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quarta-feira, dezembro 28, 2022

Saudades daqui

Eu sei: sumi por cinco anos. Muita coisa aconteceu desde então. Adoeci mais uma vez por causa do trabalho, pedi demissão novamente. Resolvi não trabalhar mais para os Mais Médicos porque, quando adoeci, me disseram que eu me desligasse ou eles fariam isso por mim. Isso mesmo: o contratado do Mais Médicos não pode se afastar por motivo de doença. Se eles lhe desligarem, você não pode voltar ao programa depois. Eu não queria mais aquilo pra minha vida. O problema é que as prefeituras em Pernambuco não contratavam mais, só queriam médicos pelo Mais Médicos para não pagarem salário. Eu coloquei meu currículo em uma agência de empregos e esperei, esperei. Finalmente, alguém de Santa Catarina me respondeu. Sem outras possibilidades, eu aceitei cruzar o país com duas malas e uma mochila, sem casa alugada, para uma cidadezinha chamada Irani, de dez mil habitantes. Aimée ficou com mamãe. Fui muito bem recebida e me avisaram que, em três meses, haveria concurso. O lugar é um sonho: medicamentos à vontade, equipe motivada, etc, etc. Fiz o concurso e estou aqui desde então. Passei três anos sem descompensar! Esse ano, recomeçou. Ficou tão sério que a secretária de saúde interveio e resolveram me internar. Um absoluto pesadelo, ficar internada, mas melhorei. Agora estou de volta, muito melhor. Essa na foto é Maitê.

segunda-feira, maio 30, 2011

Hipoglicemia

O que é que eu ia comentar mesmo? Ando assim, chegando nos lugares em casa e me perguntando o que fui fazer ali, levando objetos completamente diferentes pros outros lugares, então percebo e tenho que voltar, como diria a Emília (antes que alguém diga Que Emília?', ora você conhece outra além daquela do Monteiro Lobato?). Bem, como diria a Emília: eu ando uma velha coroca, pra não dizer que sou uma, porque sempre sempre me senti velha, além dessa geração. Pode perguntar a quem estudou comigo e todas confirmarão. 'Todas' porque é uma escola onde só estudam meninas, não por razões sexistas, mas porque duvido que meninos queiram ser técnicos em Economia Doméstica. Quer dizer, devem haver alguns, mas os pais não permitiriam, e taí uma questão interessante e espinhosa pra D. Noilde, a antiga diretora da minha Escola da Escola Doméstica), alguns pensariam. Tarde demais. Ela ofereceu o curso misto há tanto tempo que as fotos que vi eram em preto e branco, mas parece que a idéia não 'pegou'.

Mas (não se começa parágrafo com 'mas', agora é tarde, 'seu' Cegalla), como eu estava tentando dizer e a memória não ajuda (fico me perguntando como homens como João Cabral, Saramago, conseguiam. Se não fosse o tal google...). Eu pensava que era confusa até ligar pra TIM. Povo de Deus!). Eles pedem o número do DDD, o número do telefone celular, 'depois tecle estrela’, e falam tão rápido que eu fiz tudo certo que da primeira vez repetiram o número inteiro pra conferir se eu havia digitado certo e achei que havia digitado errado, de tão rápido de que a 'atendente' falou. Fui atendida numa sala tão barulhenta, que eu não conseguia entendê-la, apesar de atenciosa e educada. Entendem por que eu não ligo pra resolver tudo no site, porque antes preciso passar por esse mesmo calvário pra pegar login e senha do site?

O que eu conseguir deduzir, do incidente inteiro: o carteiro não ter me entregue a conta da TIM (e eu pago tudo muito antes da data, basta colocar na caixa, se não colocar, esqueço), o site da TIM (que omiti porque nem vale teclar), revirar a cada atrás da conta (que achei estar paga, inclundo o fichário impecável das contas e a sacola não-tão-impecável onde sacudo tudo pra arquivar depois), aproveitar e arquivar dois terços daquela papelada (como aquilo se junta? É igual sacola plástica? Se reproduz?), todo o atendimento, o email pro meu irmão contando parte da saga (ou ele adora isso, ou ele perdoa e deleta sem nem ler, mas acho que não porque ele comenta comigo), é que isso é vida, sim, mas também desgasta, e eu já amanheço desgastada.

Sim, senhora, eu faço minha parte e me esforço pra tudo dar certo. Deus sabe que acordei cedo, que realmente mal dormi, tomei café de verdade, varri a sala (não pergunte o estado anterior, D. Noilde cairia dura), arrumei esses papéis, 'redecorei o banheiro' (não pergunte como se decora banheiro, é frescura), ia lavar o pergolado mas começou a chover (eita as minhocas devem ter fugido!), coloquei o lixo pra fora, comecei a faxina do quarto (isso significa: tirar as gavetas, pôr sobre a cama e deixar arejando até amanhã porque 'cansei'), terminei de 'organizar os organizadores' com as miçangas e outras bolinhas pra fazer colar, marcador e outras frescuras que meu irmão não deve ter muito interesse, lavei a louça e acabo de descobrir que estou morrendo de fome, porque já estava morrendo de fome quando escrevi pro hermano e já se passaram mais de duas horas! Daí falar tanta besteira ao mesmo tempo: é hipoglicemia.



Eu sei, vocês acham que fiz pouco. Eu esqueci de falar da horas que chorei, que continuo chorando. Esqueci de falar de dor. Eu ando com tanta cólica desde ontem! Eu sinto tanta dor que, se eu fosse professora de Medicina, eu ia ensinar que, exceto se prejudicasse muito o diagnóstico, o médico começasse passando a dor da gente, depois o médico pensava no diagnóstico. Eu devo pagar algum pecado, por achar que minha mãe exagerava. Ela sente mais dor que eu, acho. Os médicos não entendem, a não ser quando são eles os doentes. É por isso que as pessoas com dor são tão briguentas, irritadas. Saia um dia com dor de cabeça, nem precisa ser a enxaqueca que já tive hoje, e perceba como sua paciência diminui. Talvez por isso, eu fosse tão atenciosa, tão paciente, na faculdade, com quem tinha dor. Os colegas me achavam uma idiota. Mal sabiam eles da dor física e emocional que eu enfrentava. Sabe aquela preguiça pra sair da cama, certos dias? Multiplique por pelo menos cem, acrescente a pior dor de sua vida multiplique por dois (exceto se for uma cólica renal ou um parto), e entenda que algumas pessoas sentem esse nível de dor emocionalmente. Às vezes, fisicamente também.



Entendeu meu dia?

Antes que eu escreva mais besteiras aqui que o habitual, vou comer. E não liguem pros meus horários. Eu só costumava comer depois do último paciente, porque tinha pena dele ficar com fome.

sexta-feira, maio 20, 2011

Se realmente o mundo acabar amanhã


(encontrei minha imagem perfeita de ilha deserta, pra onde fujo, quase sempre)


Despedida

19.05.11 18:29h
Interessante: gosto de escrever, mas sou péssima com cartas e cartões. O que se escreve numa carta de despedida? Como se justifica o que se fez? Para as pessoas, é muito fácil criticar, condenar e apontar alternativas depois que tudo aconteceu. Quem sabe a dor, a angústia pelo que passamos? Nunca entendi os que condenam os suicidam, nunca critiquei uma mulher que abortou. Quem sabe o desespero que sentiam? Se podem justificar morte por legítima defesa, porque a pessoa entrou em pânico, por que não tentar entender o outro lado? Não digo aceitar, não digo concordar. Falo de tentar entender.

Alguém sabe o que é acordar repetidas vezes, numa mesma noite, se sentindo à beira da morte? Sonhar com diversos tipos de morte e não lembrar de quase nada, exceto do pavor? Acordar querendo matar quem estava matando você, no sonho? Viver dias e dias se sentindo vítima de agressão sexual, sem ter sido? Apenas sentir a sensação?
Eu como compulsivamente, pra não beber compulsivamente. Eu detesto tomar remédios, e os tomo regularmente, numa tentativa cada vez mais vã de manter a sanidade. Como posso trabalhar como médica, nessas condições?

Eu detesto pedir. Ajuda, dinheiro, uma licença-médica, distância, atenção. Tenho pedido várias dessas coisas ultimamente, mas pode ser a falta de hábito e por isso as pessoas não entenderam a urgência do pedido. Não estou dizendo agora que larguem tudo e venham me resgatar. Perdi a fé em mim, mas rezo pelos outros, peço que rezem por mim. Dá pra entender? Não posso me matar, não por questões religiosas, mas pelo que isso faria a uma pessoa ou duas que ainda se importam, pelo que isso faria a eles e porque poderia piorar a situação deles. Não a minha. Não acredito num lugar separado pros suicidas. São pessoas doentes, desesperadas, em sua maioria. Existem os egoístas, mas acredito que são minoria. A meu ver, assim como nenhuma mulher gostaria de abortar (ela não queria estar grávida), suicidas não querem morrer: só querem que o sofrimento acabe.

A vontade, referida pela maioria dos depressivos descompensados, é de vagar sem rumo. Com as recentes chuvas, eu poderia me oferecer como voluntária em algum lugar, mas não acho que daria certo. Cansei de interpretar um papel, fingir o que não sou. Nunca me encaixei, sempre fui vista como esquisita. As pessoas me olham estranho quando digo que não quero ser médica, e isso inclui minha mãe. Aliás, esse foi um dos maiores motivos pra desistir do meu relacionamento com ela. Acho que as pessoas vão olhar mais esquisito ainda pra alguém bipolar, com ideação suicida, que desistiu de Medicina e de se relacionar com a mãe. Deste tipo de vida também.

Espero que exista outro, porque esse não é pra mim.
18:46h

***

Se realmente o mundo acabar amanhã, vejam a Season Finale de Bones antes. Algo de belo em Bones são as imagens de Washington. Nem vou falar do Booth, é retórico.








Jefferson Memorial, Washington

Indico a Season Finale de CSI também. Senti um clima meio 'Obama/Bin Laden', na análise e interpretação das evidências no caso de Haskel/Langston. Se Haskel era um monstro, e Bin Laden também, vamos justificar tudo?

***
Droga, o mundo vai acabar e eu não vi o último 'Piratas do Caribe'. Jerry vai ter que entender.

domingo, julho 25, 2010

Onde se organizar

'Não há nada de novo sob o sol' (Eclesiastes 1:9). Lembra da minha antiga mesa da cozinha que virou estação de trabalho? O Achados de Decoração postou essas fotos hoje:




Falando em estações de trabalho, aqui estão outras do mesmo blog e algumas do site da Martha Stewart:




Adorei porque são de pessoas reais, não parece 'coisa de revista', sabe como é? A gente vê e acha que é capaz de fazer igual. E os quadros de aviso? Eu AMO quadros de aviso, assim como amo listas. Mesmo que eu não faça nada, sei em que pé estou no meio da confusão. Ainda não pendurei meus quadros de aviso, mas aqui estão algumas idéias:






Sobre recados: determine um lugar pra deixar recados, seja pra si mesmo, seja pra quem mora com você. Enquanto você não tem onde deixar seus avisos, pode aproveitar a idéia da minha amiga Fernanda. Ela mora com mãe e irmãos, então deixa os recados no espelho do banheiro, parada obrigatória em algum momento. Ela escreve com pincel atômico, mas você pode colocar um bilhetinho mesmo, num post-it ou com durex. Quando eu morava com minha mãe, deixávamos recados pra ela na tela da TV, primeira parada no caso dela.

sábado, junho 12, 2010

Noite de Fogueira



Já passou das seis da noite, hora das simpatias. Quando eu era criança, buscavam a aliança de uma mulher casada pras moças saberem em quantos anos casariam. Seguravam a aliança num fio de cabelo sobre um copo com água e rezavam a Salve-Rainha, contando quantas vezes a aliança batia na borda do copo. O número de batidas era o número de anos que faltava pra pessoa casar. A aliança nunca bateu no copo quando eu fazia a simpatia. Ainda bem. Eu torcia que não batesse mesmo.

Noite de fogueira é noite de gente com asma nas emergências, gente bêbada e/ou queimada por fogos de artifício. Esse ano, a chance de queimadura aumenta por causa da Copa do mundo de futebol. Ainda bem que não trabalho mais em hospitais, mas sei que vai chegar alguém com queimadura pelo posto por esses dias.

Em noites assim, eu recomendo não lavar roupa. Fica tudo com cheiro de fumaça e você acaba tendo que lavar tudo novamente. A casa cheira a fumaça, quer você feche a janela ou não. Na minha rua não há fogueiras. Ainda assim, posso ouvir os fogos nesse momento.

Lembro-me de minha infância, quando seis horas era a hora de acender a fogueira, montada geralmente com lenha que eu havia providenciado semanas antes, podando as árvores do quintal. Nossa fogueira não era a maior da rua, mas era a que eu mais gostava. Quando finalmente havia brasas, eram transferidas com uma pá pra churrasqueira de casa, onde assávamos milho de um modo bem mais confortável.

Não soltávamos fogos, além de traques. Meu pai trabalhava, ainda trabalha, em emergências. Minha mãe foi auxiliar de enfermagem por dez anos. Não precisa dizer mais nada. Não sinto falta dos fogos de artifício que não soltei na minha infância. Se algum dia senti, essa ausência sumiu quando vi meu primeiro queimado. Há certas coisas na vida que é melhor passar sem. Pra dizer a verdade, não vejo graça nem em fogos no Ano-Novo, mas isso é opinião minha.

Noite de fogueira combina com canjica (e eu não comprei nem uma daquelas de caixa), de pamonha (que tem o ano inteiro aqui) e milho verde cozido. Lembro-me do ano em que meu irmão foi encarregado de trazer uma dúzia de espigas do supermercado e recebeu as instruções pra identificar uma boa espiga: não faltar grãos na fileira, não ter bichos, a ponta não podia estar podre, não ter muito cabelo. Estava anoitecendo, todo mundo maluco porque ele não voltava e o mercado não era longe, quando finalmente meu irmão chega. Com as mais perfeitas espigas de milho que devo ter visto em minha vida. Como eu, ele sempre foi de seguir instruções à risca. Talvez por isso, a gente não se dê tão bem na vida.

Em noites assim, as pessoas vão pra festas, pra casa de outras pessoas. Eu fico em casa. Esse ano, minha companhia é um cesto de roupa pra passar. Adoraria estar mexendo uma panela de canjica (da verdadeira), porque adoro tanto canjica que não me importo de mexer por horas a fio. Não sei por que não comprei canjica. Deve ser porque não estou fazendo questão de nada: canjica, festa, fogueira ou da TV que ainda não voltou do conserto.

De qualquer modo, feliz Dia dos Namorados, véspera de Santo Antônio.

sábado, maio 09, 2009

Pregando

Então as Testemunhas de Jeová ali da esquina resolveram bater por aqui. Eu não discuto religião, elas dizem também que não, que apenas 'estão pregando a palavra de Deus', mas querem sempre me convencer que o modo como eu penso não me garante um lugar numerado na versão deles de Paraíso.

Portanto, eu vou avisando que sou católica (ou assim fui criada) e que respeito todas as religiões (pelo menos as pacíficas), mas não, obrigada. Vou continuar lendo a Bíblia sozinha e no meu caminho à procura da felicidade. Acho louvável a atitude dessas pessoas religiosas que saem de porta em porta oferecendo conforto, mas quando trazem como bônus a promessa de salvação, eu dispenso.

Sempre que alguém aparece assim na minha casa, eu lembro de uma tia por afinidade (casada com um tio meu), às portas da morte e desenganada, muito, muito jovem, que estava internada no hospital onde eu estudei. Era hora das visitas e eu, como estudante de Medicina, tinha livre trânsito a qualquer hora, mas minha mãe não. Então, lá estávamos eu e minha mãe, fazendo companhia pra minha tia, quando chegaram umas vizinhas da mesma, de alguma igreja, pedindo que ela se arrependesse dos pecados, que aceitasse Jesus no coração e que ela ficaria curada. Ocuparam um bom tempo da hora de visita com casos de pessoas que haviam feito o mesmo e estavam bem de saúde por causa disso. Até que minha tia, quase sem ar, com um cateter de oxigênio e tudo, conseguiu fôlego pra murmurar: 'Eu já aceitei Jesus e ele está comigo há muito tempo'. Só faltou dizem 'me deixem morrer me paz', mas estava implícito. Ninguém havia dito o diagnóstico, ou que ela não ia voltar viva pra casa. Ela faleceu em menos de uma semana e durante todo o velório, a imagem dela dizendo isso foi o que me confortou.

Essa tia foi minha primeira paciente naquele hospital. Aprendi muito ali e naquela mesma enfermaria, onde não podia entrar sem me lembrar dela quando ainda grávida do meu primo, feliz ao lado do meu tio (hoje também falecido). Uma das maiores lições veio do modo tranquilo (e não resignado) com que ela disse 'Jesus está comigo há muito tempo'. Isso me mostrou que visitas de religiosos são bem-vindas, mas não pra trazerem mais dúvidas e angústia para o doente.

Aliás, obrigada a cada pessoa religiosa que passou em minha existência e que me ofereceu conforto, sem questionar meus motivos. Deve ser por isso que eu tenho amigos espíritas, adventistas do sétimo dia, batistas, católicos, umbandistas, mórmons...

quinta-feira, março 12, 2009

Feliz Aniversário!



É aniversário de Recife e Olinda. Eu deveria ter ido hoje por lá, era dia de consulta pra ajuste das medicações, etc, etc. Mas é assim mesmo, acontece de tudo pra eu não colocar os pés onde eu nasci. A eterna cólica volta a atacar! Ou foi a maneira que a PMD arranjou pra boicotar tudo. Vai-se saber.

Anyway, espero que todos estejam curtindo a praia ou a chuva do dia, o bolo no Recife Antigo, a beleza da arquitetura e manifestações culturais de ambas as cidades. É dia de frevo, caboclinhos, maracatu e mais frevo!



Bem que minha mãe diz: 'A coisa mais bonita que Olinda tem é a Sé, porque de lá tem-se a melhor vista... de Recife!'. Bairrismo? Imagina!

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Há 13 anos...

Eu não perdia uma cerimõnia de entrega do Oscar. Eu só soube que o Oscar era esses mês por causa de um e-mail de Fernanda. Claro, meu irmão me convidou, mas eu não estava com espírito para me arrancar do meu canto para a capital em pleno Carnaval. Ontem à noite, eu pensei se valia a pena assistir a entrega de prêmios para filmes aos quais eu não havia visto nem o trailer.

Da última vez que perdi o Oscar, minha mãe havia me colocado de castigo. É, anônimo leitor, eu, no terceiro período de Medicina e de castigo! E nem me dei ao trabalho de argumentar 'Mas é noite de Oscar!', isso não cola com minha mãe (Claro que num ano seguinte, eu acordei a casa inteira por causa de 'A lista de Shindler'. Minha mãe é fã de carteirinha de Spilberg, não foi vingança não). Se eu merecia o castigo de perder o Oscar, tudo bem, mas eu me prometi que daquele ano em diante só passaria a noite do Oscar com quem entendesse de cinema.

Fernanda estava na primeira vez que tive verdadeira companhia pra festa, assim como o ex (que ainda era namorado dela!) e meu irmão. Foi uma das melhores noites de minha vida!

Então, eu perdi meu amado Heath Leadger ganhando Oscar póstumo. Considerando que eu, fã de Leadger e leitora do 'Batman', não tive coragem nem de assistir a esse
o filme, dá pra entender meu desligamento temporário das novidades do mundo. 'Cavaleiro das Trevas', 'Wall-e' e 'A duquesa' estão há meses aqui, enviados por meu irmão e eu sem me animar muito pra assistir...

De qualquer forma, eis a lista dos principais prêmios:

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Diretor
Danny Boyle, de Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Sean Penn, de Milk - A Voz da Igualdade

Melhor Atriz
Kate Winslet, de O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger, de Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Roteiro Original
Dustin Lance Black, de Milk - A Voz da Igualdade

Melhor Roteiro Adaptado
Simon Beaufoy, de Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Filme Estrangeiro
Departures, de Kundo Koyama

Melhor Animação
Wall-E, de Andrew Stanton

Melhor Fotografia
Anthony Dod Mantle, de Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
A Duquesa

Melhor Som
Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Efeitos Sonoros
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Montagem
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Efeitos Visuais
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Trilha Sonora
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Canção
Jai Ho, de Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Curtametragem (animação)
La Maison em Petits, de Kunio Kato

Melhor Curtametragem
Toyland, de Jochen Alexander

Melhor Curtametragem (documentário)
Smile Pinki

Melhor Documentário em Longametragem
O Equilibrista, de James Marsh

terça-feira, dezembro 09, 2008

Pra manter a forma

Eu, por muito tempo, fui uma andarilha. Deixava de pegar ônibus pra andar a pé. Economizava o suficiente pra comprar minha maquiagem e meus brincos (e estudante é uma criatura sem dinheeeeiro!) e era bem magrinha. Quase desnutrida (segundo os cálculos do Índice de Massa Corpórea).

Então, eu comecei a ganhar dinheiro e engordar. Terminei a faculdade com exatos 10 quilos acima do peso que tinha quando passei no Vestibular (é certo que eu parecia uma morta-viva depois daquela maratona), mas ainda dentro do peso indicado pra minha altura.

Tudo descambou de vez 'por causa do carro'. Eu tive três carros ao longo de 10 anos e ganhei... 37 quilos desde o Vestibular. Isso mesmo, anônimo leitor: trinta e sete. Claro que não foi só 'o carro'. A auto-disciplina de 25 anos que minha consciente e paciente mãe incutiu na minha cabecinha teimosa desapareceu quando fui morar sozinha. Some erro alimentar com sedentarismo e você terá os 37 quilos.

Eu tentei, de verdade. E nada dessas dietas ridículas onde a pessoa segue os passos religiosamente e depois de perder o peso desejado, volta a fazer tudo errado. Como profissional da área, sempre tive consciência que é preciso comer certo e pronto. Sem falar que minha família sofre de obesidade, diabetes, hipertensão arterial e outras tantas doenças que colocaram minha mãe de sobreaviso desde meus 4 meses de idade.

Passei 25 anos comendo certo (não era ' fazer dieta', mas alimentação saudável) com direito a todas essas porcarias de refrigerante, chocolate, sorvete, pizza, frituras... O problema foi quando eu transformei 'as porcarias' em hábito ao invés de exceção. Nunca parei de comer os ditos 'alimentos saudáveis' porque minha mãe conseguiu me fazer uma apaixonada por verduras e frutas (com uma ou duas exceções). Se é resultado da persistência dela, gosto herdado (ela é outra viciada em folhas e correlatos) ou do meu olho grande pra tudo que é comida, nunca saberei. O fato é: eu não parei de comer o que era certo, só aumentei a quantidade dos alimentos errados na minha dieta.

Imagine a situação de uma médica que fazia palestras pra hipertensos e diabéticos, orientando hábitos saudáveis e sem praticar um único exercício físico! Eu comecei academia mais de uma vez, natação, mas vivia me mudando de uma cidade pra outra por causa dos empregos e até me reorganizar, havia recuperado o peso anterior e mais alguns quilos. A real prova é que quando passei quase um ano no mesmo emprego, perdi 12 quilos (devidamente recuperados quando a emergência da tal clínica fechou).

Quem está de fora não imagina o estresse vivido pelos profissionais de saúde. Entre a remuneração indigna do SUS e dos planos de saúde que transformaram 'a nobre arte' num negócio, médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogos e outros colegas vivem na incerteza do emprego. Não conheço nenhum médico com carteira assinada. Trabalhamos por 'contrato de excepcional interesse público'. Ou seja, no dia que o interesse do gestor (prefeito, governador ou secretário de saúde) acabar, rua. Sem direito a ter 'direitos' como férias e 13o salário. Não é que eu ficasse escolhendo emprego, simplesmente as condições de trabalho eram insustentáveis. Quem lê esses textos desde o antigo blog conhece a situação. Acrescente a tal 'Psicose Maníaco-Depressiva' (e justamente os anti-depressivos que ajudam no ganho de peso são os que dão certo comigo) e uma tendência familiar a obesidade e você terá a trágica dimensão dos fatos.

Então... a tal enxaqueca veio com tudo há um ano e quem vive com enxaqueca não quer saber de comida por causa do enjôo. Como eu fui afastada, não pude manter a prestação do carro e comecei a andar pela cidadezinha onde estou morando há quase três anos. Só então me dei conta que com o carro à disposição, tudo é motivo pra tirá-lo da garagem. E a ida à locadora, à padaria, à casa de um colega se tornou motivo pra passeio! Eu nunca fui preguiçosa pra fazer exercício desde que seja algo que eu goste, ainda que eu deteste sair de casa. Nenhuma atividade onde a pessoa fica parada entra em minha cabeça como exercício físico (musculação e ioga). Nada com som nas alturas ou de ficar pulando (aeróbica, hidroginástica, etc). Exercício físico regular tem que ser algo associado a prazer e não a sacrifício. E eu gosto de 'curtir' o tempo que gasto me exercitando.

Se meu labirinto permitisse, eu teria uma bicicleta. Uma de verdade. A tal que fica parada quase enferrujou aqui em casa porque, a meu ver, a graça de uma bicicleta está em ver a paisagem ( o mesmo raciocínio vale pra essas 'esteiras'). Se a grana desse, eu teria uma piscina em casa. Garanto que só sairia dela pra trabalhar e olhe lá. Poderia até inaugurar uma moda nova: atendimento pediátrico dentro d'água. Como nem tudo é possível, eu fico andando pela cidade ao invés de pegar táxi e... dançando dentro de casa!

Eu me achava (e me condenava) como uma total sedentária até que percebi que no último ano, morando em outra casa e sem vizinhos justamente do lado do escritório, eu aumentei a frequência com que fico dançando dentro de casa e madrugada adentro. E cantando. Não é nada que incomode o resto da vizinhança (me dei ao trabalho de perguntar antes que a polícia viesse me autuar por pertubação da ordem pública) e acredite-me: eu danço! Que o Carlinhos de Jesus não me veja ou Patrick Swaze (dançarino profissional, filho de uma professora de dança e com ex-esposa dançarina) sequer sonhe com os crimes que cometos com as coreografias de 'Dirty Dancing' maaaas, não é um desses concursos de dança e ninguém vê mesmo. Dá uma saudade enorme do tempo em que eu fiz um ano de dança na Escola pra melhorar minha coordenação motora (todo adolescente é desajeitado, não é? Dança ajuda). Sem falar que é melhor que academia com todo mundo olhando. Eu sei a postura e os movimentos corretos para evitar lesões musculares e articulares, por que não aproveitar?

Eu retomei meus hábitos corretos de alimentação. Continuo comendo de tudo, só mudei a proporção dos alimentos. Aquela conversinha dos professores de Ciências funciona, viu? Alimentação equilibrada deve ter alimentos construtores, reguladores E energéticos. Nada de cortar todas as gorduras e carboidratos. Ou você se esqueceu que algumas vitaminas são lipossolúveis? Que a gordura melhora o sabor dos alimentos? Que os 10 aminoácidos essenciais (não fabricados pelo organismo) aumentam a resistência física? É por isso que essas dietas malucas não dão certo. Eu nunca fiz nenhuma assim. Diminuía a quantidade de comida, mas nunca cortei totalmente algo.

Portanto, indicação: Trilha sonora de 'Dirty Dancing' (incluindo o álbum 'More Dirty Dancing'), 'Pulp Fiction', 'Coyote Ugly' e 'Chicago', flamenco e música cigana ('The Best of Gipsy Kings' é irretocável) e o que mais der vontade. Sem carro, seis meses sem Medicina (por causa da licença-médica) e com música: 21 quilos a menos e contando.

Eu sei, eu estou voltando a trabalhar esse mês. Mas, ei! Tem um clube com uma piscina enooorme literalmente aqui na esquina.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Enjoada

Meu irmão e eu temos sete alelos em comum, com certeza científica. Os olhos da minha mãe, o humor (e o nariz) do meu pai, nem precisa de exame de DNA com o Greg Sanders como técnico! Me mandou um e-mail tão gentil, cheio de indicações de filmes (uma vez que nem sei quando eu entrei numa sala de cinema) e olha só como eu respondo:

Respondendo:
Vestido meu com Fabiana? E desde quando algo meu dá nela? Só se for o sutiã! Diz a cor do vestido pra eu lembrar (eu devo ter pensado que foi pra doação, só pode!)

Sobre filmes:
Eu ando tão desligada de tudo (graças a Deus)! Só quero ver 'Noites de tormenta' porque me mandaram o trailer (e quem mandou está acompanhando meu processo de desenvolvimento, então sabe o que está indicando).

Sobre a lista, comentários:
"Hancock => legal"
'legal' parece um certo indivíduo que tem sete alelos em comum conosco. Não me diz muito, né? Eu li agora sobre ele e apesar do elenco, agora não, obrigada.

"Homem de Ferro => muito, muito bom para os fãs de quadrinhos!"
Eu não gosto do Homem de Ferro, nunca gostei e não me balancei ao ver o trailer há algum tempo.

"Rambo IV => xi, sangue pra caramba, parece a Folha de Pernambuco :-p"
Acho que até Eduardo falou da sangueira. Passo.

"O Melhor Amigo da Noiva => Excelente, adoramos"
Cópia descarada de 'O casamento do meu melhor amigo', não? Considerando que eu ADORO a 'Julianne' da Julia Roberts (você sabe que é errado torcer por ela e continua torcendo), tem que ser MUITO BOM pra se igualar ao original. Pra rever o Sidney Pollack, talvez.

"Atirador => legal"
Mark Wahlberg é um bom ator, mas eu procuro rir mais atualmente. Isso parece um desses que a mãe de nós diz que é 'Tô matando', 'Vou matar', 'Tô terminando de matar'...

"O Filho do Rambow => excelente, achei a tua cara; um cinema de arte que adoramos"
Gostei da sinopse. (Quando foi que eu fui ver um cinema de arte? 'Tiros em Columbine' e não consegui. A indicação ao Oscar lotou a sala, habitualmente vazia)

"Homem-Aranha 3 => para você, se dormiu no cinema, vale a pena ver"
Eu não lembro nem se vi esse. Posso até ter perdido, mas dormir no cinema não. Desde 'Insônia' que eu não cochilo no cinema (é um trocadilho infame, mas é a pura verdade!). Gostei muito dos dois primeiros. É uma boa. Se for o que o amigo de Parker descobre a identidade secreta, a Mary Jane está mal na carreira de atriz, eu já vi (a cena dela com o amigo do Parker fazendo omelete tem uma fotografia bela!). Aí, não precisa mandar. E desde quando 'dormir no cinema' é boa indicação pra um filme de ação?

"O Reino Proibido => muito legal com Jet Li e Jackie Chan"
Tão 'A história sem fim'! Pra ver reinos fantásticos, eu ando com saudade de LER 'O Senhor dos Anéis' (partilha de bens dá nisso, e o livro era dele mesmo, mas eu criei um apego medonho). Sem falar que Harry Potter passa o dia andando pela minha casa. Entre os lutadores ninja e Hogwarts, ainda tem dúvida?

"O Incrível Hulk => muito bom, melhor do que aquele com Eric Bana"
O Hulk não mexe comigo. Eu gostava da série da infância e hoje sei que era... o tema musical. Eu sou capaz de tocar ainda hoje. Que melodia mais melancólica, putz!

"TMNT => O novo filme das Tartarugas Ninja, bem legal, gostamos"
Não gosto das Tartarugas Ninja. Ponto.

"O novo filme de Al Pacino e Robert de Niro => cujo nome não lembro, e ainda não vi;"
Fica fácil saber qual é, né? É altamente improvável que eu não goste de algo com AMBOS.

"Jornada ao Centro da Terra => o novo com Brendan Frasner. e ainda não vi;"
É 'O livro' de Verne que me arrependo de ter lido e comprado. E o Brendan Fraser, sei não, é insosso.

"Corrida Mortal => que não sei com quem é, mas pareceu legal, e ainda não vi;"
Quem é esse povo?

Ah:
Na pesquisa sobre os filmes, eu achei isso. Interessa?
http://www.eubaixo.net/

Não, eu não estou enjoada, eu sempre fui. 'Dramin' não sai da minha bolsa. E nesse momento, a minha imaginação está dando de 10 a 0 em direção, elenco, e roteiro então nem se fala!

Deixa eu ver a quantas vai a legenda de CSI dessa semana (essa eu comecei antes que todo mundo porque saiu no horário de trabalho e eu só trabalho pra mim mesma de agora por diante e para todo o sempre amém).

***
É meu irmão, ora! E ele conhece meu humor. Em certos dias, 'cáustico' é um eufemismo. :)
Ah! Meu irmão é Huddy (House + Cuddy)!!!! Estou zoando com ele desde que descobri. É um cara que se passa por sério, esse meu irmão, não? Acompanhando romance de personagem de série de TV junto com a esposa, vê se pode.
(ele não lê meu blog mesmo, vou começar a zoar mais com ele por aqui)
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Ouvindo a dublagem de 'Jackpot' pela Record:
Gil Grissom: 'Eu preciso de alguns remédios'.
(desde quando 'medical supplies' é 'remédios'? Eu vou acabar revisora da PlayArte, no mínimo. Até o meu 1 ano de inglês é melhor que o desse povo!)
Eu adoro 'Jackpot' como boa fã do William Petersen que sou, mas custava Sara ter atendido uma daquelas ligações do Grissom? Ele falava o tempo todo com Catherine, para alegria das Grillows de plantão. O Grissom é da Sara e ponto final. GSR é cannon!
(deu pra ter certeza agora que eu e o comentado rapaz somos irmãos? DNA pra quê?)

quarta-feira, outubro 22, 2008

Mais uma vez, a última da fila (e daí?)

Eu sei, eu vou fazer 33 e não 30. Mas é que eu sempre fui meio atrasada (pra nascer, dar o primeiro beijo, perder a virginidade, me formar...). Essa também veio do antigo blog, mas acho que foi Vicky quem postou primeiro. Acho, somente. O Mal de Alzheimer tá começando a atacar (éééééé, anônimo leitor, essa patologia atinge mais adultos que pessoas da terceira idade!).

OS SINTOMAS DA TPT (A Tensão Pré-Trinta)
por Nina Lemos

Dentro de um mês eu vou fazer 30 anos. Percebam, hoje, que é dia da criança, faltam 30 dias para a data fatídica em que deixarei de ser uma pessoa de 20 e poucos anos. Não vou poder mais nem cantar a música do Fábio Junior que diz… "eu quero saber bem mais etc". Nem serei mais público alvo da MTV.

Achei que fosse ser fácil. Até dei uma entrevista para uma revista feminina dizendo que crise dos 30 não existia. Mas a verdade é que existe, não nego, melhoro quando puder.

Você percebe que entrou na TPT de várias maneiras. É como se fosse tipo uma TPM que durasse um mês. Eu percebi que tinha sido acometida pela síndrome em uma tarde dessas, um dia lindo. Do além, fiz duas coisas muito sintomáticas. Na mesma tarde, repito, na mesma tarde, abri uma caderneta de poupança e comprei uma sacola de cremes de ácido, colágeno, elastina!

Preciso confessar que nunca na minha vida eu tinha aberto uma caderneta de poupança (futuro? O que é isso?). E também nunca tive muita paciência para passar cremes. Agora tenho passado. Religiosamente.

E O MUNDO CONSPIRA CONTRA QUEM ESTÁ SOFRENDO DE TPT! No dia em que comecei a escrever esse texto (ele já foi mudado duas vezes porque eu estou surtada) meu primo passou por mim, beliscou a minha barriga e disse: "olha, a Nina está com pneu!". O detalhe é que eu peso 46 kg (engordei um quilo durante a TPT). No dia seguinte, minha mãe apareceu com uma nova maravilha tecnológica para peles: a vitamina C. Como virei uma pessoa louca por cremes, comecei a passar o troço na bochecha. E, sabe o que eu ouvi? "Não, Nina, passa nas suas rugas!". Resumindo: em uma semana eu virei uma pessoa que tem pneu e ruga…

Outro sintoma clássico da TPT é você começar a se perguntar: O QUE ESTOU FAZENDO DA MINHA VIDA???? Sim, ela é boa. Mas será que eu estou virando uma careta? Será que eu vou me acomodar? Será que um dia eu vou virar uma mãe careta? Uma avó careta? Enfim, será que eu vou ser uma idiota de classe média?

Outro sintoma é bom. Você fica carente e começa a ter vontade de sair procurando e abraçando todos os seus amigos. Você precisa perguntar para eles se você é legal, precisa dizer que eles são legais. Enfim, você precisa ouvir palavras de amor.

SE EXISTE REMÉDIO? Não, ainda não lançaram uma pílula para a TPT (quem disse que a ciência está avançando?). Mas as coisas que fazemos quando estamos com TPM ajudam. Ou seja, se entupir de chocolate e de café, ter ataques de fúria etc.

Mas elas não resolvem. O fato é que você tem quase 30 anos. Na verdade, você já tem 30 anos. De agora em diante, podem me chamar de balzaca, de trintona, do que for. Eu encaro. Eu prefiro assumir agora. Sim, eu tenho 30 anos. E não tenho pneu porra nenhuma. E quanto às rugas, bem, deixa eu passar o ácido e o colágeno antes de dormir…

E quem é que precisa ser público alvo da MTV?

Pra quem não sabe: Eu esqueci MESMO de nascer. Se o médico não tivesse me tirado (duas semanas depois da data programada) da barriga de mamãe, acho que ainda estava lá. Se eu esqueci disso, imagina o resto!
Madame Coco Chanel (estilista) nunca se importou que copiassem os modelos de suas roupas porque 'boas idéias devem ser compartilhadas'. Bem, obrigada pelo poema, anônimo leitor!


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Preciso me certificar se minha prezada genitora continua neste plano de existência. Hoje, EU não apenas saí comprando mais de uma roupa sem ter planejado com ainda fiz questão de sair de uma das lojas já usando uma das blusas (vermelha, ainda por cima) !!!! Pra entender tal comentário, leia este post.
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Eu ando relendo meus antigos escritos, deve ser a crise de aniversário chegando. A gente fica repensando a vida, o que conseguiu até agora, que já está na quarta década de existência (é, quarta década, se vou fazer 33, a terceira década já passou). Do meu antigo blog: "A maldição de Eva não foi 'Parirás teus filhos com dor', certamente a condenação foi 'Sangrarás todos os meses com dor'. "
Porque fazer a minha parte na tradução da legenda do 2o episódio da 9a temporada de CSI exigiu inúmeras paradas para deitar, melhorar da dismenorréia (nome chique pra 'cólica menstrual') e voltar para o computador. Mas a legenda saiu!
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Vou ali estender a roupa lavada e procurar uma história do Batman. Fui inventar de comentar algo com meu terapeuta e usei a tal história como exemplo. Agora, quero ler de novo. Detalhe: são APENAS quinze anos de revistas na minha coleção. Vai ser fácil pra encontrar...
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Também do antigo blog (quando eu fazia poesia):
queria largar tudo e sair por aí
sem hora nem dia pra pra voltar
sem plano de vôos
em vigia
sem porto pra ancorar
queria saber ser irresponsável
e assumir de vez essa minha loucura
que vive à espreita
mas não se assume
queria sair de vez do armário
desaparecer pelo mundo
garanto que não haveria boletim de ocorrência
Acho que, no que melhorei da depressão, meu lado poético tirou férias.
(Pro lado poético: "Ei! Pode até se aposentar viu? Não estou fazendo questão".)
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Não, eu não sou alcoolista (não se usa mais o termo 'alcoólatra' porque é doença e não vício). Mas eu adoro esse texto da Oração da Serenidade, como escrita por Reinhold Niebuhr:

"Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença: vivendo um dia a cada vez, aproveitando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para a paz; indagando, como fez Jesus, a este mundo pecador, não como eu teria feito; aceitando que Você tornaria tudo correto se eu me submetesse à sua vontade para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida e extremamente feliz com você para sempre no futuro. Amém."

sábado, outubro 18, 2008

Dia de São Lucas

"Como um atleta que se prepara com exercícios leves para maiores pelejas, o espírito de Andrew ainda se mantinha em guarda ao aproximar-se da vida."

Me lembrei disso hoje, depois que minha pacientezinha saiu daqui há pouco para a revisão da sinusite que quase a enlouqueceu com dor de cabeça. Eu fui dormir quase às seis da manhã, acordei às nove com o telefonema da mãe dela que não tinha mesmo outro horário para trazê-la (e, de mais a mais, quem é a louca criatura que tem esses horários de sono?).

Essa frase faz parte do capítulo de reestabelecimento do Dr Andrew Manson após o duro golpe da morte de sua esposa. "A Cidadela", de A. J. Cronin (médico) foi indicação (e presente, devidamente roubado com um antigo carro que eu tive) do meu pai (que é médico). Alguns anos depois, Fernanda (fã de Cronin, por causa de 'As Chaves do Reino') me deu outro exemplar. Cronin é um dos autores prediletos da minha mãe (e da mãe de Vicky), mas eu li quase tudo dele e tenho algumas ressalvas. Porém, 'A Cidadela' é o meu predileto daquele autor sobre temas médicos ('As Chaves do Reino' é imbatível, embora minha mãe insista em 'O Castelo do Homem sem Alma' ou 'Pelos Caminhos de minha vida', não lembro mais).

Cada pessoa tem seu método para organizar suas coisas e meus livros têm um sistema ímpar. Na verdade, aqui em casa há uma seção onde estão autores médicos, romances médicos ou com referência a médicos. 'As Viagens de Gulliver' (que era médico) só não está ali porque é tão 'aventura' que ficou ao lado de 'A ilha do Tesouro'. Mas Dr Dráuzio Varela ('Por um Fio', 'O Médico Doente', 'Borboletas da Alma') está ao lado de Dr Moacyr Scliar ('Dicionário do Viajante Insólito'), Robin Cook ('Cego', o resto eu li da biblioteca do meu pai ou por aí), Hipócrates ('Viver, Cuidar, Amar'), Noah Gordon ('O Físico', 'A Escolha da Dra Cole' e outros), Michael Crichton (ele mesmo! De 'Jurassick Park'. Eu tenho 'Cinco Casos', uma das raras obras dele sobre a própria formação médica), A. J. Cronin e Taylor Caldwell. 'Médico de Homens e de Almas', de Caldwell, foi separado dos outros da mesma autora porque é sobre a vida de São Lucas.

Eu não sei quantas vezes eu comprei esse livro e dei de presente para algum médico. Na minha formatura, eu esperei, esperei e um dia, andando pelo shopping eu simplesmente entrei numa livraria, peguei um exemplar e fui pro caixa. A minha mãe ficou olhando, meio sem entender e eu respondi 'Eu acho que eu mereço ganhar um presente de formatura, nem que seja de mim mesma.'

Entendam-me: a minha mãe fez questão de me dar meu anel de formatura, algo que pessoalmente eu acho uma besteira, mas ela não teve anel, nem meu pai, porque é algo muito caro, e eu nunca soube como ela conseguiu comprá-lo. Toda a formatura foi cheia de historinhas, mamãe costurou todos os vestidos, junto com minha tia (exceto o do baile, cujo primeiro aluguel saiu do meu bolso). Meu pai mandou o suficiente para comprar os tecidos dos vestidos. Se eu já não estivesse trabalhando, não teria participado da formatura (outra besteira, na minha particular visão), mas eu fiz pela minha mãe, que queria ter se formado em 'Medicina' e parou o curso pela metade pra criar menino. Se alguém conseguir entender, me explique, eu desisti: meu pai comeu o pão que o diabo amassou pra se formar em Medicina e convenceu minha mãe a largar a mesma faculdade porque os filhos 'iam ficar mal-educados na mão de empregada'.

Bem, histórias de família. A história de São Lucas é que vale a pena. Apesar dos santos padroeiros dos médicos (e farmacêuticos) serem Cosme e Damião (também médicos, segundo a lenda), o dia do médico é comemorado no dia de São Lucas (obviamente, médico).

Na primeira página do exemplar (devidamente lido, relido e trilido), está, escrito com a mesma caneta que assinou meus convites de formatura, a seguinte dedicatória com minha letrinha ainda cursiva (passei a escrever em letra de forma pros pacientes não terem dificuldade com as receitas):

'Que você nunca desista'

Hoje é dia do médico.
***

Se lhe interessa, neste mesmo blog:

Vida de médico (o texto não é meu)
Sobre pacientes e plantões (uma revisão sobre posts de uma comunidade do Orkut, com comentários meus)
A Declaração de Genebra (que é o juramento atual nas formaturas de Medicina)
E o imbatível Juramento de Hipócrates (considerado cheio de situações politicamente incorretas, por isso substituído)
Da minha autoria, Feliz dia do Médico. Recomendando a leitura da Declação e do Juramento antes, pra ficar mais compreensível.

E, como diria o Dr Grissom (Ph. D em Entomologia, bem entendido): 'Let's move on!'

Odessa Valadares ('doutora', como diz meu pai, é só um apelido)

segunda-feira, outubro 13, 2008

Por quê?

É dia de São Eduardo. Rei da Inglaterra, com ‘temperamento manso e generoso (nunca uma indelicadeza ou uma palavra de repreensão ou um gesto de ira nem para com os mais humildes súditos)’. A descrição é de ‘Um Santo para cada dia’, a quem interessar possa.

Porque um Eduardo me honrou com seu temperamento também manso e generoso: muito obrigada.

***

Heroes Of Sand
(Angra )


Sealing light/Nothing to see/Like a miracle life/Starts with the pain/Forever this will be


Close my eyes/Thunders won't cease/Crawling down to the edge/I break down and weep/Tears on the river deep/Oh! Back to the sea

Shout loud/Moving ahead/Ride the horses of justice/Virtues of men, yawns!

Down and out/Losing my head/Like a dream you're returning/Back from the dead-awake!/Shadows will fade some day

All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand

Haunted by the heavy clouds/Thunder is tearing away/Howling like a mountain wolf/Warriors are leading the way

All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand

on the sand

Porque desde que ouvi (há quase duas semanas!) não sai da minha cabeça e do Windows Media Player. Tradução para quem quiser.

***
Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Porque Vinícius anda aqui por esses dias e esse foi um dos primeiros de uma longa lista de sonetos que tocaram meu coração. E olha que a lista inclui quase todos os sonetos do Bardo!

PS: Presente de uma pessoa maravilhosa, a ‘Antologia Poética’ de Vinícius só não tem ‘Quatro Elementos’ senão seria um livro perfeito. Me acompanha (acompanha-me, dá no mesmo, seus puristas) desde um pós-operatório (daí a intenção do presente) e, de fato, a dedicatória me enternece até hoje. ‘E que a dor de dente não seja infinita enquanto dure!’ sempre me faz sorrir a cada vez que leio.

***
Respondendo

Cardápio do almoço com os poetas (e poetisas):
- Aperitivos: variedade de poemas satíricos e políticos.
- Entrada: suspiros por inatingíveis objetos do desejo humano (a criatura amada, por exemplo).
- Primeiro prato: odes a criações perfeitas da Natureza (sol, lua, estrelas e animais de estimação)
- 'Piéce de resistance': poemas de amor correspondido acompanhados de pequenas porções de saudade.
- Sobremesa: poemas eróticos (a essa altura, todos já estarão bêbados mesmo).
- Café: declarações e resoluções de vida (ou morte).
- Conhaque: Profundas meditações sobre a existência e finitude humana, , ao final das quais todos se despedirão, acreditando que mais um dia é possível (se existe por quem ou pelo que almejar).

Porque eu me diverti tanto planejando o menu que resolvi compartilhar. Ai, deu saudade de 'Um Alfabeto para Gourmets'. Vou cobrar de volta senão... adeus livro. Sou ciumentíssima com meus livros, raramente empresto e esse está com minha mãe. Mas eu vou cobrar assim mesmo.

***
Só porque hoje é segunda e há a perspectiva de uma semana inteira pela frente.

PS: Sabe aquele meu lugar no mundo? Acaba de sair daqui uma pequenina com dor de cabeça há nove dias e com febre. É como andar de bicicleta (ainda que o equilíbrio falte de vez em quando): onde é que eu guardei as fichas do povo? Cadê as duas calculadoras da minha maleta? Como é mesmo o nome-fantasia do xarope de dipirona com sabor de chocolate?
A mãe da menina me conhece há aaaanos. Ela sabe que é só falta de prática. Eu tenho certeza disso.

sábado, setembro 13, 2008

Então...

... esse projeto bem-acabado de pessoa adormeceu ontem e esqueceu o MSN aberto. Hoje, havia até janela de conversação do ex (que pode ter pensado que eu não queria falar com o ele), sem contar gente do fórum GSR e por aí vai. Sorry, people. Eu estava no 13o sono, como diz minha mãe. Simplesmente desliguei o monitor e deixei a mulinha trabalhando, tentando encher o HD 'novo' de algo pra meus ouvidos. Afinal, só de repertório da banda que eu tenho que aprender, são umas duzentas músicas. Ainda bem, ainda bem, que meu ex me apresentou música internacional. Então, eu pude ficar devidamente emocionada com o arranjo que a banda canta de 'Dust in the Wind'. Muito obrigada, meu irmão, pelo CD do Rod (a gente ficou íntimo, eu e o Rod Stewart). Foi por saber cantar a primeira faixa que tive coragem de chegar perto daquele violão, naquele domingo ímpar. Por essas e outras, eis-me, aqui, realizando o último sonho de emprego que tinha na vida!

domingo, setembro 07, 2008

Nada pessoal

Do fundo do meu coração

Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido, eu disse nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas, basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca pra mim
Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor
Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você
Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo o meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim


Eu, ao contrário de minha mãe, nunca fui grande fã de Roberto. Mas hoje, no meu batismo de fogo, certas músicas começaram a fazer um certo sentido. Lembro nitidamente do quanto a letra dessa música me impressionou, quando foi lançada, há muito, muito tempo.

sexta-feira, julho 25, 2008

Discrepâncias

Minha mãe é uma figura. Ímpar, na verdade. Enquanto pago pra não sair de casa, ela adora passear. Pra me arrastar pruma festa, é preciso que eu tenha muita consideração pela pessoa. Ela adora Carnaval. Minha mãe ama “Chiclete com Banana” desde a crição da banda. Adora Shakira. Não, minha mãe não é uma mulher metida a gatinha. Ela apenas tem a alma jovem. É vaidosa a ponto de me incomodar. Pinta as unhas de vermelho, apesar de todo o serviço da casa. Eu, quanto muito, passo base. Ela usa uma dezena de cremes diferentes e, se tivesse dinheiro, usaria outros mais. O batom é vermelho, sempre.
Minha mãe assistia “Arquivo X” por minha causa, mas sempre achou que o Mulder era viado porque não pegava a Scully. Dizia assim mesmo. Apresentei mamãe a ”House” e “CSI”, e ela se apaixonou pelo ‘médico doidão’. Nem aí pro Grissom. A série é tranquila demais pra ela, eu acho. E hoje, ela me telefona, pra saber como vão as coisas, e descubro que ela está assistindo “Grey’s Anatomy”. Preciso me render à clara evidência: minha mãe assiste “Grey’s Anatomy”. E adora.
Se eu não fosse uma cópia xerox da minha mãe, fisicamente falando, eu acreditamente seriamente que fui trocada na maternidade.

quinta-feira, julho 17, 2008

Vou pegar de volta!

Saudade da minha fita de "Dirty Dancing". Sei lá por que, o filme sempre me agradou. Talvez porque foi meu primeiro filme com censura (eu me senti muito importante indo ao cinema com minha mãe, mas sem meus irmãos menores). Ou porque eu AMO filmes com dança (e minha mãe sabia disso quando me levou pra assistir). Por isso tudo, eu tenho toda a trilha sonora e nunca enjôo de dançar pelo meio da casa.





A fita está emprestada há quase um ano. Tá na hora de resgatar.

terça-feira, julho 15, 2008

Fazendo um balanço

Trinta e dois anos
Eu tinha cinco metas na vida: casa, cachorro, computador, carro e carreira. Aos 30 anos deveria tê-las alcançado. Continuo vivendo de aluguel, mas consegui sair da casa da minha mãe. Desisti de ter um carro (você só acumula dívidas, polui o planeta e engorda). Não tenho mais cachorro. Carreira? Estou licenciada pelo INSS até dezembro porque entrei em surto devido ao stress da profissão. Sobrou o computador .

Nota: meu computador se chama Fátima, em contraponto ao meu palmtop, carinhosamente chamado de William Bonner, uma vez que sabe tudo que é preciso saber.

Aos 32, eu não costuro nada (nem gente eu suturo mais) mas sei bordar com miçangas impecavelmente, tenho 18 quilos acima de meu peso ideal (orgulhosa da perda de outros 15 quilos) e voltei a me exercitar recentemente devido à venda do carro. Graças ao meu companheiro, comecei a conhecer música internacional, acho que não nasci pra ser casada, e continuo com a certeza de que não devo ser mãe. Finalmente comprei um teclado (ainda que só toque de ouvido), sou apaixonada pelo simples som de um violão e assumi minha voz cantando “na noite” porque não tem vizinho do lado do escritório. Aprendi a cuidar de plantas, sei tirar manchas de quase tudo em roupas, tenho certeza que arear panelas é uma perda de tempo e que lavar roupa é a melhor terapia já inventada (ainda que finalmente tenha me rendido a uma máquina de lavar roupa carinhosamente chamada de “Amélia”).
Aos trinta e dois, eu fiz dois cursos de línguas, por causa de CSI destravei meu inglês e ressuscitei meu espanhol, estou esquecendo meu amado francês e descobri que onde moro dão curso da LIBRAS (linguagem brasileira dos sinais para deficientes auditivos). De alguma maneira, minhas cólicas menstruais praticamente desapareçam mas minha acne está cada dia pior (ainda que minha adolescência já tenha até atestado de óbito). Com trinta e dois, eu devia estar belíssima como minha mãe era nessa idade, mas estou com corpo dela agora aos 62. Cansei de ler os livros que gostaria de ter escrito e comecei minha própria história, ainda que fuja dos encontros com antigos conhecidos para não mostrar o quanto falhei.
E eu era a melhor aluna de minha turma.

sexta-feira, julho 11, 2008

Primeiro Amor


Quem nunca se sentiu amado deveria ter um cachorro. Que o diga minha mãe: ela se apossou do meu amor. No auge da pressão da faculdade, há uns oito anos, minha mãe chegou a uma brilhante conclusão.
"Quando você tinha cachorro não adoecia", referindo-se às estafas, à depressão recorrente, etc, etc. E tanto cismou que me convenceu a ter outro cachorro. Eu já tivera três vira-latas em minha infância. Não poderia ter um, sem saber o quanto cresceria, num apartamento pequeno. Minha vizinha tinha uma yorkshire, mansinha, tranquilona, nunca latia. Parecia perfeito. Lembro que trabalhei muito pra juntar o dinheiro, que escolhi nome antes mesmo da criatura vir ao mundo. Então nasceu Jolie ("bonita", em francês) e todo mundo em casa se apaixonou. Talvez porque fosse nossa primeira fêmea. Lacinhos, roupas, multirão numa infestação de carrapatos.
Até que minha mãe me confidenciou: "Por causa de Jolie, perdi meu medo de cachorro". Eu quase caí pra trás. Depois de três cachorros grandes, descubro que minha mãe tinha medo de cachorro. E que sempre me permitiu tê-los, desde os 6 anos de idade, porque eu realmente me responsabilizei por cada um. EU acordava às cinco da manhã pra limpar tudo, EU dava banho, EU levava pra vacinar. Minha mãe só precisava chamar o veterinário e EU sempre cuidei deles quando doentes.
Então veio essa doçura de criatura, tão delicadinha. Um dia, eu saí com essa: "Eu sabia que um dia eu seria tão amada a ponto de ter quem me lambesse os pés quando chegasse em casa". Existe amor maior?
Me formei e saí de casa. E meu amor mudou-se comigo. Meus vizinhos disseram que ela chorava o dia inteiro (e a noite também), quando eu saía pra trabalhar. E minha mãe, que havia se aposentado recentemente por problemas de saúde, passava o dia inteiro sozinha também. Ofereceu-se pra ficar com Jolie, e foi ficando, ficando... e se apaixonou de vez!
São a companhia um da outra. Minha mãe passou a fazer dieta corretamente por causa de Jolie. Brigam por cada pedaço de kiwi e caqui, compartilham saladas com azeite extra-virgem, ambas adoram papa de maisena (com adoçante e leite desnatado!), fazem caminhada juntas e Jolie adora água de côco. Tudo devidamente supervisionado pela veterinária. E cada dia nos vemos menos. Mudei-me de Recife há uns anos e agora , sem carro, fica mais difícil trazê-la para cá pra passar uns dias.
Mas continuo a repetir pro meu marido a mesma frase que pronunciei quando ele me pediu um relacionamento sério: "Meu primeiro amor é Jolie!"