito, não importa o que digam o Governo e os laboratórios. Eu sei como meu organismo reage. Fica faltando aquele raiozinho de sol e eu recomeço a chorar. Fiz uma cena vergonhosa há dois dias no meio do posto por causa de uma besteira, briguei com uma comunitária. Já pedi desculpas, mas estou péssima por causa do acontecido desde então. Já estava mal, mas depois da discussão fiquei muito pior. Disse à mulher que era TPM e ela foi supercompreensiva, toda mulher entende TPM e a irritação da depressão é muito semelhante mesmo. Eu já disse, certa vez, que ter depressão é como ter TPM os trinta dias do mês.
Por isso, tudo está parado de novo. As enxaquecas voltaram. A labirintite está rondando. Ainda não fiz os ácidos pros peelings. Preciso mandar uma proposta, URGENTE, pro trabalho de conclusão de curso em Saúde Pública. Estive pensando em algo como a geração espontânea de louça na pia da cozinha ou sugestões para a auto-organização de habitações humanas. Isso porque não consigo manter nada organizado. Tenho vontade de comprar tudo que vejo, algo totalmente anormal pra mim. Só não compro o que está na minha lista há meses.
Não termino nunca de pintar a sala de estar, não compro a tinta pra sala de jantar, não coloco a prateleira pro telefone, a estante continua sem puxadores, o sofá do escritório continua sem cobrir e as janelas estão sem cortinas. Dei as antigas estantes do corredor e não chamei o gesseiro pra fazer a estante nova. Todo dia, eu faço uma lista do que fazer, e não faço nada, ou quase nada. Se as pessoas tivessem noção do que faz a depressão, haveria bem menos seres humanos classificados como preguiçosos neste planeta. Inclusive, eu me pergunto como consigo me manter trabalhando.
Não consigo emagrecer. Não é só comer menos e certo, é o estresse que mantém o peso extra. Há semanas que quero começar um exercício físico. Até consegui ir à academia, encomendei as roupas, mas não consigo começar. O mal estar físico ou emocional sempre atrapalha. De dez objetivos para um dia, eu consigo alcançar um. E dou-me por satisfeita porque geralmente é algo relativo a algum paciente.
Do que consegui recentemente, eu comemoro mais de duas semanas sem comer sorvete, voltar a consumir suco de frutas e verduras regularmente, reorganizar o guarda-roupa de trabalho e fazer as sobrancelhas. Finalmente encontrei o adesivo que procurava para colocar no hall (eu sempre quis um hall, um lugar pra largar as coisas quando chegasse). Também encontrei os ladrilhos adesivos adequados ao banheiro. O visual que está lá agora é temporário, fruto da necessidade. Foi uma reforma feita às pressas: revestimento das paredes com cimento queimado, pintura com tinta acrílica e cinco faixas de adesivos de conchas comprados na loja de R$ 1,99.
Quero retomar meus projetos e percebo que, para isso, o primeiro objetivo a alcançar é comprar as medicações originais. O problema é que detesto ir à capital. Especialmente quando estou descompensada.
Por isso, tudo está parado de novo. As enxaquecas voltaram. A labirintite está rondando. Ainda não fiz os ácidos pros peelings. Preciso mandar uma proposta, URGENTE, pro trabalho de conclusão de curso em Saúde Pública. Estive pensando em algo como a geração espontânea de louça na pia da cozinha ou sugestões para a auto-organização de habitações humanas. Isso porque não consigo manter nada organizado. Tenho vontade de comprar tudo que vejo, algo totalmente anormal pra mim. Só não compro o que está na minha lista há meses.
Não termino nunca de pintar a sala de estar, não compro a tinta pra sala de jantar, não coloco a prateleira pro telefone, a estante continua sem puxadores, o sofá do escritório continua sem cobrir e as janelas estão sem cortinas. Dei as antigas estantes do corredor e não chamei o gesseiro pra fazer a estante nova. Todo dia, eu faço uma lista do que fazer, e não faço nada, ou quase nada. Se as pessoas tivessem noção do que faz a depressão, haveria bem menos seres humanos classificados como preguiçosos neste planeta. Inclusive, eu me pergunto como consigo me manter trabalhando.
Não consigo emagrecer. Não é só comer menos e certo, é o estresse que mantém o peso extra. Há semanas que quero começar um exercício físico. Até consegui ir à academia, encomendei as roupas, mas não consigo começar. O mal estar físico ou emocional sempre atrapalha. De dez objetivos para um dia, eu consigo alcançar um. E dou-me por satisfeita porque geralmente é algo relativo a algum paciente.
Do que consegui recentemente, eu comemoro mais de duas semanas sem comer sorvete, voltar a consumir suco de frutas e verduras regularmente, reorganizar o guarda-roupa de trabalho e fazer as sobrancelhas. Finalmente encontrei o adesivo que procurava para colocar no hall (eu sempre quis um hall, um lugar pra largar as coisas quando chegasse). Também encontrei os ladrilhos adesivos adequados ao banheiro. O visual que está lá agora é temporário, fruto da necessidade. Foi uma reforma feita às pressas: revestimento das paredes com cimento queimado, pintura com tinta acrílica e cinco faixas de adesivos de conchas comprados na loja de R$ 1,99.
Quero retomar meus projetos e percebo que, para isso, o primeiro objetivo a alcançar é comprar as medicações originais. O problema é que detesto ir à capital. Especialmente quando estou descompensada.
quarta-feira, junho 04, 2014
Mais Médicos
A secretaria de saúde pede, novamente, meus documentos e número da conta bancária. Será que agora sai a ajuda de custo? Nem me atrevi a perguntar pra não me aborrecer. Enquanto isso, O Ministério da Saúde, enviou dois emails: no primeiro, informa que o pagamento da bolsa só pode ser feito numa conta salário (por que pagaram na conta corrente até agora?) e pede que eu abra uma, sem ter comprovante de renda. No segundo, pedem o cadastro do NIT (número de identificação do trabalhador), possivelmente pro INSS. Eu tenho NIT há 11 anos, pelo menos e informei o número durante a seleção. Tentei atualizar os dados pelo endereço fornecido no email durante todo o fim de semana e não consegui. Mas falei com o pessoal da prefeitura e eles disseram que podem fazer isso pra mim, basta levar a cópias dos documentos.
sábado, maio 31, 2014
Mais Médicos
A equipe do posto cansou de pedir as coisas e nunca conseguir. Resolveu colocar tudo no papel. Uma vez que a secretaria de saúde enviou um computador e uma impressora para cada PSF para o recadastramento da população - e que ainda estavam nas caixas - resolvemos usá-los para escrever vários ofícios pedindo o conserto das descargas dos banheiros, a substituição da porta da sala de vacina, aumento na quantidade de alimentos para as refeições, lençóis para as macas, etc. Providenciamos um livro de protocolo também, pra não ouvir que os ofícios não foram recebidos. Rapidinho, veio um ofício - terrivelmente mal redigido e cheio de erros de gramática, como sempre - pedindo detalhes de alguns pedidos e convocando a enfermeira a comparecer perante a secretária. Eu também assinei os ofícios e não fui convocada.
O Ministério da Saúde enviou email avisando que só pode depositar a bolsa numa conta salário, segundo a lei. Por que depositou numa conta corrente até agora? Também pede o meu NIT (que enviei desde a seleção, no meu currículo), ensinando como fazer a inscrição num site que não abre de jeito nenhum. Lá vou eu faltar ao trabalho pra resolver isso. A propósito, se saí da pós de dermato, não continuarei dando 35 horas semanais, se só devo dar 32. São 40 horas semanais, sendo que 8 são em casa, pra fazer a pós de saúde pública. Desde o começo, os médicos cubanos que atuam no mesmo município, simplesmente não trabalham nas sextas-feiras!
O Ministério da Saúde enviou email avisando que só pode depositar a bolsa numa conta salário, segundo a lei. Por que depositou numa conta corrente até agora? Também pede o meu NIT (que enviei desde a seleção, no meu currículo), ensinando como fazer a inscrição num site que não abre de jeito nenhum. Lá vou eu faltar ao trabalho pra resolver isso. A propósito, se saí da pós de dermato, não continuarei dando 35 horas semanais, se só devo dar 32. São 40 horas semanais, sendo que 8 são em casa, pra fazer a pós de saúde pública. Desde o começo, os médicos cubanos que atuam no mesmo município, simplesmente não trabalham nas sextas-feiras!
sábado, março 01, 2014
'Aumento' de salário
O Governo Federal está anunciando, muito orgulhoso, o aumento do salário dos médicos cubanos para...1245 dólares! Não basta. Eu quero, acho que todos nós queremos, que eles ganhem o mesmo que nós: 10 mil reais. Alguém, por favor, diga isso a quem intercedeu pelo aumento, junto ao pessoal de Cuba.
Em tempo: já tem gente querendo criar confusão com o falecimento do médico cubano com câncer de pâncreas. Ele voltava pra Cuba porque queria fazer tratamento lá. Como morreu no caminho, o secretário de saúde de Ribeira (onde o médico atuava) alega que ignorava a doença, pra não dizerem que não deram assistência.
Em tempo: já tem gente querendo criar confusão com o falecimento do médico cubano com câncer de pâncreas. Ele voltava pra Cuba porque queria fazer tratamento lá. Como morreu no caminho, o secretário de saúde de Ribeira (onde o médico atuava) alega que ignorava a doença, pra não dizerem que não deram assistência.
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Será?
Do Blog da Saúde, o blog do Ministério da Saúde
#EsclareceMS | Ministério da Saúde desmente boatos de que profissionais cubanos do Mais Médicos devem usar tornozeleira
Publicado: 18 Fevereiro 2014
Está rolando um boato nas redes sociais de que o Ministério da Saúde publicou portaria nesta segunda-feira (17) para que médicos cubanos do Programa Mais Médicos sejam obrigados a usar tornozeleiras de monitoramento para evitar novas fugas. Isso não é verdade.
A Lei Nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, que instituiu o Programa Mais Médicos, não determina nenhum uso de aparelhos de monitoramento em qualquer profissional do programa e nenhuma outra limitação sobre o direito de ir e vir dos participantes. Inclusive, o médico, brasileiro ou estrangeiro, que queira se desligar do Programa deve comunicar a decisão à Coordenação Nacional ou Estadual, ao município ou ao governo do estado onde estão atuando.
***
Eu, discípula de Mulder e Scully, não confio em ninguém.
#EsclareceMS | Ministério da Saúde desmente boatos de que profissionais cubanos do Mais Médicos devem usar tornozeleira
Publicado: 18 Fevereiro 2014
Está rolando um boato nas redes sociais de que o Ministério da Saúde publicou portaria nesta segunda-feira (17) para que médicos cubanos do Programa Mais Médicos sejam obrigados a usar tornozeleiras de monitoramento para evitar novas fugas. Isso não é verdade.
A Lei Nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, que instituiu o Programa Mais Médicos, não determina nenhum uso de aparelhos de monitoramento em qualquer profissional do programa e nenhuma outra limitação sobre o direito de ir e vir dos participantes. Inclusive, o médico, brasileiro ou estrangeiro, que queira se desligar do Programa deve comunicar a decisão à Coordenação Nacional ou Estadual, ao município ou ao governo do estado onde estão atuando.
***
Eu, discípula de Mulder e Scully, não confio em ninguém.
terça-feira, fevereiro 18, 2014
Escravidão declarada
Para evitar novas fugas, os médicos cubanos vão usar tornozeleiras de monitoramento.
Eu vou ali recuperar o fôlego e já volto.
***
'...todos os homens são criados iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis, entre os quais se contam a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade. Que para garantir estes Direitos, são instituídos Governos entre os Homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer Forma de Governo se torne destruidora de tais propósitos, o Povo tem Direito a alterá-la ou aboli-la, bem como a instituir um novo Governo, assentando os seus fundamentos nesses princípios e organizando os seus poderes do modo que lhe pareça mais adequado à promoção da sua Segurança e Felicidade.' (Declaração de Independência dos EUA)
“Ninguém deverá ser mantido em escravidão ou trabalho forçado; a escravidão e o comércio de escravos foram proibidos em todas as suas formas.” (Art. 4o dos Direitos Humanos, aprovados na gestão de Osvaldo Aranha, brasileiro)
'Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens ' (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. )
Eu vou ali recuperar o fôlego e já volto.
***
'...todos os homens são criados iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis, entre os quais se contam a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade. Que para garantir estes Direitos, são instituídos Governos entre os Homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer Forma de Governo se torne destruidora de tais propósitos, o Povo tem Direito a alterá-la ou aboli-la, bem como a instituir um novo Governo, assentando os seus fundamentos nesses princípios e organizando os seus poderes do modo que lhe pareça mais adequado à promoção da sua Segurança e Felicidade.' (Declaração de Independência dos EUA)
“Ninguém deverá ser mantido em escravidão ou trabalho forçado; a escravidão e o comércio de escravos foram proibidos em todas as suas formas.” (Art. 4o dos Direitos Humanos, aprovados na gestão de Osvaldo Aranha, brasileiro)
'Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens ' (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. )
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Te contei?
A prefeita da cidadezinha onde trabalho - que é enfermeira - apareceu com a seguinte novidade: quer que nós, médicos, façamos as receitas dos hipertensos e diabéticos sem colocar data. Desta forma, os agentes de saúde (que já têm muito o que fazer) vão ter como obrigação pegar a medicação no posto e entregar pessoalmente na casa do paciente! Ou seja, adeus avaliação mensal da pressão arterial e da glicemia! Aqueles que não pegam no posto, mas na Farmácia Popular ou compram, vêm a cada três meses, que é a validade da receita. Sem data, isso vai acabar também. Não é uma ideia genial? Minha resposta imediata foi tomar um Rivotril sublingual em plena reunião. A supervisora do PSF também não concordou, assim como o outro médico presente e todas as enfermeiras. Vão marcar uma reunião com a secretária de saúde, que concorda com a prefeita. Meus argumentos são:
É vedado ao médico:
Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência.
Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida.
Art. 2º Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivos da profissão médica.
Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade.
Caso seja imposta a decisão:
É direito do médico:
IV - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará imediatamente sua decisão à comissão de ética e ao Conselho Regional de Medicina.
IX - Recusar-se a realizar atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência.
VIII - O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho.
É vedado ao médico:
Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência.
Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida.
Art. 2º Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivos da profissão médica.
Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade.
Caso seja imposta a decisão:
É direito do médico:
IV - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará imediatamente sua decisão à comissão de ética e ao Conselho Regional de Medicina.
IX - Recusar-se a realizar atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência.
VIII - O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho.
Menos ainda
Enquanto a AMB recebe mais pedidos de ajuda de médicos cubanos, o Governo ameaça quase 90 médicos que se ausentaram sem justificativa e define penalidades para quem deixar o Mais Médicos.
Enquanto isso, foi afastado um médico cubano por conta do mau português no RS e Ramona Rodriguez está processando a União, a OPAS e a prefeitura onde trabalhou por dano moral.
Enquanto isso, foi afastado um médico cubano por conta do mau português no RS e Ramona Rodriguez está processando a União, a OPAS e a prefeitura onde trabalhou por dano moral.
terça-feira, fevereiro 11, 2014
quarta-feira, fevereiro 05, 2014
Mais Médicos
Uma Médica cubana deixou o Mais Médicos e pedirá asilo no Brasil. Ela relatou detalhes sobre o salário e disse que se não conseguir o asilo aqui, sofrerá represálias em Cuba.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Mais Médicos
Então que depois de cinco meses, eu finalmente fui apresentada ao meu supervisor, que deverá me dar apoio em caso de problemas de infraestrutura. Não tendo do que me queixar das condições de onde trabalho, lembrei-me da questão dos tablets. Ele disse que, sim, virão tablets para todos os médicos do programa, que não sabia desse prazo que havia até vencido, que dos oito médicos que ele supervisiona, seis já receberam os aparelhos. Disse também que não era pra usar na unidade, mas em casa, onde tem rede wi-fi. Eu tive vontade de dizer que, pra isso, eu já tenho computador, né? Mas só falei que preciso de um tablet na unidade, que nem sempre tem atendimento e que preciso estudar, tirar dúvidas. 'Ah, é mesmo, você pode baixar uns livros, se quiser'. O que será que o Ministério pensa que vamos fazer com os tablets? Apenas entrar no site deles, é? É verdade que os 'cadernos de atenção básica' orientam, mas não têm profundidade alguma. Enfim, trocamos telefones, eu perguntei sobre aulas presenciais e ele disse que ainda estão planejando com que frequência vão acontecer por causa da dificuldade de transporte de algumas prefeituras. Cinco meses de programa e ainda estão planejando. Sei.
sábado, janeiro 25, 2014
Incluindo eu
Segundo o Governo, das 6300 vagas apenas 891 profissionais brasileiros ou estrangeiros (incluindo eu) se inscreveram de forma independente para o programa 'Mais Médicos'. O restante foi preenchido por médicos cubanos trazidos pelo Ministério da Saúde, que está trazendo mais 2000 médicos cubanos.
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