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sábado, outubro 22, 2011

Novo Layout


Conhecidos e anônimos leitores,

Obrigada pelos cumprimentos ao novo layout do blog. Gastei horas num plano de fundo azul-escuro, com bolhas, e outras variações; embora eu soubesse exatamente o que queria: essa textura de açúcar refinado, pra combinar com a figura do título.

Mi hermano passou por aqui e disse que o blog está com mais cara 'de escritora', o que me fez rir, porque eu resolvi sair cortando gagdets sem piedade. É um dos conselhos mais repetidos aos novos escritores: 'corte, corte, corte', mas o 'corte' é a respeito do texto. Uma vez que a listinha à direita é um texto que me descreve, tentei cortar o máximo. O que não pude cortar, editei ou repaginei.

Sobre os marcadores: pra confessar, eu soube da existência da 'nuvem de tags' por causa do blog 'A seu tempo' há meses, e a) eu não sabia colocar, e b) sempre me esquecia de perguntar a alguém que soubesse. Mas, mesmo quando vocês não tinham acesso à lista completa de marcadores do blog , eu vinha reduzindo o número dos mesmos, porque demais atrapalha mais que ajuda. Infelizmente, o Blogger ainda não inventou (ou eu não descobri) um recurso do tipo: 'delete o marcador X em todos os posts onde ele aparece' ou 'englobe o marcador X no marcador Y'. Isso tem que ser feito manualmente, post por post. Haja paciência. Ou insônia.

Acabo de me lembrar que nunca coloquei Vettriano na lista dos 'Meus Jacks'. Dá licença, que vou ali corrigir a injustiça.

terça-feira, dezembro 28, 2010

In Memorian

But what am I?
An infant crying in the night:
An infant crying for the light:
And with no language but a cry.


from "In Memoriam" - Alfred, Lord Tennyson


Estou me sentindo 'La Femme au chapeau noir' (by Jack Vettriano). Aparentemente controlada por fora, arrasada por dentro.

Quer entender com o que parecia com minha escola? 'O Sorriso de Monalisa', politicamente correto ou não. Quem batalhou pela evolução, por nossa entrada no mercado de trabalho, foi nossa diretora. Tipo a Julia Roberts no filme em questão.

(Quão descontrolada uma pessoa deve estar para que acreditem que há algo de muito, muito errado? Perdi essa aula)

domingo, julho 18, 2010

Só, eu?

A solidão amiga - Rubem Alves

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala.

Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma.

Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem.

Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“


Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca.

Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento!

Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos.

Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.


***
'Ficar sozinho é pra quem tem coragem', diz a letra de 'Violão e Voz', e eu concordo. Encontrei o texto acima por causa de uma citação num email. Eram tantas as passagens dignas de citação, que acabei postando o texto inteiro e grifando o que queria ressaltar. Essencialmente, ele defende que 'é melhor estar só que mal acompanhado', se você sabe ser uma boa companhia pra si mesmo. Nada pior que procurar companhia pra não ficar só. É nisso que vemos casais solitários em si mesmos. Não há nada mais solitário que se sentir só quando se está acompanhado.


('A very married couple', by Jack Vettriano)

É preciso entender que não tenho nada contra a companhia dos outros, mas com a qualidade da companhia. As pessoas me acham muito solitária e eu desisti de explicar que não costumo me sentir só. Isso é muito, muito raro. Mesmo porque, se isso acontece, sempre aparece algum personagem pra me fazer companhia, o que geralmente rende uma boa cena. Pelo visto, é o mesmo pro Rubem Alves.

Nem mesmo no fato de imaginar companhia eu estou só. Dickens, Sidney Sheldon, Rubem Alves, e por aí vai. Se eu sou doida de pedra, pelo menos não estou só nessa.

***
Dica: sobre o prazer de caminhar, eu indico 'Andar a pé', de Henry David Thoreau.

domingo, junho 06, 2010

Enquanto isso...

Com essa história de mudança, ou por causa da carga de trabalho no emprego, ou porque alguma coisa saiu dos eixos, eu não ando tão produtiva quanto gostaria. Escrever tem sido complicado. Antes, eu tinha pilhas de textos pra registrar e o tempo não dava, agora, eu não tenho o que escrever, exceto sobre a mudança. Eu acho chato escrever sobre um único assunto, me parece repetitivo, isso sim. Ficar descrevendo nos mínimos detalhes, cada gesto, é tarefa pra um escritor do nível de Dostoiévski, Kafka, não euzinha. Ainda assim, saiu isso hoje, em vinte minutos:

Mudança

Se alguém perguntasse a ela como havia passado aqueles dias, ela não saberia responder. Sabia apenas que seu corpo e mente vagavam de um lado pro outro, se esforçando por fazer alguma coisa, qualquer coisa. Provavelmente, ela se apegava à rotina já conhecida, ao que já dera certo das outras vezes. Se manter ocupada ajudava, era o que havia aprendido em tempos passados. Então, ela se mantinha ocupada.

Não executava as tarefas com método, como lhe era habitual. Começava e parava, iniciava outra coisa, seguia pra uma terceira, voltava pra primeira, mas de algum modo, o trabalho prosseguia. Pra onde quer que se olhasse, havia ordem e caos. Caixas de objetos perfeitamente embalados e etiquetados, uma porção de coisas soltas pelos cantos, sem ordem aparente. Inúmeros objetos fundamentais já embrulhados e os supérfluos ainda nas prateleiras, a maioria já limpa da poeira, à espera da boa vontade dela pra embalá-los.

Uma pilha assustadora de roupa pra passar. Ainda mais assustadora se considerando que ela havia passado roupa por quase toda a vida, bem e rapidamente. Mais impressionante era a quantidade de lixo que se acumulava pra ser colocado fora, e era apenas o lixo dos dois últimos dias. Desde que ela havia iniciado aquilo, tinha a impressão que metade do que havia dentro dos moveis havia ido pro lixo, e ainda havia duas caixas enormes de objetos pra doação.

Ela adiava a confrontação com a papelada e os livros. Era o teste final do balanço que estava fazendo de sua própria existência. Sabia que, ao começar, ia se deparar com o que já sabia: não havia nada ali que dissesse o que ela havia feito por toda a vida. Ela acumulava informações que quase nunca consultava sobre uma profissão que ainda não sabia como ou por que havia escolhido. Lia e relia histórias sobre mundos imaginários, histórias baseadas em locais ou pessoas reais, novelizações de filmes e séries de TV, romances médicos, aventuras em terras longínquas e contos sobre mulheres perdidas e insatisfeitas com a própria existência ou com suas ações. Não lia biografias. Tinha alguns livros sobre jornalismo, mas não queria os fatos reais da vida. Preferia a reinterpretação dos fatos, a idealização das situações, a sátira do real, a vida imaginária.

Tudo lhe parecia melhor que a vida real. Talvez por isso, ela estivesse se desfazendo de tanta coisa, mas continuasse se apegando às revistas em quadrinhos, aos romances, aos filmes, às séries de TV, às imagens das flores, das telas e das fotografias que mantinha em seu HD. Aliás, seria mais difícil de excluir algo de seu HD do que de sua casa. Porque o virtual havia se tornado, enfim, mais real do que a própria vida ‘real’.





'After the thrill is gone', by Jack Vettriano.

segunda-feira, maio 31, 2010

Dia Mundial sem Tabaco

Eu sei que você sabe, que todo mundo sabe que fumar faz mal à saúde, mas por alguma obscura razão, ainda existem fumantes no mundo. Os fabricantes alegam que existe procura, os consumidores declaram que se tabaco fosse tão ruim assim, seria proibido igual maconha. Eu entendo antigos tabagistas, do tempo em que os fabricantes juravam que cigarro não faz mal a saúde. Esses foram seduzidos por propaganda, filmes onde atores e atrizes ostentavam charme e cigarros, etc. O que não dá pra engolir é gente da minha geração ou ainda mais jovem começando a fumar. Nem vou falar do quanto vi de gente morta por causa de tabaco.



'The Cigar divan', by Jack Vetrianno.

By the way, ocasionalmente, Vetrianno coloca um dos modelos fumando, mas como as telas dele parecem da década de 40, faz parte do contexto.

quarta-feira, maio 26, 2010

Planejando uma mudança

O início de minhas noites, durante a semana, é quase sempre o mesmo. Eu entro em casa, cumprimento a turma invisível pro resto do mundo, e acesso a internet, na esperança de ainda encontrar minha correspondente habitual online. Como a maioria das mulheres, quando falamos, fazemos um balanço do dia e começamos a ter idéias. Não sei quanto a ela, mas enquanto teclamos, já encontrei soluções impossíveis pra histórias que eu escrevia no momento, conflitos no trabalho e agora é a vez ter idéias pra casa nova.

Pensar na mudança me distrai de uma fase bem pesada no trabalho, onde uma pessoa está partindo aos pouquinhos, consciente, e com o bom humor praticamente intacto. É bom ter algo pra desviar minha atenção. Hoje, são as seasons finales de Bones (segundo a correspondente, ‘de partir o coração’) e CSI (com um serial Killer com habilidades médicas e cirúrgicas, apelidado de Dr Jeckyll).

Enquanto isso, estou me preparando pra hercúlea tarefa de embalar tudo. O problema são aqueles objetos e papéis que você nunca usa, mas sabe que se jogar fora, vai precisar deles. É um desperdício de espaço, isso sim! Percebi isso nesse fim de semana, estudando pros pacientes graves. Estou fortemente inclinada a jogar fora toda a papelada da faculdade e revistas médicas que guardo há dez anos e nunca uso. Percebo que, ao longo dos anos, consultei mais as poucas 'Casa Cláudia' que possuo que as revistas médicas. Pra tudo, eu corro pra internet, pros sites dos laboratórios. É assim que eu nunca leio os livros-texto, onde está a verdadeira ciência. Tem mais informação de manejo de dor grave no meu livro de Clínica Médica do que no último curso que fiz por correspondência! No curso, havia muita ciência, claro, mas pra aliviar a dor do povo, está tudo no livro que tenho há uns 9 anos. Por outro lado, as únicas roupas que eu não uso e continuo guardando, são os vestidos da festa de formatura, mas estou cabendo em quase todos eles!

Eu nunca gostei de juntar coisa. Se meu irmão não encontrar um interessado pelas revistas do Batman, eu vou doar pra biblioteca. Na verdade, eu queria passar pra alguém que desse valor à coleção. Meu irmão pediu uma lista atualizada pra fazer isso, mas cadê tempo? Se desfazer de bens pode parecer desperdício, mas pode ser um ganho de tempo e de dinheiro. Ainda assim, estou controlando cada centavo. A correspondente ainda fez a maldade de me mostrar que a Submarino está vendendo 6 temporadas de CSI por 600 reais, mas ainda não é dessa vez que eu retribuo o bem que aquelas pessoas me fizeram.

Eu ia na casa tirar umas fotos e postar aqui, mas o carregador de pilha cismou de novo comigo. Amanhã, compro umas pilhas alcalinas, seja o que for. Talvez consiga um cabo pra substituir o do carregador. Quero fotografar e medir a casa, planejar a decoração, mas vou contratar logo um pintor. Ele pode começar a pintar a casa onde estou morando por fora, enquanto ainda estou aqui, e terminar quando eu sair.

Aliás, ainda não disse à dona dessa casa aqui que estou saindo. Depois da maneira como fui tratada, sendo repreendida pelo que não fiz, como se não tivesse direito de sair do imóvel desde que pagasse a multa e deixasse tudo como encontrei, entendi que posso esperar mais uns dias pra ter esse aborrecimento extra. Ontem tive uma enxaqueca. Fazia tanto tempo que não tinha, que não reconheci logo o que estava sentindo. Achei que era a história da casa, mas concluí que é preocupação com minha paciente que está partindo. A palavra ‘casa’ agora tornou-se sinônimo de muito trabalho e diversão. Como será que vai minha casa nova?



'Bye, Bye, Baby II', by Jack Vettriano.

domingo, maio 23, 2010

Então...

...que a dona da casa veio olhar a situação. Trouxe o filho junto. Os dois reconhecem que terão de refazer o balcão da cozinha, tirar a cerâmica da cozinha e da sala, mas o homem insistiu que eu teria que pagar uma multa por quebra de contrato. Ambos, mãe e filho, insistem que a casa foi construída com colunas, alicerces, e uma coisa que chamam de 'radiê'. Dizem que a casa não vai cair, nem o chão vai me tragar. Reconhecem que é desagradável ficar andando com o piso ecoando cada passo da gente, mas o homem insiste no pagamento de uma multa contratual.

Pra ser bem sincera, eu ia sair da casa no final do ano, porque ela é muito grande e me dá muito trabalho pra manter limpa, apesar de gostar muito do lugar. Mesmo tendo treinamento, preciso reconhecer que uma coisa é planejar, outra é cuidar de uma casa sozinha. Agora, some o aluguel dela, mais a fiança pra outra, mais os custos da mudança, mais os custos de pintar essa daqui por dentro e por fora. Dá pra acrescentar mais um aluguel de multa? Acabo de descobrir que dá. Só o que eu economizaria de transporte se morasse mais perto do centro, é quase o valor do aluguel. Sem falar que os aluguéis daqui estão aumentando absurdamente. Não sei o que tem essa cidade pra ter imóveis tão caros!

Ah, como eu queria que aquela casinha de ontem comportasse os móveis da minha cozinha! Amanhã vou lá medir de novo. Minha vida é medir móveis e ambientes. Quem sabe? Cruza os dedos daí também porque se der certo, é 'tchau, tchau'.



'Baby, bye, bye', by Jack Vettriano

sábado, maio 22, 2010

Tudo que é bom acaba

22.05.10

Então a Oficina de Crônicas acabou. Foi, sem favor algum, o que me segurou nas semanas mais pesadas dos últimos meses. Mas, acabou. Tudo que é bom acaba. A frase lembra um refrão do Roberto: ‘será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?’. Tudo que é bom tem que ter limite, tudo que é gostoso tem que ser controlado, tudo tem que ter um fim. O que importa é o que fica, a lembrança dessa coisa boa, o tempo enquanto durou. Foi assim com a Oficina.

Nos últimos dois meses e meio, a quantidade de trabalho praticamente dobrou em meu serviço, sem nenhuma razão aparente. Ainda assim, eu ia e voltava pensando na crônica da semana, por escrever, e nas crônicas das outras, da semana anterior. Pensando nos comentários das professoras para cada uma das autoras. Antes da Oficina de Crônicas, eu pensava em minhas histórias. Engraçado, desde que isso começou, meus personagens se queixam e exigem de volta o espaço que ocupavam. Agora que não tem mais Oficina, eles não reapareceram pra continuar as histórias. No mínimo, estão aborrecidos comigo, como crianças birrentas. Olha ali, não falei? Acaba de aparecer um, com uma tromba maior que a do elefante, dizendo que não é tão criança assim. Detalhe: ele tem seis anos. Tá bom, quase sete. Satisfeito? Me deixa voltar a escrever, querido. Só mais quinze minutos e eu sou toda sua.

Quem lê isso deve pensar que sou louca. Não sou. Tenho atestado médico e tudo, provando que não sou louca. Só tenho uns parafusos soltos, mas a maioria das pessoas têm, então tudo bem. Enquanto eu souber o que é realidade e o que é fantasia, tudo fica legal. Eu só bato papo com meu inconsciente enquanto estou acordada. A maioria das pessoas faz isso dormindo, através de sonhos. Eu raramente sonho. Pra quê? Sonhos são um modo do inconsciente entrar em contato com nossa consciência. Eu já faço isso durante o dia, a noite me pertence pra dormir. Quer dizer, metade da noite é pra dormir, a outra metade é pra escrever. O interessante é que eu nunca, nunca sonho com meus personagens. Eles ocupam boa parte de minha vida e minha casa, a ponto de eu ter que pensar neles quando vou me mudar.

Mais essa agora. Essa semana, olho pra pia da cozinha e percebo que ela está afastada da parede. O chão também. Conclusão: o chão está afundando e eu tenho que me mudar da casa que adoro. Toca a procurar casa numa cidade onde ninguém coloca placa de ‘aluga-se’. Você tem que conhecer alguém que quer alugar uma casa, ser indicado. Passei a manhã de hoje com a dona de várias casas, que teve a maior boa vontade possível pra me encontrar um lugar, não muito caro, e dentro das minhas exigências. Tem que ser grande porque eu tenho muitos livros e filmes, não pode ser casa conjugada, não quero apartamento, tem que ser num ponto sossegado. Ela conseguiu. Uma gracinha de casa, quase pronta. Estão terminando de colocar a cerâmica e só falta pintar. Exatamente o tempo de embalar tudo e arrumar essa daqui pra devolver.

O problema é espaço. Eu medi, medi, calculei, e concluí que na minúscula cozinha não caberá nem um dos armários, só o fogão e a geladeira. Quem cozinha assim? Sem falar no pessoal todo daqui, que não ocupa espaço físico, mas precisa ficar batendo papo comigo, enquanto lavo louça, faço faxina, e coloco a roupa lavada pra secar. Vão ficar onde? Em cima da geladeira? Tive que dizer ‘não’, com muita pena. Como também é com pena que estou saindo do lugar onde moro, mas tem que ser. Tudo que é bom acaba, e meu tempo nessa casa acabou, como acabou a Oficina, como acabou essa crônica também.


Exit Eden, by Jack Vettriano.

domingo, março 28, 2010

Trilha da última semana

Up Where We Belong

Joe Cocker

Who knows what tomorrow brings
In a world, few hearts survive
All I know is the way I feel
When it's real, I keep it alive

The road is long,
there are mountains in our way
But we climb a step every day

CHORUS:
Love lift us up where we belong
Where the eagles cry on a mountain high
Love lift us up where we belong
Far from the world we know,
up where the clear winds blow


Some hang on to "used to be"
Live their lives, looking behind
All we have is here and now
All our life, out there to find


The road is long,
there are mountains in our way,
But we climb them a step every day

CHORUS

Time goes by
No time to cry
Life's you and I
Alive, today





'Back where you belong', by Jack Vettriano

sexta-feira, março 05, 2010

Questão fundamental

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? E por que as cores dos batons e esmaltes que a gente usa param de ser fabricadas?



'Only the deepest red II', by Jack Vettriano.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

'Terça-Feira Gorda'

Anônimo leitor, se você sabe a razão de chamarem a terça-feira de Carnaval assim, por favor me informe. De minha parte, eu estou satisfeita que o feriadão esteja acabando, uma vez que é impossível resolver algo fora de casa nos dias de folia. Aqui no interior, porque muita coisa está fechada. Em Recife porque, bem, é a capital do frevo.
De fato, no Brasil, o ano só começa pra valer depois do Carnaval. Isso significa que, se o Carnaval é em março, são três meses perdidos no ano. Pra se ter uma idéia, a Globo só divulga a programação em abril. Novos programas, novas séries e minisséries, repaginação dos antigos programas, tudo é em abril.
Então, vamos às resoluções pós-Carnaval:
- Voltar a nadar: finalmente tem piscina aquecida numa das academias da cidade. Como aqui faz frio de verdade no inverno, natação o ano inteiro, só em piscina aquecida.
- Fazer uma 'Oficina de Criação Literária': como meu projeto de pós-graduação em Dermatologia não deu certo (a entidade não é reconhecida pela Associação Pernambuca de Dermatologia), eu resolvi investir na minha outra área de atuação. Medicina já me deu (e dará) alegrias, mas o sentimento de realização que tenho ao escrever é único.
- Continuar a tradução de 'Remember the Lake Tahoe' (fanfic CSI): é sempre bom ter um 'work in progress'. Como eu sou lenta, mas fiel, sei que um dia terminarei aquilo. Basta ser paciente e não me apressar.
- Ir ao Recife com mais frequência: eu nunca fui de muita farra, mas não sou eremita. Estou com saudade da minha livraria predileta, do mar e dos cinemas. Sem falar que preciso aumentar meu círculo de amizades.

E porque deu saudade deste Jack:

'The sparrow and the Hawk', de Jack Vettriano.

domingo, setembro 27, 2009

Fazendo aquele balanço

Eu tinha cinco metas na vida: casa, cachorro, computador, carro e carreira. Aos 30 anos deveria tê-las alcançado. Com quase 34, continuo vivendo de aluguel, mas consegui sair da casa da minha mãe e isso é o que importa. Desisti de ter um carro (você só acumula dívidas, polui o planeta e engorda). Não tenho mais cachorro. Carreira? Desde que fui afastada pelo INSS, entendi que as pessoas sobrevivem sem mim e voltei, sim, a exercer a nobre arte da Medicina. Das oito às duas da tarde. Sobrou o computador, que agora é ‘notebook’. Pra sair da listinha de metas com ‘C’ (note que Companheiro, Casamento ou Criança nunca fizeram parte da lista), vamos mudar de letra. Eu não tenho mais metas, eu tenho tudo que quero: tenho um Abrigo, sou Autora, tenho Amigos e Acesso à rede. Como considero meus personagens reais, posso dizer que tenho um Amante. O que importa se o abrigo é alugado, se eu não sou publicada, se meus amigos estão geograficamente distantes, se o acesso à rede às vezes cai e se o amante é virtual?

Aos quase 34, eu estou dentro do peso ideal indicado pra minha altura (um dos motivos pra não ter um carro na lista de metas), tenho certeza mais que absoluta que não nasci nem pra ser casada, nem pra dividir um teto com ninguém por muito tempo. Continuo amante da música e cantando ‘na noite’ porque ainda não tenho vizinho do lado do escritório. Lembro de colocar água nas plantas, sei cuidar da minha casa e tirar manchas de quase tudo em roupas, nada me convence do valor de arear uma panela (limpar sim, arear não) e declaro profissionalmente que lavar roupa é a melhor terapia já inventada (ainda que “Amélia”, minha máquina de lavar roupa, trabalhe sempre que possível).

Aos quase 34, eu fiz dois cursos de línguas, por causa de CSI e ‘Arquivo X’ destravei meu inglês e ressuscitei meu espanhol, não estou esquecendo meu amado francês por causa de CSI e da própria Medicina e descobri que onde moro dão curso da LIBRAS (linguagem brasileira dos sinais para deficientes auditivos), mas nunca vou lá pra saber dos detalhes. De alguma maneira, minhas cólicas menstruais praticamente desapareceram, a tal depressão está supercompensada, a labirintite e a enxaqueca ameaçam e não me pegam, e minha acne está sob controle (mas isso é mérito meu, mérito profissional, afinal, eu adoro dermatologia).

Aos quase 34 anos, eu me sinto belíssima, desisti de me comparar com quem quer que seja, ainda leio os livros que gostaria de ter escrito, mas sobra pouco tempo pra eles. Hoje, eu leio e releio os livros que eu escrevo. Não faço questão de encontrar antigos conhecidos e nem me lembro quem era a melhor aluna de minha turma. Acho que desisti de sonhar e comecei a viver.




'Her Secret Life', by Jack Vettriano.

sábado, setembro 19, 2009

Precisa dizer mais?

Dess,

Cheguei bem, o show do Coldplay foi indescritivel de tao lindo, chove em Londres agora, e estou feliz.

Amor sempre,

Vicky



'Moving On', de Jack Vettriano

domingo, setembro 13, 2009

A arte de ter tempo

As pessoas vivem sem tempo. Eu costumava dizer que o dia deveria ter trinta horas, como o Unibanco (eles dizem que estão 24 horas com o cliente, além das seis horas em que a agência fica aberta). Hoje em dia eu sei que o dia tem horas suficientes, assim como muita gente ganha o bastante pra viver. Não todo mundo, mas muita gente não sabe é administrar o tempo ou o dinheiro que tem. Eu tenho essa amiga. Ela é tão ocupada que quando eu vou a Recife pra consulta médica, marco um almoço com ela entre os dois turnos de trabalho dela. Como a consulta é marcada com dois meses ou mais de antecedência, o almoço é igualmente marcado na minha agenda com a mesma antecedência.

Sabe quantas vezes Vicky faltou comigo? Nenhuma. Houve uma época em minha vida em que eu, com posto de saúde, plantão, família, companheiro, cachorro e casa pra cuidar era menos ocupada que Vicky, com um monte de turmas de alunos, aulas particulares, curso de pós-graduação e vida pessoal. Acho até que ela ganhava mais que eu, ela professora de inglês, eu médica. Nunca perguntei. As horas que passamos juntas são muito valiosas pra gente perder tempo falando de quanto ganha. Vicky sempre tem tempo pra mim, seja pra tomar um café demorado ('mas agora eu tenho que ir'), seja pra um almoço de três horas, seja pra ver o penúltimo filme do Harry Potter. Fernanda é outra, ocupada e com tempo. A mãe dela também. Fal, nem se fala. Minha amada e distante Geórgia também. Eu marco meu encontro com Geórgia com um ano ou dois de antecedência, acredita? Mas quando essas pessoas estão comigo, seja pessoalmente, seja pela internet, estão comigo.

Gente ocupada tem tempo porque sabe se organizar. Isso também vale pra dinheiro. Hoje eu ganho bem menos e vivo melhor, em todos os aspectos da minha vida. Todos. Porque aprendi a viver com vagar pra não viver com remorso. Já disse isso aqui? Da vida eu quero levar tudo, menos remorso. Pronto, agora tá dito. Vicky me mandou um texto esse mês, via email. Ela não costuma me mandar textos assim, mas eu indiquei 'De ressaca', do Luís Fernando Veríssimo e ela me devolveu com esse, que aliás, é a cara dela. Se é do LFV (eu fiquei, 'o que é LFV?', quando vi o título do email), não sei, mas alguém havia me enviado isso antes do bug do HD e eu fiquei muito satisfeita em ter novamente. Deve ser dele, porque ele adora comer, adora bater papo com os amigos e o estilo é bem a cara dele (Por vias das dúvidas, se não é, perdoe o autor, e me avise pra eu dar os devidos créditos).

Por isso, eu estou me arrancando do meu interiorzinho pra ir dar um abraço em Vicky antes que ela fique tão ocupada em Londres como Geórgia em Southhampton e eu não possa vê-la novamente. As chances de me ter dentro de um avião pra qualquer lugar são pequenas. Eu viajo em espírito e Vicky sabe o quanto eu ando viajando nos últimos dois meses. Na pior época da minha vida, Vicky teve tempo pra mim (dessa vez, Geórgia não saiu de onde estava e me levou com ela, como fez antes, mas afinal, a Inglaterra não é pertinho como o Rio Grande do Norte, né? Da outra vez, Doda também tinha os compromissos dela, mas me levou pra casa dela pra me fazer companhia. Coisa de irmã de alma). E aí, professora, jantar?



'The British are coming', de Jack Vettriano.

Exigências da vida moderna - Veríssimo


Exigências da vida moderna (quem agüenta tudo isso??)
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.

Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.

Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!

Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora tenho que ir.

É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.

E já que vou, levo um jornal...

Tchau....

Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, agosto 26, 2009

Porque a saudade de Geórgia é eterna

E eu sempre lembro dela ao ver esse quadro de Vettriano. Amore, já disse que te amo hoje? Mesmo do outro lado do mundo: eu te amo, irmã de alma!



'Still Dreaming', by Jack Vettriano.

(A saudade de Vicky já começou e ela nem foi embora ainda.)

domingo, junho 21, 2009

No WMP

Segundo Paula Toller, 'Nerds gostam de ficção científica e quadrinhos porque não se relacionam com o mundo real, e sim com o futuro que projetam'. Tá, e os geeks dever ser ainda piores, certo?

(Falar em geek me dá um aperto no coração. Saudade de Grissom. *suspiro*)

Recomendadíssimo: 'Nosso', da Paula Toller. Ainda não escolhi minha faixa predileta, mas no espírito do dia, aí vai:

'Eu quero ir pra rua'

Eu vou à cidade hoje à tarde
Tomar um chá de realidade e aventura
Porque eu quero ir pra rua
Eu quero ir pra rua
Tomar a rua

Não mais
Não mais aquela paúra
De ser encarcerada pra ficar segura

Já cansei de me trancar
Vou me atirar
Já cansei de me prender
Quero aparecer
Aparecer, aparecer

Eu sou da cidade e a cidade é minha
Na contramão do surto de agorafobia
Agora eu quero ir pra rua
Porque eu quero, quero ir pra rua

Levar
A dura de cada dia
Sair da minha laia, chegar na sua

Eu vou à cidade sem compromisso
Tomar um chá, um chá de sumiço no olho da rua
Porque eu quero ir pra rua
Eu só quero ir pra rua
Olhar a rua

Tomar, bem que se podia, ar fresco
Topar Banksy a pintar afrescos

Já cansei de me trancar
Vou me atirar
Já cansei de me prender
Quero aparecer
Aparecer, aparecer, desaparecer ...


Quem encontrar o texto em francês lido pelo backvocal, eu agradeço! Não está nem no site oficial. :(

Ah, porque...



'The temptress', by Jack Vettriano

(Precisa por quê? Tá, em homenagem a 'Glass', que música tão linda!)

terça-feira, junho 09, 2009

Por e-mail

Leia o que Oprah Winfrey tem a dizer sobre os homens:

-Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe.
-Se ele não te quer, nada pode faze-lo ficar.
-Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.
-Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.
- Para de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.
-Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre o que realmente te faz feliz.
-Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia, "foda-se, mande pro inferno, esquece!", vocês não podem "ser amigos". Um amigo não destrataria outro amigo.
-Não conserte.
-Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo. Não continue (a relação) porque você acha que "ela vai melhorar"
-Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.
-A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
-Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?
-Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.
-Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar, faça um escândalo.
-Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.
-Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.
-Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você... mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.
-Não o torne um semi-deus.
-Ele é um homem, nada além ou aquém disso.
-Nunca deixe um homem definir quem você é.
-Nunca pegue o homem de alguém emprestado..
-Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.
-Um homem vai te tratar do jeito que você permita que ele te trate.
-Todos os homens NÃO são cachorros.
-Você não deve ser a única a fazer tudo... compromisso é uma via de mão dupla.
-Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. não há nada precioso quanto viajar. veja as suas questões antes de um novo relacionamento.
-Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar... uma relação consiste de dois indivíduos completos.. procure alguém que irá te complementar.. não suplementar.
-Namorar é bacana. mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.
-Faça-o sentir falta de você algumas vezes... quando um homem sempre sabe que você está lá, e que você está sempre disponível para ele - ele se acha...
-Nunca se mude para a casa da mãe dele. Nunca seja cúmplice (co-assine) de um homem.
-Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa. Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros...
-Compartilhe isso com outras mulheres e homens (de modo que eles saibam). você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas, e outras mulheres se prepararem.
-Dizem que se gasta um minuto para encontrar alguém especial, uma hora para apreciar esse alguém, um dia para amá-lo e uma vida inteira para esquecê-lo.
-O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas: Dr. Phill
-Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa.
-Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.
-Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções. Faça a escolha certa.

Ladies, cuidem bem de seus corações... "



'Long time Gone', by Jack Vettriano.

sexta-feira, maio 15, 2009

Everybody Hurts

(Berry/Buck/Mills/Stipe)

When your day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries n everybody hurts sometimes

Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
If you think you've had too much of this life, well hang on

'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes,
Everybody hurts. You are not alone
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on


Nem só de música agitada vive R.E.M., nem só de cenas sugestivas e sensuais vive Vettriano, e sim: eu preciso viver um dia de cada vez.



'A Fishergil, by Jack Vettriano (signed Hoggan)'

quinta-feira, maio 14, 2009

Dor de Cabeça e Depressão

Esse artigo do Dr. Alessandro Loiola sobre cefaléia tensional está excelente. Eu indico e acrescento:

Nome elegante pra 'dor de cabeça por causa de aperreio', a cefaléia tensional tem uma variante: a cefaléia de alta tensão. Insuportável e incapacitante. É interessante notar que pacientes poliqueixosos (múltiplas queixas importantes numa mesma consulta, que 'vivem no consultório médico') geralmente se queixam de alguma dor recorrente, que já foi investigada por mais de um médico, medicada com diversos fármacos, sem resolução ou alívio efetivo. Dessas dores, a cefaléia é a mais comum.

Na verdade, dor de cabeça não é uma doença, mas um sintoma, um aviso que algo não está certo (mesmo que seja só por ter passado da hora de comer) e eu conheço pelo menos duas pessoas próximas que sofrem de cefaléia (ambas 'têm enxaqueca' diariamente) há mais de uma década. Nenhuma das duas pessoas aceita que a causa está relacionada... a depressão!

Anônimo leitor, viver com dor de cabeça, dor nas costas, dores no corpo que os médicos não descobrem o que é e que não resolvem pode ser um sintoma de depressão. A população (e parte da classe médica) ainda associa depressão com gente triste e chorosa. Eu não sei qual a definição mais atual, mas como profissional e paciente, declaro: uma pessoa com depressão é alguém cuja qualidade de vida é insatisfatória porque todas (ou a maioria de) suas atividades diárias não causa prazer e/ou causa algum grau de desconforto, levando a crises de tristeza, ansiedade E/OU irritabilidade importantes. É alguém sem alegria de viver e que não acredita mesmo que há solução pra isso, porque acha que já tentou de tudo ou que sua personalidade é aquela e pronto.

Quando eu era estudante de Psiquiatria (isso já faz uma década), aprendi assim:
- existe depressão reativa a uma situação específica (luto, empobrecimento ou enriquecimento súbito, diagnóstico de uma doença grave,perda de emprego, aposentadoria, depressão pós-parto, etc),
- existem doenças que têm depressão como sintoma (dizemos o paciente tem 'sintomas depressivos' no hipotiroidismo, por exemplo, e não que o diagnóstico é 'ele tem depressão e hipotiroidismo'. Isso inclui as doenças psiquiátricas, como Psicose maníaco-depressiva. O paciente é maníaco-depressivo, bipolar ou como quer que chamem agora, mas ele não é 'depressivo' ou 'tem depressão'. É outra doença),
- existe a verdadeira depressão (que é mais comum em mulheres, geralmente há mais de um caso na família, é relacionada à deficiência de serotonina, etc).

A cada vez que converso com minha ex-professora de psiquiatria, tem tanta novidade sobre depressão que dá vontade de voltar pra faculdade e estudar tudo de novo, por isso devem ter mudado a classificação, mas o que importa é: depois que depressão tornou-se uma doença conhecida (graças ao PROZAC, primeira medicação efetiva, os pacientes foram melhorando e comentando com outras pessoas o que era depressão e que tinha tratamento), muitos médicos não têm como alegar que não sabem o que é isso e quais os sintomas!

Ocasionalmente eu recebo um(a) paciente no PSF cuja ficha mostra diversas consultas anteriores com os médicos que me precederam no serviço. A pessoa tem dor de cabeça (habitualmente os 'colegas' nem descrevem as características da dor, vão logo escrevendo 'Enxaqueca. Conduta: Neosaldina' ou algo semelhante), não dorme bem, tem umas dores imprecisas pelo corpo, é conhecida na família como 'chata', 'briguenta', 'reclamona', 'exigente' e briga até com as paredes ('ranzinza' não é preciso o suficiente pra um paciente com depressão descompensada). Ele/a não vive chorando, nem pensando em se matar, então os médicos não pensam em depressão.

E assim, essas pessoas vivem tomando analgésicos (há estudos sugerindo que mesmo dipirona e paracetamol causam dependência química), brigando com todo mundo e sendo evitadas pelos outros 'porque ninguém aguenta fulano/a', infelizes e tornando os outros infelizes, acordando para mais um dia de uma vida difícil e carregando um peso desnecessário. Causa-me uma satisfação impossível de descrever quando uma dessas pessoas volta e me diz que a medicação que eu prescrevi está ajudando, que a dor passou ou diminuiu, que o casamento melhorou, etc. O problema é quando a pessoa descobre que precisa usar a medicação todos os dias. Como na diabetes, hipertensão arterial ou hipotiroidismo, o tratamento da verdadeira depressão é contínuo e inclui outras medidas além da medicação, e nem todos aceitam essa mudança de vida.

A propósito:

'Just Another Day, de Jack Vettriano'

sábado, maio 02, 2009

Falando em doença familiar...

MAMOGRAFIA NO SUS AJUDARÁ A REDUZIR CÂNCER DE MAMA NO PAÍS
Rio de Janeiro - O diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), RobertoVieira, disse que a entrada em vigor da lei que estabelece a realização de exames de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres acima de 40 anos vai ajudar a mudar o quadro brasileiro de câncer de mama. Para ele, o quadro de tantas mulheres morrendo da doença "é vergonhoso". A Lei 11.664/08 começou a vigorar nessa quarta-feira (29). Segundo Vieira, a cidade do Rio de Janeiro quase não apresentava casos de câncer de mama. Hoje, o município lidera o quadro no país, com cerca de 4 mil casos, desbancando Porto Alegre. A capital gaúcha era a primeira do ranking até há bem pouco tempo e agora registra somente 800 casos. De acordo com o médico, é preciso reverter isso, sensibilizando as entidades públicas e privadas e também as mulheres a fazer a mamografia, para que, em vez de a paciente descobrir um câncer avançado, ela possa detectar ainda em estágio inicial, com possibilidade de cura. Roberto Vieira esclareceu que o câncer é impalpável. E quando uma mulher, por meio do exame manual, constata a presença de algum nódulo, “ele talvez já exista há 15 anos”. Fonte: Agência Brasil. (30/04/09)



'The Opening Gambit', de Jack Vettriano.

Por esses dias, enviaram-me um email onde o Hospital do Câncer de Pernambuco relatava que apenas 3% das mulheres com câncer de mama que são atendidas ali, chegam no estágio inicial da doença. E que a principal causa é (pasme, anônimo leitor!) porque os médicos NÃO pedem a mamografia como exame de rotina. Eu não sei se é porque eu perdi minha tia paterna predileta com câncer de mama (e ela não foi a única mulher da família a morrer da doença), porque tive mais de uma paciente em estado terminal por causa da doença ou porque eu faço como manda o livro, mas o fato é: eu peço Mamografia Bilateral anualmente a TODAS as mulheres com mais de 40 anos. Se há casos em parentes de 1o grau, peço a partir dos 35. Muitas dizem que não precisa, que não estão sentindo nada. Eu escrevo no prontuário: 'Paciente recusa a solicitação de mamografia', da mesma forma quando recusam o exame de prevenção do câncer de colo uterino ou a aplicação da vacina de tétano ou a endoscopia digestiva.

O segundo problema (a meu ver, não tenho dados sobre o assunto) é que existe um número limitado de exames autorizados para o serviço público. 16 mamografias por mês é a cota pra cidade onde eu trabalho. Ora, 16 eu chego a pedir numa única semana! E só no meu posto. Existem mais cinco USFs no município. Essa é a realidade: não há vagas para o exame, o que desestimula os médicos a pedirem como rotina.

Se você não acredita, veja minha situação em relação aos homens com mais de 40: o PSA (exame de sangue que faz parte da investigação de câncer de próstata) é caro e nem sempre é disponível pelo serviço público. O diagnóstico do câncer de próstata é feito por uma tríade: toque retal, PSA e ultrassonografia da próstata. Se um desses exames estiver normal, não se exclui o diagnóstico. Ora, os homens não aceitam ser examinados fisicamente (eu trabalho numa zona rural, imagina!), há poucas vagas para ultrassom de próstata e o PSA está 'suspenso, por enquanto'. Essas pessoas NÃO TÊM condições de pagar os exames. Eu fico constrangida, sim, quando um paciente diz que fez um sacrifício, mas que fez todos os exames que eu pedi (alguns não têm paciência de aguardar meses para a realização dos exames de rotina e vendem uma vaca, uma cabra, pra bancar o custo).

Droga! Eu peço um monte de exames de rastreio, a maioria é considerada desnecessária porque o paciente é assintomático, mas eu trabalho com PREVENÇÃO e PROMOÇÃO à saúde, não apenas com CURA e REABILITAÇÃO. Eu sou EDUCADORA EM SAÚDE, algo que a maioria da população médica não se dá conta, mas é. Logo, eu DEVO dosar o colesterol de uma criança magrinha que tem pai, mãe ou algum parente com hipercolesterolemia. Foi assim que descobriram a hipertrigliceridemia de meus primos com menos de dez anos de idade, prevenindo uma diabetes em idade precoce. Quando o serviço público dificulta (ou inviabiliza) o acesso a exames complementares mais sofisticados (e mesmo a alguns básicos, um pouco mais caros que um hemograma), o próprio médico se vê num dilema horrível: tirar COMIDA do prato do paciente pra que o mesmo custeie um exame que pode diagnosticar uma doença que mata. Ninguém deveria fazer essa escolha.

(E antes que alguém questione o custo desses exames de rastreio, saiba que eu tenho noção do valor desses exames e sei que sai mais barato dosar colesterol que pagar a medicação pra baixá-lo, quando dieta e exercícios físicos não são suficientes, além de pagar a diária numa UTI por causa de um infarto, o cateterismo diagnóstico, o pagamento do benefício do INSS porque o paciente não pode trabalhar depois do infarto, etc. Eu li em algum lugar que cada 1 real que você gasta em prevenção de doença equivale a 3 reais gastos em tratamento da mesma doença e suas complicações)

Então, eu diariamente escrevo em prontuários: 'O paciente ainda não fez o exame tal', 'o paciente não pode realizar tal exame, tomar tal medicação, por razões de custo'. Mas eu peço, sim, os exames. E nunca tive uma mamografia com nódulo que se revelou maligno. Isso significa que os tais 3% foram enviados por outros colegas previdentes. Talvez eles também tenham perdido alguém e se lembrem de pedir a mamografia. Só espero que realmente aumentem as cotas e que não seja preciso que cada médico veja uma familiar ou uma paciente querida com câncer de mama pra se lembrar que mamografia anual é rotina.

Em tempo:
A pintura de Vettriano é só pra chamar atenção pro post. Raramente ele explicita, como nesse quadro, prefere sugerir, daí a genialidade de seu trabalho.