“Time is very slow for those who wait
Very fast for those who are scared
very long for those who lament
Very short for those who celebrate
But for those who love time is eternal”
― William Shakespeare
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terça-feira, junho 26, 2012
quarta-feira, março 28, 2012
Williams
'Que a noite lhes seja serena E as penas do dia pareçam pequenas. Que os sonhos lhes sejam amenos E anjos tranquilos lhes façam acenos.'(William Bonner, no Twitter)
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No elenco de 'Seeking a Friend for the End of the World'.
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No elenco de 'Seeking a Friend for the End of the World'.
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domingo, outubro 23, 2011
Um amor antigo ou um amor eterno?
Tem dias - e noites - em que a gente se pega sentindo saudade de alguém. Pode ser um amor antigo, um amor eterno, uma pessoa que foi importante em alguma época de sua vida: colega de turma ou de trabalho, um professor, seu vizinho. Pode ser um personagem cuja existência só significa algo pra você ou um que - como uma pessoa 'real - tem diferentes significados para cada um.

Digo isso porque desde essa madrugada me deu saudade de Grissom. Assim, do nada. Eu não vi nenhum episódio de CSI nos últimos quatro dias, não me lembro exatamente quando assisti algo pré-nona temporada, mas não tem duas semanas, eu acho. Só me veio aquela vontade de saber como ele vai. Depois de anos sem Grissom, hoje deu saudade do bug-man.

Grissom me ganhou por ser esquisito: dedicado ao extremo ao trabalho, com paixão por aprender mais sobre tudo, sem medo de botar a mão na massa, sem fazer política e tendo uma das piores políticas de relacionamento chefe/subordinado já registradas. E o time o respeitava, porque ele aprendeu a respeitar cada um, à maneira dele. Eu poderia dizer que Gil vive num mundo à parte, de tão concentrado no que está fazendo. Sinto falta disso no lab. Ninguém mais se concentra desse jeito.

Desde que ele se foi de Vegas, acho que ninguém mais rompeu a couraça de sarcasmo de Brass. Com quem será que ele fala sobre a filha e os casos difíceis? Apenas com a garrafa de scotch? Sozinho, é melancólico. Com Grissom, era dividir um peso. Falando em dividir, sim, eu entendo o arranjo no casamento dele e Sara, tanto por questões profissionais, quanto pela necessidade de espaço que ambos cultivaram ao longo dos anos. Basta dar um tempo pra Griss se ajustar à nova situação - o que pode levar mais uns anos, veja o tempo que levou pra ele se envolver com Sara e depois pra se casarem! Mas é o tempo de Grissom, não o meu, ou o seu.

Sinto. Sinto falta do meu entomologista citando Shakespeare em cenas de crime, lendo Thoreau no trabalho, conversando com o Dr Robbins, convivendo com Ecklie porque era o jeito. Sinto falta da sala cheia de objetos nunca completamente identificados em todos aqueles anos. Ver aquela sala vazia me balançou, especialmente agora com o novo supervisor. E, quando a gente sente saudade, lembra com carinhos até das pequenas implicâncias. Eu, por exemplo, sempre quis pôr a mão naquele chapéu horrível e excluí-lo dos bens utilizáveis do planeta, exceto como combustível.

Sim, eu adoro perícia. Adoro ciência e o modo como juntam tudo com os motivos, e quase sempre tudo se encaixa - embora passe metade do episódio ou reclamando por algum erro técnico básico, ou deduzindo os resultados. Adoro os ratos do laboratório, tenho os CSI mais antigos como uma família meio doida (como toda família de verdade), mas todo grupo tem uma figura central, uma cola. E eu sempre achei que fosse Grissom. Continuo achando. Mas bem que ele podia aparecer pra uma visita aos velhos amigos.

Digo isso porque desde essa madrugada me deu saudade de Grissom. Assim, do nada. Eu não vi nenhum episódio de CSI nos últimos quatro dias, não me lembro exatamente quando assisti algo pré-nona temporada, mas não tem duas semanas, eu acho. Só me veio aquela vontade de saber como ele vai. Depois de anos sem Grissom, hoje deu saudade do bug-man.

Grissom me ganhou por ser esquisito: dedicado ao extremo ao trabalho, com paixão por aprender mais sobre tudo, sem medo de botar a mão na massa, sem fazer política e tendo uma das piores políticas de relacionamento chefe/subordinado já registradas. E o time o respeitava, porque ele aprendeu a respeitar cada um, à maneira dele. Eu poderia dizer que Gil vive num mundo à parte, de tão concentrado no que está fazendo. Sinto falta disso no lab. Ninguém mais se concentra desse jeito.

Desde que ele se foi de Vegas, acho que ninguém mais rompeu a couraça de sarcasmo de Brass. Com quem será que ele fala sobre a filha e os casos difíceis? Apenas com a garrafa de scotch? Sozinho, é melancólico. Com Grissom, era dividir um peso. Falando em dividir, sim, eu entendo o arranjo no casamento dele e Sara, tanto por questões profissionais, quanto pela necessidade de espaço que ambos cultivaram ao longo dos anos. Basta dar um tempo pra Griss se ajustar à nova situação - o que pode levar mais uns anos, veja o tempo que levou pra ele se envolver com Sara e depois pra se casarem! Mas é o tempo de Grissom, não o meu, ou o seu.

Sinto. Sinto falta do meu entomologista citando Shakespeare em cenas de crime, lendo Thoreau no trabalho, conversando com o Dr Robbins, convivendo com Ecklie porque era o jeito. Sinto falta da sala cheia de objetos nunca completamente identificados em todos aqueles anos. Ver aquela sala vazia me balançou, especialmente agora com o novo supervisor. E, quando a gente sente saudade, lembra com carinhos até das pequenas implicâncias. Eu, por exemplo, sempre quis pôr a mão naquele chapéu horrível e excluí-lo dos bens utilizáveis do planeta, exceto como combustível.

Sim, eu adoro perícia. Adoro ciência e o modo como juntam tudo com os motivos, e quase sempre tudo se encaixa - embora passe metade do episódio ou reclamando por algum erro técnico básico, ou deduzindo os resultados. Adoro os ratos do laboratório, tenho os CSI mais antigos como uma família meio doida (como toda família de verdade), mas todo grupo tem uma figura central, uma cola. E eu sempre achei que fosse Grissom. Continuo achando. Mas bem que ele podia aparecer pra uma visita aos velhos amigos.
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sexta-feira, julho 02, 2010
Regras de sobrevivência II
"Ame a todos. Confie em poucos. Não faça mal a ninguém".
William Shakespeare
- Vida longa e próspera aos que sabem dizer 'não' quando pensam duas vezes
- Uma garrafa pode ser uma boa conselheira, mas uma noite bem dormida é melhor. Uma noite insone, bem aproveitada, vale pelas duas anteriores
- Ter um amigo especial pra cada setor de sua vida. Não se iluda: cada pessoa se interessa e ama mais determinado aspecto seu. Existe amigo pra balada, amigo pra rachar despesa, pra chorar as mágoas, pra dar conselhos, pra dar bronca, e por aí vai.
Adendo: Se você tiver um amigo que se enquadra em três categorias ou mais, o sol brilha eternamente em sua vida. Faça chuva, sol, ou caia granizo
- Tenha um cachorro. Se ele for só e somente seu.
William Shakespeare
- Vida longa e próspera aos que sabem dizer 'não' quando pensam duas vezes
- Uma garrafa pode ser uma boa conselheira, mas uma noite bem dormida é melhor. Uma noite insone, bem aproveitada, vale pelas duas anteriores
- Ter um amigo especial pra cada setor de sua vida. Não se iluda: cada pessoa se interessa e ama mais determinado aspecto seu. Existe amigo pra balada, amigo pra rachar despesa, pra chorar as mágoas, pra dar conselhos, pra dar bronca, e por aí vai.
Adendo: Se você tiver um amigo que se enquadra em três categorias ou mais, o sol brilha eternamente em sua vida. Faça chuva, sol, ou caia granizo
- Tenha um cachorro. Se ele for só e somente seu.
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terça-feira, junho 29, 2010
Sessão Pipoca
Depois de ver o jogo da seleção, se empanturrar de porcaria com mi hermano e minha cunhada (coisa que eu não fazia há muito tempo), fomos assistir 'Cartas para Julieta', indicação de Grissom's Girl, com direito a citações de Shakespeare.
Ótimo passatempo, Vanessa Redgrave vai bem, obrigada, e claro que eu gostaria de ter visto mais girassóis, mas gostei da fotografia assim mesmo (tem como alguma paisagem na Toscana não ficar linda?) e estou à procura da trilha.

***
Amanhã é dia de procurar algumas coisinhas pra casa nova e voltar pra casa. Ou melhor, pras casas. Verificar o andamento da pintura na casa antiga, torcer pra chuva parar ou jamais os pedreiros terminarão a calçada, ou os pintores começarão a pintar o exterior. E minhas férias terminam essa semana.
Quem foi que inventou mudança mesmo?
Ótimo passatempo, Vanessa Redgrave vai bem, obrigada, e claro que eu gostaria de ter visto mais girassóis, mas gostei da fotografia assim mesmo (tem como alguma paisagem na Toscana não ficar linda?) e estou à procura da trilha.

***
Amanhã é dia de procurar algumas coisinhas pra casa nova e voltar pra casa. Ou melhor, pras casas. Verificar o andamento da pintura na casa antiga, torcer pra chuva parar ou jamais os pedreiros terminarão a calçada, ou os pintores começarão a pintar o exterior. E minhas férias terminam essa semana.
Quem foi que inventou mudança mesmo?
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domingo, maio 09, 2010
Quem me dera ser amada assim.
DECÁLOGO DO POETA PARA A MULHER AMADA
Vinícius de Moraes
"1 - Amar a mulher amada sobre todas as coisas.
2 - Não tomar o seu santo nome em vão,
e não brincar em serviço.
3 - Guardar todos os domingos para ela
e fazer-lhes milhões de festas.
4 - Ser um pouco pai dela e ela um pouco a mãe da gente.
5 - Só matá-la de amor, ou por amor.
6 - Pecar o mais possível contra a sua castidade.
7 - Nunca furtar para dar-lhe coisas.
Furtar é um crime vil
e a mulher que ama precisa respeitar o seu homem.
8 - Ser absolutamente discreto em tudo
que se relacione à mulher em geral.
9 - Fazer toda a força possível para não desejar
a mulher do próximo.
O preço do amor é uma eterna vigilância.
10 - Não cobiçar as coisas alheias,
pois à mulher que ama, basta-lhe o amor do ser amado".
***
Acho que toda mulher já desejou ter sido merecedora da atenção de Vinícius. Se existiu um homem capaz de fazer da sensualidade um arte, esse foi o poetinha. Nao estou fala.ndo de lubricidade. Falo de dispor de todos os sentidos pra dar toda a atenção possível à mulher em questão naquele instante em que ele estava com a escolhida. Eu não fujo à regra. Foi assim que saiu a crônica dessa semana:
Vinícius e eu
29.04.10
Preciso confessar: Vinícius é o único relacionamento aberto que eu tive e tenho, e continua valendo a pena. Acho que é ele o tal homem da minha vida. A verdade é que temos um longo caso de amor. Nos conhecemos no ‘Livro de Sonetos’, na minha infância. Não sei como os sonetos me caíram nas mãos, mas eu não era tão criança assim e provavelmente não entendi os poemas mais quentes mesmo. Ficaram-me os sonetos de fidelidade, de separação, de intimidade, de contrição e ficamos flertando por anos, eu lendo e relendo o livro, que pertencia à minha mãe, até que uma ‘antologia poética’ me caiu nas mãos por inteiro acaso, na casa de alguém. Eu tive a antologia em mãos por uma noite apenas, porque o dono estava lendo e ia viajar com o livro. Mal dormi, e valeu cada instante porque Vinícius é um homem que mantém uma mulher acordada, mas ocupada e satisfeita. No dia seguinte, tivemos que nos despedir.
Apenas uma noite. Eu me senti roubada. Eu o queria de volta, pra dias e noites, e a eternidade, mas por alguma razão, nos desencontrávamos. Outros surgiram em minha vida, e me distraíram do meu primeiro amor. Eu soube que Vinícius era especial desde que ele me fez rir com ‘Não comerei da alface a verde pétala’. Independente de qualquer coisa, um homem tem que ser capaz de fazer rir uma mulher.
Aqui e ali, ele reaparecia em minha vida, me oferecendo mais: no repertório do coral da faculdade, numa edição comemorativa da ‘Veja’, nas primeiras palavras que meu primeiro namorado disse ao trocarmos nosso primeiro beijo. Os anos se passaram, eu me apaixonei, me decepcionei, me enganei, e o poeta ali, firme, à minha espera. Foi preciso tempo, mas eu entendi que o que tínhamos era muito especial e eu precisava dar o passo seguinte, conhecê-lo melhor e ele a mim, saber o que nos atraía, o que nos era comum e o que não era.
Quando resolvi dar uma chance, Vinícius não estava mais disponível. Eu não morava mais com minha mãe, e morria de saudades do livro de sonetos. Pedir emprestado não servia, eu o queria inteiramente pra mim porque livro de poesia tem que ser sublinhado, de leve, com lápis grafite, pro próximo dono poder apagar e sublinhar as frases dele. Se possível, a gente até data a poesia, pra saber por que gostou tanto daquilo. Livro de poesia emprestado é como suspirar pelo namorado da amiga: ou você rouba de uma vez, ou fica sofrendo por ele, até ter o seu. Nunca roubei o namorado de ninguém, como poderia roubar Vinícius de outra pessoa?
O interessante, é que nunca comprei um livro de Vinícius. Entendi desde o início que tinha que merecê-lo. A oportunidade veio na forma de uma dor de dente. Acabei na sala de cirurgia, extraindo os quatro dentes do siso de uma vez, e foi quando uma amiga veio me visitar, com outra ‘Antologia Poética’ pra ocupar meu tempo de repouso. Até a dedicatória era a de alguém que sabia o valor daquilo pra mim. Vinícius era finalmente meu!
Mal a amiga saiu, nós nos agarramos. Literalmente. Jantamos juntos e quando o dia seguinte amanheceu, ele continuava em meus braços. Essa antologia não tem ‘Quatro elementos’, um dos meus prediletos, mas afinal, não existe amor sem um defeitinho. Quando matamos as saudades de uma vida inteira, coloquei um marcador na página de ‘Receita de mulher’ e pedi tempo a Vinícius, pra entender o que se passava. Era muito intenso. Ele entendeu. O poetinha passou a dividir a prateleira com Bruna Lombardi, e mais tarde, com Mário Quintana e Fernando Pessoa. Sem ressentimentos. De fato, ele nunca foi possessivo. Me deixa livre pra escolher, e eu sempre volto pra ele, mesmo sabendo que terei que dividi-lo com outras. Ainda assim, é impossível pra mim ler apenas um soneto dele. Eu acabo folheando o livro à procura de outros. No entanto, não fui à procura do resto da obra dele. Seria assumir de vez nossa relação e eu fiquei esperando que ele tomasse uma atitude a esse respeito.
No início da semana, soube que Vinícius está na internet. A reportagem com a notícia nem havia terminado, e eu já estava à procura de uma poesia que li há mais de 25 anos e ainda não reencontrei. Essa é uma boa desculpa pra eu passar horas na frente da tela, lendo Vinícius. É a desculpa perfeita, na verdade. Porque nos últimos anos, um tal de Shakespeare anda se metendo entre nós, e já conseguiu espaço na prateleira. Já existem mais marcadores nos sonetos dele do que na antologia de Vinícius. Pela primeira vez, eu vi o poetinha aborrecido. Ele vem me lembrando que, aconteça o que acontecer, ele será o primeiro em minha vida, o mais fiel e, se eu permitir, estará sempre comigo, não importa quantas vezes eu me encante por mais alguém. Acho que foi por isso que ele resolveu se apresentar em 15 diferentes obras de uma vez, e ainda fez o favor de aparecer na crônica da semana. Está jogando pesado, e com razão.
É hora de reconhecer: nunca seremos simplesmente ‘Vinícius e eu’. Serei sempre uma das mulheres do poeta, me sentindo muito realizada por isso, porque qualquer mulher, qualquer uma, se sente linda e desejável ao ler Vinícius. O homem nos ensina a ser bonita, mesmo se na gente não tem o que se olhar. Ele não apenas cozinha, mas faz da preparação da feijoada uma poesia. Sim, ele bebe e é namorador como ninguém, mas ama a todas sem qualquer distinção. Ele aceita que eu tenha outros amores, e me apóia quando um deles acaba. Tudo que ele pede em troca é minha atenção exclusiva quando estamos juntos, porque ele faz o mesmo por mim. É pra esse instante que vivo, porque quando estou com Vinícius somos somente nós e tudo é possível
Vinícius de Moraes
"1 - Amar a mulher amada sobre todas as coisas.
2 - Não tomar o seu santo nome em vão,
e não brincar em serviço.
3 - Guardar todos os domingos para ela
e fazer-lhes milhões de festas.
4 - Ser um pouco pai dela e ela um pouco a mãe da gente.
5 - Só matá-la de amor, ou por amor.
6 - Pecar o mais possível contra a sua castidade.
7 - Nunca furtar para dar-lhe coisas.
Furtar é um crime vil
e a mulher que ama precisa respeitar o seu homem.
8 - Ser absolutamente discreto em tudo
que se relacione à mulher em geral.
9 - Fazer toda a força possível para não desejar
a mulher do próximo.
O preço do amor é uma eterna vigilância.
10 - Não cobiçar as coisas alheias,
pois à mulher que ama, basta-lhe o amor do ser amado".
***
Acho que toda mulher já desejou ter sido merecedora da atenção de Vinícius. Se existiu um homem capaz de fazer da sensualidade um arte, esse foi o poetinha. Nao estou fala.ndo de lubricidade. Falo de dispor de todos os sentidos pra dar toda a atenção possível à mulher em questão naquele instante em que ele estava com a escolhida. Eu não fujo à regra. Foi assim que saiu a crônica dessa semana:
Vinícius e eu
29.04.10
Preciso confessar: Vinícius é o único relacionamento aberto que eu tive e tenho, e continua valendo a pena. Acho que é ele o tal homem da minha vida. A verdade é que temos um longo caso de amor. Nos conhecemos no ‘Livro de Sonetos’, na minha infância. Não sei como os sonetos me caíram nas mãos, mas eu não era tão criança assim e provavelmente não entendi os poemas mais quentes mesmo. Ficaram-me os sonetos de fidelidade, de separação, de intimidade, de contrição e ficamos flertando por anos, eu lendo e relendo o livro, que pertencia à minha mãe, até que uma ‘antologia poética’ me caiu nas mãos por inteiro acaso, na casa de alguém. Eu tive a antologia em mãos por uma noite apenas, porque o dono estava lendo e ia viajar com o livro. Mal dormi, e valeu cada instante porque Vinícius é um homem que mantém uma mulher acordada, mas ocupada e satisfeita. No dia seguinte, tivemos que nos despedir.
Apenas uma noite. Eu me senti roubada. Eu o queria de volta, pra dias e noites, e a eternidade, mas por alguma razão, nos desencontrávamos. Outros surgiram em minha vida, e me distraíram do meu primeiro amor. Eu soube que Vinícius era especial desde que ele me fez rir com ‘Não comerei da alface a verde pétala’. Independente de qualquer coisa, um homem tem que ser capaz de fazer rir uma mulher.
Aqui e ali, ele reaparecia em minha vida, me oferecendo mais: no repertório do coral da faculdade, numa edição comemorativa da ‘Veja’, nas primeiras palavras que meu primeiro namorado disse ao trocarmos nosso primeiro beijo. Os anos se passaram, eu me apaixonei, me decepcionei, me enganei, e o poeta ali, firme, à minha espera. Foi preciso tempo, mas eu entendi que o que tínhamos era muito especial e eu precisava dar o passo seguinte, conhecê-lo melhor e ele a mim, saber o que nos atraía, o que nos era comum e o que não era.
Quando resolvi dar uma chance, Vinícius não estava mais disponível. Eu não morava mais com minha mãe, e morria de saudades do livro de sonetos. Pedir emprestado não servia, eu o queria inteiramente pra mim porque livro de poesia tem que ser sublinhado, de leve, com lápis grafite, pro próximo dono poder apagar e sublinhar as frases dele. Se possível, a gente até data a poesia, pra saber por que gostou tanto daquilo. Livro de poesia emprestado é como suspirar pelo namorado da amiga: ou você rouba de uma vez, ou fica sofrendo por ele, até ter o seu. Nunca roubei o namorado de ninguém, como poderia roubar Vinícius de outra pessoa?
O interessante, é que nunca comprei um livro de Vinícius. Entendi desde o início que tinha que merecê-lo. A oportunidade veio na forma de uma dor de dente. Acabei na sala de cirurgia, extraindo os quatro dentes do siso de uma vez, e foi quando uma amiga veio me visitar, com outra ‘Antologia Poética’ pra ocupar meu tempo de repouso. Até a dedicatória era a de alguém que sabia o valor daquilo pra mim. Vinícius era finalmente meu!
Mal a amiga saiu, nós nos agarramos. Literalmente. Jantamos juntos e quando o dia seguinte amanheceu, ele continuava em meus braços. Essa antologia não tem ‘Quatro elementos’, um dos meus prediletos, mas afinal, não existe amor sem um defeitinho. Quando matamos as saudades de uma vida inteira, coloquei um marcador na página de ‘Receita de mulher’ e pedi tempo a Vinícius, pra entender o que se passava. Era muito intenso. Ele entendeu. O poetinha passou a dividir a prateleira com Bruna Lombardi, e mais tarde, com Mário Quintana e Fernando Pessoa. Sem ressentimentos. De fato, ele nunca foi possessivo. Me deixa livre pra escolher, e eu sempre volto pra ele, mesmo sabendo que terei que dividi-lo com outras. Ainda assim, é impossível pra mim ler apenas um soneto dele. Eu acabo folheando o livro à procura de outros. No entanto, não fui à procura do resto da obra dele. Seria assumir de vez nossa relação e eu fiquei esperando que ele tomasse uma atitude a esse respeito.
No início da semana, soube que Vinícius está na internet. A reportagem com a notícia nem havia terminado, e eu já estava à procura de uma poesia que li há mais de 25 anos e ainda não reencontrei. Essa é uma boa desculpa pra eu passar horas na frente da tela, lendo Vinícius. É a desculpa perfeita, na verdade. Porque nos últimos anos, um tal de Shakespeare anda se metendo entre nós, e já conseguiu espaço na prateleira. Já existem mais marcadores nos sonetos dele do que na antologia de Vinícius. Pela primeira vez, eu vi o poetinha aborrecido. Ele vem me lembrando que, aconteça o que acontecer, ele será o primeiro em minha vida, o mais fiel e, se eu permitir, estará sempre comigo, não importa quantas vezes eu me encante por mais alguém. Acho que foi por isso que ele resolveu se apresentar em 15 diferentes obras de uma vez, e ainda fez o favor de aparecer na crônica da semana. Está jogando pesado, e com razão.
É hora de reconhecer: nunca seremos simplesmente ‘Vinícius e eu’. Serei sempre uma das mulheres do poeta, me sentindo muito realizada por isso, porque qualquer mulher, qualquer uma, se sente linda e desejável ao ler Vinícius. O homem nos ensina a ser bonita, mesmo se na gente não tem o que se olhar. Ele não apenas cozinha, mas faz da preparação da feijoada uma poesia. Sim, ele bebe e é namorador como ninguém, mas ama a todas sem qualquer distinção. Ele aceita que eu tenha outros amores, e me apóia quando um deles acaba. Tudo que ele pede em troca é minha atenção exclusiva quando estamos juntos, porque ele faz o mesmo por mim. É pra esse instante que vivo, porque quando estou com Vinícius somos somente nós e tudo é possível
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sexta-feira, novembro 06, 2009
Saudade de um certo William
"I hate the way you talk to me and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car.
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick.
It even makes me rhyme.
I hate the way you're always right.
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh.
Even worse when you make me cry.
I hate it that you're not around and the fact that you didn't call.
"But mostly I hate the way I don't hate you.
Not even close, not even a little bit, not even at all."
Se você não lembra, em '10 things I hate about you' o professor de Literatura havia passado um trabalho baseado na obra de Shakespeare e Catherine seguiu as instruções ao pé da letra. Neste poema, ela deixa bem claro que a cada vez que cada 'I hate' pode ser facilmente substituído por 'I love'.
Séculos se passam e 'A Megera Domada' d'O Bardo continua tão divertida quanto sempre. Como há muito tempo eu desisti de entender muitas obras complexas, fico com as comédias de Shakespeare. Seja em 'A Gata e O Rato' (a primeira adaptação que vi foi naquela série de TV), seja com Julia e Heath, 'Catherine' e 'Petruchio' continuam atuais. Assim como minha citação predileta dessa peça: 'Não se bane uma afeição do coração com reprimendas'.
Mesmo porque, toda vez que eu assisto '10 things...', me dá saudade de Heath Leadger.
I hate the way you drive my car.
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick.
It even makes me rhyme.
I hate the way you're always right.
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh.
Even worse when you make me cry.
I hate it that you're not around and the fact that you didn't call.
"But mostly I hate the way I don't hate you.
Not even close, not even a little bit, not even at all."
Se você não lembra, em '10 things I hate about you' o professor de Literatura havia passado um trabalho baseado na obra de Shakespeare e Catherine seguiu as instruções ao pé da letra. Neste poema, ela deixa bem claro que a cada vez que cada 'I hate' pode ser facilmente substituído por 'I love'.
Séculos se passam e 'A Megera Domada' d'O Bardo continua tão divertida quanto sempre. Como há muito tempo eu desisti de entender muitas obras complexas, fico com as comédias de Shakespeare. Seja em 'A Gata e O Rato' (a primeira adaptação que vi foi naquela série de TV), seja com Julia e Heath, 'Catherine' e 'Petruchio' continuam atuais. Assim como minha citação predileta dessa peça: 'Não se bane uma afeição do coração com reprimendas'.
Mesmo porque, toda vez que eu assisto '10 things...', me dá saudade de Heath Leadger.
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domingo, outubro 18, 2009
Amar é...

Amar é dizer 'não'. Amar também é dizer ‘não é da minha conta’, como me ensinou Suzi. “Como uma médica diz ‘Não é da minha conta’?”, você se pergunta. Eu respondo. Quando você tem uma saúde praticamente perfeita até entrar numa faculdade de Medicina. Exceto por uma compreensível cólica menstrual, eu era saudável até ser aprovada no vestibular de Medicina. Era mesmo! Então... Vieram rinite, sintomas de depressão, ansiedade, gastrite e meu peso? Eu entrei na faculdade tão magra que era, pelos cálculos do índice de massa corpórea, abaixo do peso ideal. Isso mesmo! O stress do vestibular me deixou tecnicamente desnutrida. Eu, com uma família obesa, que sempre tive tendência pra engordar, entrei na faculdade abaixo do peso normal. Terminei a faculdade 14 quilos mais gorda, mas estava dentro da faixa indicada. A essa altura, eu tinha rinite alérgica, doença do refluxo gastro-esofágico, tinha transtorno bipolar e havia tomado um monte de antidepressivos. Desde então, eu devo ter usado tudo que a indústria farmacêutica lançou pra tratamento de depressão, exceto os tricíclicos. Bem, faltou o eletrochoque, mas foi cogitado. Depois, descobriu-se que eu tenho uma intolerância a lactose. Como assim? Eu tomei leite a vida inteira! O pior é que tenho mesmo. O nariz coça quando eu como alguma coisa com leite, dá pra acreditar?
No ano passado, eu também tive que aprender a dizer ‘chega’. Quando eu estava no ginásio (que agora tem outro nome), eu tinha aulas de teatro. Assisti a uma peça de outra turma, em que uma médica atendia diversos pacientes. Ela curava todos, mas funcionava assim: se o paciente tinha uma tosse, saía de lá sem a tosse e a médica atendia o paciente seguinte tossindo. Se o paciente seguinte tinha uma coceira, a médica ficava se coçando. Era muito engraçado pra nós na platéia, mas relembrando, se parece muito comigo. Por que eu consegui crescer numa família com tendência a obesidade, aprendi a comer corretamente, me exercitava, e só depois de me formar e sair da casa de minha mãe eu comecei a engordar? Uma das muitas respostas está na minha profissão. Claro que resolver minha própria dieta e ter um carro ajudou, mas o estresse interferiu nisso. Os problemas dos outros passaram a ser os meus. A cada vez que alguém não queria assumir a responsabilidade pela própria saúde, era eu quem me preocupava e perdia meu sono. Eu não sabia dizer ‘não é da minha conta’. Isso se chama ‘delegar responsabilidade’ e é uma das maiores qualidades de um líder ou de um gerente. Eu não nasci pra liderar e não sou uma boa gerente. Não nasci pra trabalhar em grupo porque raramente encontro pessoas confiáveis. Quando encontro, é maravilhoso, mas é realmente difícil.
Portanto, quando a gente fica engolindo tudo calado, quando não diz o que fica atravessado na garganta, quando aceita tudo de cabeça baixa, diz ‘sim, senhor’, ‘não, senhor’, como ensinaram na escola ou porque foi a educação que nos deram, afinal ‘obedeça aos mais velhos’ e porque ‘honrar pai e mãe’ faz parte dos 10 mandamentos, algumas conseqüências virão. Comigo, a conseqüência foi engordar e adoecer seriamente. Eu nunca vou poder agradecer o suficiente ao médico do INSS que me afastou. Eu não pedi pra ser afastada, eu queria pedir demissão. Foi a prefeitura que pediu que eu me afastasse para tratamento. Esse médico disse que eu me afastasse antes que eu cometesse um erro que custasse a vida de alguém. Eu me lembro que eu estava tão mal que entrei na consulta com um livro de sonetos de Shakespeare e encontrei algo que era perfeito:
Soneto 101
(Shakespeare)
Oh! Tende dó de mim, atendei meus anseios:
Com a Fortuna ralhai, deusa que me extravia,
Que não me deparou outros melhores meios
Que esses, com que a gente, ai! boas maneiras cria.
Daí vem que o meu nome um ferrete degrada,
E a minha vida, como a mão do tintureiro,
Sob a ação do que faço anda sempre manchada.
Piedoso, me fazei ser o que era primeiro.
Não há poção, paciente enfermo, que eu não beba,
Desde que espere ser minha infecção curada.
Sofrerei o amargo pior que se conceba,
E a penitência pior, como remédio dada.
Tende dó de mim, pois, caro amigo, e sabei
Que outro meio melhor de sarar não terei.
Dessa forma, eu descobri que pra ser médico, a gente precisa também amar a si mesmo. Não é muito diferente de ‘amar ao próximo como a si mesmo’. Recentemente eu terminei um livro. Um dos escritos impublicáveis. Nele, uma mulher diz a alguém: ‘Preciso ser generosa comigo pra ser generosa com os outros, sabe? É isso que significa amar ao próximo como a si mesmo’. Se eu conseguir me lembrar disso na prática da Medicina, terá valido escrever cada uma das 356 páginas e continuar assim: sendo escritora, pra poder ser médica, honrando os juramentos, hoje e sempre.
Juramento de Hipócrates
Declaração de Genebra
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quarta-feira, março 18, 2009
Porque deu saudade de alguns Willians
“To be or not to be, that is the question;
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing, end them. To die, to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to — ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep, perchance to dream. Ay, there’s the rub,
For in that sleep of death what dreams may come,
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause. There’s the respect
That makes calamity of so long life,
For who would bear the whips and scorns of time,
Th’oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of th’unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscovered country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all,
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.”
(Hamlet, Prince of Denmark, de William Shakespeare)
Ou como parodiaram há séculos em alguma propaganda na TV (eu era menina, não me perguntem qual o produto anunciado): 'Ser ou não ser? Eis a questão. O que é mais nobre para o espírito? Comer, dormir, pensar... Sonhar, talvez?'.
(Não existem coincidências mesmo: WP, que fazia Gil Grissom, é conhecido como 'The King' nos bastidores de CSI, tem ascendência dinarmaquesa e virou ator ao seguir com uma companhia de teatro shakespereano pro País Basco há 34 anos. Bem dizia o Bardo: 'Não há nada de novo sob o sol'. )
Aliás, 'No way out' (CSI, S09E17) está tão bom que eu me vi brigando com a tela do PC. 'Como assim já acabou?'. Fishburne está arrasando como o Dr. Ray Langston! Atores originários de teatro são demais! Claro, o papel que deu destaque ao jovem Laurence no teatro foi 'Otelo'. De Shakespeare.
Falando em Williams, eu preciso assistir o JN. Com a morte de Clodovil, eu me lembrei de Bonner imitando o falecido...
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing, end them. To die, to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to — ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep, perchance to dream. Ay, there’s the rub,
For in that sleep of death what dreams may come,
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause. There’s the respect
That makes calamity of so long life,
For who would bear the whips and scorns of time,
Th’oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of th’unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscovered country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all,
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.”
(Hamlet, Prince of Denmark, de William Shakespeare)
Ou como parodiaram há séculos em alguma propaganda na TV (eu era menina, não me perguntem qual o produto anunciado): 'Ser ou não ser? Eis a questão. O que é mais nobre para o espírito? Comer, dormir, pensar... Sonhar, talvez?'.
(Não existem coincidências mesmo: WP, que fazia Gil Grissom, é conhecido como 'The King' nos bastidores de CSI, tem ascendência dinarmaquesa e virou ator ao seguir com uma companhia de teatro shakespereano pro País Basco há 34 anos. Bem dizia o Bardo: 'Não há nada de novo sob o sol'. )
Aliás, 'No way out' (CSI, S09E17) está tão bom que eu me vi brigando com a tela do PC. 'Como assim já acabou?'. Fishburne está arrasando como o Dr. Ray Langston! Atores originários de teatro são demais! Claro, o papel que deu destaque ao jovem Laurence no teatro foi 'Otelo'. De Shakespeare.
Falando em Williams, eu preciso assistir o JN. Com a morte de Clodovil, eu me lembrei de Bonner imitando o falecido...
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quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Ainda lendo Thoreau e curtindo CSI.
"eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido".
(Walden, or life in the woods, 1854, por H. David Thoreau)
Deus abençoe Bruckenheimer por produzir CSI e convencer William Petersen a participar do projeto. Gilbert Grissom e sua turma mantiveram minha sanidade, provando que é possível, sim, fazer as coisas da maneira certa e conseguir bons resultados. Claro, Ecklie provou que ser político é a melhor maneira de obter reconhecimento, ainda que seu trabalho seja medíocre (amei aquilo que Sara disse em 'Nesting Dolls', ainda que rendesse uma suspensão pra ela). Maaaaaas, duvido que Conrad Ecklie faça a falta que Gil Grissom faz. Ele pode até ter festa de despedida com bolo (coisa que Grissom não teve), mas no dia seguinte ninguém lembraria dele.
Grissom me apresentou Thoreau, Shakespeare e ópera, além de outras coisas boas. E me fez expurgar tudo que não fosse vida. Tudo mesmo.
***
Descobri que retornei ao meu estado de andarilha e não apenas pela ausência do carro. Considerando que 'aqueles que se deixam permanecer em casa, quietos, sempre e sempre podem ser os maiores errantes de todos', bem entendido. Em 'Andar a pé', H. David Thoreau discorre sobre a arte de andar. E defende que o 'saunterer (um peregrino que vai à Terra Santa, mas que aqui seria o real andarilho) verdadeiro não é mais errante que o rio sinuoso, cujo propósito contínuo é encontrar o caminho mais adequado para o mar'. Então, quem sabe onde estará meu mar? Qual será minha 'Terra Santa'?
É verdade que 'os andarilhos modernos não perseveram e nunca terminam suas iniciativas', mas como a verdadeira liberdade é responsável, é importante lembrar: 'Caso se encontrem preparados para deixar pai e mãe, irmão e irmã, esposa e filho, e amigos, e a nunca mais vê-los - caso haveis liquidado vossas dívidas, deixado pronto vosso testamento, posto em ordem os negócios e se sois um homem livre, nesse caso estais pronto para uma caminhada'.
Não se auto-intitule andarilho apenas beleza de ser, anônimo leitor. 'Ambulatur nascitur, non fit' ('Nasce-se andarilho, não torna-se um', se meu latim de igreja entendeu bem). Mas eu, que sempre me senti andarilha, apenas peço, como Thoreau: 'Deixai-me viver onde me aprouver', pois isso me faz rica. E 'os requisitos lazer, liberdade e independência, nenhuma fortuna é capaz de comprar'.
(Walden, or life in the woods, 1854, por H. David Thoreau)
Deus abençoe Bruckenheimer por produzir CSI e convencer William Petersen a participar do projeto. Gilbert Grissom e sua turma mantiveram minha sanidade, provando que é possível, sim, fazer as coisas da maneira certa e conseguir bons resultados. Claro, Ecklie provou que ser político é a melhor maneira de obter reconhecimento, ainda que seu trabalho seja medíocre (amei aquilo que Sara disse em 'Nesting Dolls', ainda que rendesse uma suspensão pra ela). Maaaaaas, duvido que Conrad Ecklie faça a falta que Gil Grissom faz. Ele pode até ter festa de despedida com bolo (coisa que Grissom não teve), mas no dia seguinte ninguém lembraria dele.
Grissom me apresentou Thoreau, Shakespeare e ópera, além de outras coisas boas. E me fez expurgar tudo que não fosse vida. Tudo mesmo.
***
Descobri que retornei ao meu estado de andarilha e não apenas pela ausência do carro. Considerando que 'aqueles que se deixam permanecer em casa, quietos, sempre e sempre podem ser os maiores errantes de todos', bem entendido. Em 'Andar a pé', H. David Thoreau discorre sobre a arte de andar. E defende que o 'saunterer (um peregrino que vai à Terra Santa, mas que aqui seria o real andarilho) verdadeiro não é mais errante que o rio sinuoso, cujo propósito contínuo é encontrar o caminho mais adequado para o mar'. Então, quem sabe onde estará meu mar? Qual será minha 'Terra Santa'?
É verdade que 'os andarilhos modernos não perseveram e nunca terminam suas iniciativas', mas como a verdadeira liberdade é responsável, é importante lembrar: 'Caso se encontrem preparados para deixar pai e mãe, irmão e irmã, esposa e filho, e amigos, e a nunca mais vê-los - caso haveis liquidado vossas dívidas, deixado pronto vosso testamento, posto em ordem os negócios e se sois um homem livre, nesse caso estais pronto para uma caminhada'.
Não se auto-intitule andarilho apenas beleza de ser, anônimo leitor. 'Ambulatur nascitur, non fit' ('Nasce-se andarilho, não torna-se um', se meu latim de igreja entendeu bem). Mas eu, que sempre me senti andarilha, apenas peço, como Thoreau: 'Deixai-me viver onde me aprouver', pois isso me faz rica. E 'os requisitos lazer, liberdade e independência, nenhuma fortuna é capaz de comprar'.
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segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Como dizia um sábio (ou dois)
Meio (pra não dizer 'muito') danada da vida em ser um (mal utilizado) instrumento político, eu dei de cara com 'A desobediência Civil', de Henry David Thoreau, na banca de revistas da cidade. Ele escreveu o manifesto por causa da abolição da escravatura nos Estados Unidos e protestando contra o abuso de impostos que o Governo impõe. Se não tivesse lido antes de quando datava o texto, teria pensado que ele escreveu pra o último presidente Bush.
'...quando todo um país é injustamente assaltado e conquistado por um exército estrangeiro e submetido à lei marcial, posso afirmar que não é precipitada a rebelião e a revolução dos homens honestos. Esse dever se torna mais imediato à medida que o país assaltado não é o nosso, e para piorar, o exército invasor é o nosso'.
Ele estava falando da guerra dos EUA contra o México (1846-1848), que deu Texas, Novo México e Califórnia para os Estados Unidos, aumentando o território onde a escravidão negra era considerada legal. Mas a associação com o Iraque é imediata.
Embora o texto fale principalmente sobre Governo, é sobre liberdade e como viver em sociedade. E tem tantos pensamentos geniais, que não dá pra citar todos aqui. O livro é pequeno e o texto fácil. A respeito de citações, anônimo leitor, repito a que encontrei na 'Desobediência':
"Minha origem é nobre demais para que eu seja
propriedade de alguém
Para que eu seja o segundo no comando
ou um útil serviçal ou instrumento
de qualquer Estado soberano deste mundo".
(Shakespeare, King John, parte V)
Como é habitual, ultimamente, eu fui apresentada a Thoreau por CSI(o episódio é 'Happenstance').
'...quando todo um país é injustamente assaltado e conquistado por um exército estrangeiro e submetido à lei marcial, posso afirmar que não é precipitada a rebelião e a revolução dos homens honestos. Esse dever se torna mais imediato à medida que o país assaltado não é o nosso, e para piorar, o exército invasor é o nosso'.
Ele estava falando da guerra dos EUA contra o México (1846-1848), que deu Texas, Novo México e Califórnia para os Estados Unidos, aumentando o território onde a escravidão negra era considerada legal. Mas a associação com o Iraque é imediata.
Embora o texto fale principalmente sobre Governo, é sobre liberdade e como viver em sociedade. E tem tantos pensamentos geniais, que não dá pra citar todos aqui. O livro é pequeno e o texto fácil. A respeito de citações, anônimo leitor, repito a que encontrei na 'Desobediência':
"Minha origem é nobre demais para que eu seja
propriedade de alguém
Para que eu seja o segundo no comando
ou um útil serviçal ou instrumento
de qualquer Estado soberano deste mundo".
(Shakespeare, King John, parte V)
Como é habitual, ultimamente, eu fui apresentada a Thoreau por CSI(o episódio é 'Happenstance').
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sábado, janeiro 17, 2009
'Se você pode ler isto, agradeça a um professor de inglês'
Vicky tem esse adesivo no vidro do carro, em inglês, evidentemente.
Eu aprendi francês como segunda língua (ainda que a falta de prática tenha enferrujado a pronúncia) porque detestava inglês. Meu primeiro professor de inglês era antipático e eu transferi a antipatia pra matéria. Todos os professores seguintes eram legais, mas não adiantou. Conheci espanhol na faculdade de Veterinária. Na faculdade de Medicina, eu conheci uma enfermeira britânica e descobri que inglês tem um som legal e é fácil de pronunciar. Inglês britânico, bem entendido.
Então, eu terminei a faculdade e tive dinheiro pra fazer um curso sério, pra ler literatura médica. Aí, Vicky me mostrou um modo mais interessante de aprender inglês. Quando você tem uma história inédita com os personagens da sua série predileta, qualquer língua se torna um desafio válido. Arquivo X, com os episódios legendados e fanfictions me tornou uma estudante dedicada. Meu ouvido acostumou-se de vez com o idioma.
A primeira fanfiction que Vicky me indicou tem mais de 50 páginas. Cinquenta! Eu não traduzia nem letra de música. E nem todos os termos estão no dicionário (Mulder xinga Scully mentalmente de coisas impublicáveis). Eu ficava telefonando: 'Vicky, o que é ****?', 'E ****?', e ela pacientemente traduzia. Até eu saber exatamente o que os agentes do FBI estavam fazendo fora do porão do Edifício J. Edgar Hoover.
Arquivo X acabou, eu fiquei sem acesso à internet, me desliguei um pouco do inglês, mas continuei assistindo filmes legendados. Então... meu ex me apresentou CSI e novamente Vicky, me deu acesso às temporadas da série. E eu comecei a corrigir as legendas. Eu, corrigindo legendas! E traduzindo fanfictions, fazendo parte de grupo de tradução de legendas, me correspondendo com as autoras das fics, um dos autores da série! Com dicionário, bem entendido.
(Interessante é que eu não procuro outras publicações em inglês, acho que falta interesse. Quer dizer, os sonetos de Shakespeare eu leio. E é inglês do século 18)
Quinta-feira, foi o último episódio com meu personagem predileto. As legendas em português só estão disponíveis no sábado. Pela primeira vez, eu assisti um episódio inédito com legendas em inglês. E entendi praticamente tudo! Não parei um vez pra abrir o dicionário. Nem umazinha.
Se eu pude saber o final da saga de Grissom mais cedo, agradeço aos meus professores de inglês. Eles sabem quem são.
Eu aprendi francês como segunda língua (ainda que a falta de prática tenha enferrujado a pronúncia) porque detestava inglês. Meu primeiro professor de inglês era antipático e eu transferi a antipatia pra matéria. Todos os professores seguintes eram legais, mas não adiantou. Conheci espanhol na faculdade de Veterinária. Na faculdade de Medicina, eu conheci uma enfermeira britânica e descobri que inglês tem um som legal e é fácil de pronunciar. Inglês britânico, bem entendido.
Então, eu terminei a faculdade e tive dinheiro pra fazer um curso sério, pra ler literatura médica. Aí, Vicky me mostrou um modo mais interessante de aprender inglês. Quando você tem uma história inédita com os personagens da sua série predileta, qualquer língua se torna um desafio válido. Arquivo X, com os episódios legendados e fanfictions me tornou uma estudante dedicada. Meu ouvido acostumou-se de vez com o idioma.
A primeira fanfiction que Vicky me indicou tem mais de 50 páginas. Cinquenta! Eu não traduzia nem letra de música. E nem todos os termos estão no dicionário (Mulder xinga Scully mentalmente de coisas impublicáveis). Eu ficava telefonando: 'Vicky, o que é ****?', 'E ****?', e ela pacientemente traduzia. Até eu saber exatamente o que os agentes do FBI estavam fazendo fora do porão do Edifício J. Edgar Hoover.
Arquivo X acabou, eu fiquei sem acesso à internet, me desliguei um pouco do inglês, mas continuei assistindo filmes legendados. Então... meu ex me apresentou CSI e novamente Vicky, me deu acesso às temporadas da série. E eu comecei a corrigir as legendas. Eu, corrigindo legendas! E traduzindo fanfictions, fazendo parte de grupo de tradução de legendas, me correspondendo com as autoras das fics, um dos autores da série! Com dicionário, bem entendido.
(Interessante é que eu não procuro outras publicações em inglês, acho que falta interesse. Quer dizer, os sonetos de Shakespeare eu leio. E é inglês do século 18)
Quinta-feira, foi o último episódio com meu personagem predileto. As legendas em português só estão disponíveis no sábado. Pela primeira vez, eu assisti um episódio inédito com legendas em inglês. E entendi praticamente tudo! Não parei um vez pra abrir o dicionário. Nem umazinha.
Se eu pude saber o final da saga de Grissom mais cedo, agradeço aos meus professores de inglês. Eles sabem quem são.
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quinta-feira, janeiro 01, 2009
Presentes de Ano-Novo
Procurando uma coisa, você acha outra. À cata de uma tradução decente deste soneto:
SONNET 18
(William Shakespeare)
Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.
(Melhor no original. Mutilar o poema provavelmente mais famoso da Língua Inglesa pode ser mau-agouro de Ano Novo)
'Psiquê e Eros', de William Bouguereau.
SONNET 18
(William Shakespeare)
Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.
(Melhor no original. Mutilar o poema provavelmente mais famoso da Língua Inglesa pode ser mau-agouro de Ano Novo)
... descobri Prince Cristal, em sua própria descrição:
Este blog é uma mistura de arte, poesia, espiritualidade, amor, música, filmes, vídeos, viagens, literatura Portuguesa e sensualidade.
E mais um William pra minha coleção:
'Psiquê e Eros', de William Bouguereau.
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domingo, outubro 05, 2008
Só porque...
... Grissom's Girl indicou 'Casa Caliente' (Fic GSR NC-17) e até agora, eis o que encontrei de mais belo:
Soneto - X V I I
Pablo Neruda
NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Não sei, acho que vou fazer outro almoço, esse só pros poetas falecidos. Neruda, Drummond, Vinícius, Blake, Shakespeare, e. e. cummings... Apareça, anônimo leitor!
Soneto - X V I I
Pablo Neruda
NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Não sei, acho que vou fazer outro almoço, esse só pros poetas falecidos. Neruda, Drummond, Vinícius, Blake, Shakespeare, e. e. cummings... Apareça, anônimo leitor!
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quarta-feira, outubro 01, 2008
Mais um 'William' pra coleção
Injustiça tremenda! Eu esqueci que colocar Blake na lista dos 'Meus Williams'.
Conheci Blake por causa de 'Arquivo X' (eu tenho mesmo essas referências incomuns, não estranhe) e Vicky, capaz de declamar 'The Tiger' de cor, no original (!). Só pra apresentar aos desavisados, foi um poeta e pintor inglês brilhante. Ilustrou, inclusive, "A Divina Comédia", de Dante e é considerado o primeiro grande poeta romântico da língua inglesa (não me peça pra explicar, pois Shakespeare é anterior a ele). Dele, eu extraí duas filosofias de vida:
"Nunca saberás o que é suficiente enquanto não souberes o que é mais que suficiente."
"Veja o mundo num grão de areia,
veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão,
e a eternidade em uma hora de vida!"
E pra quem não conhece: O Tigre
(daí o episódio de AX se chamar 'Terrível Simetria')
Conheci Blake por causa de 'Arquivo X' (eu tenho mesmo essas referências incomuns, não estranhe) e Vicky, capaz de declamar 'The Tiger' de cor, no original (!). Só pra apresentar aos desavisados, foi um poeta e pintor inglês brilhante. Ilustrou, inclusive, "A Divina Comédia", de Dante e é considerado o primeiro grande poeta romântico da língua inglesa (não me peça pra explicar, pois Shakespeare é anterior a ele). Dele, eu extraí duas filosofias de vida:
"Nunca saberás o que é suficiente enquanto não souberes o que é mais que suficiente."
"Veja o mundo num grão de areia,
veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão,
e a eternidade em uma hora de vida!"
E pra quem não conhece: O Tigre
(daí o episódio de AX se chamar 'Terrível Simetria')
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sábado, setembro 06, 2008
Ruminando
Interessantes as estranhas companhias que escolhemos para partilharem a estrada conosco. Dos últimos dez anos, certas variáveis permaneceram. Harry Potter está aqui ao meu lado, nesse exato instante, embaixo dos 'Sonetos' de Shakespeare, ao lado das oito temporadas de CSI, próximo a uma agenda do Batman.
É o que sobra. Tudo passa em minha vida. Meus personagens permanecem. Sempre.
Certo. Ninguém entendeu nada. E daí? Ninguém mesmo lê isso aqui. Quem lê, entende.
É o que sobra. Tudo passa em minha vida. Meus personagens permanecem. Sempre.
Certo. Ninguém entendeu nada. E daí? Ninguém mesmo lê isso aqui. Quem lê, entende.
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quarta-feira, julho 16, 2008
Então..
Eu comecei a escrever novamente. Compulsivamente, desenfreadamente. E encontrei uma piedosa alma para revisar o texto. Pobre Andréia! Tem sido praticamente um capítulo por dia, com direito a uma tradução muito pessoal de cada soneto de Shakespeare associado ao GSR. Eu, traduzindo Shakespeare! O que CSI não fez comigo...
Entrei no blog da Andréia pra copiar o endereço e me deparo com essa notícia-bomba :William Petersen sai de CSI. Peraí que eu vou ali me descabelar e já volto. É agora que eu finalmente mando um e-mail pro David Rambo!
Entrei no blog da Andréia pra copiar o endereço e me deparo com essa notícia-bomba :William Petersen sai de CSI. Peraí que eu vou ali me descabelar e já volto. É agora que eu finalmente mando um e-mail pro David Rambo!
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