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quarta-feira, janeiro 04, 2023
Há três semanas, eu me sentia "efervescente como um copo de Coca-cola". Não estou mais assim, deprimi um pouco e só percebi porque estou usando um aplicativo brasileiro, gratuito, para monitorar os sintomas do transtorno bipolar chamado Estabiliza. Você consegue monitorar as variações de humor dia a dia, além de ser avisado da hora das medicações, dia de consulta, o que está comendo, quantas horas dormiu, a qualidsde do sono, o ciclo menstrual, atividades físicas, quanto de luz do sol você tomou por dia e suas atividades sociais. Recomendo!
quarta-feira, dezembro 28, 2022
Saudades daqui
Eu sei: sumi por cinco anos. Muita coisa aconteceu desde então. Adoeci mais uma vez por causa do trabalho, pedi demissão novamente. Resolvi não trabalhar mais para os Mais Médicos porque, quando adoeci, me disseram que eu me desligasse ou eles fariam isso por mim. Isso mesmo: o contratado do Mais Médicos não pode se afastar por motivo de doença. Se eles lhe desligarem, você não pode voltar ao programa depois. Eu não queria mais aquilo pra minha vida. O problema é que as prefeituras em Pernambuco não contratavam mais, só queriam médicos pelo Mais Médicos para não pagarem salário. Eu coloquei meu currículo em uma agência de empregos e esperei, esperei. Finalmente, alguém de Santa Catarina me respondeu. Sem outras possibilidades, eu aceitei cruzar o país com duas malas e uma mochila, sem casa alugada, para uma cidadezinha chamada Irani, de dez mil habitantes. Aimée ficou com mamãe.
Fui muito bem recebida e me avisaram que, em três meses, haveria concurso. O lugar é um sonho: medicamentos à vontade, equipe motivada, etc, etc. Fiz o concurso e estou aqui desde então. Passei três anos sem descompensar! Esse ano, recomeçou. Ficou tão sério que a secretária de saúde interveio e resolveram me internar. Um absoluto pesadelo, ficar internada, mas melhorei. Agora estou de volta, muito melhor.
Essa na foto é Maitê.
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sexta-feira, maio 26, 2017
Lá e de volta outra vez
Claro, eu tentei. Mas, depois que o Governo Federal lançou o 'Mais Médicos', as prefeituras não querem mais pagar aos médicos (ou pagam a metade do que antes). Passei um ano desempregada quando deixei o 'Mais Médicos'. Primeiro, porque estava descompensada devido àquela secretária de saúde que, como existe justiça, perdeu o emprego. A prefeita não foi reeleita, diga-se de passagem. Quando eu consegui emprego, numa cidade a 96 Km de casa, só passei 2 meses porque preferiram colocar alguém do 'Mais Médicos' 'apesar do excelente trabalho que a senhora está fazendo aqui, doutora...'. Palavra, foi a melhor equipe com a qual trabalhei. Ou talvez, porque não deu tempo de descobrir os defeitos.
Eu me rendi e me reinscrevi no programa. De cara, fui grossa com a secretária de saúde na entrevista inicial e tive que contar o meu problema. Ela saiu da sala por um tempão, depois me aprovou. Descobri tempos depois que ela falou com a supervisora chefe 'mas ela é bipolar!' e a chefe 'e daí?'. De lá pra cá, eu descompensei gravemente uma vez. Tão gravemente que chamei minha mãe. Eu, que nunca chamo ninguém. Três semanas em mania. O Inferno na terra. Acho que me vinguei por todos os anos da minha mãe, que também tem depressão, gritando comigo. E ela não respondeu nenhuma vez, graças às medicações dela. Coitada. A secretária de saúde só ligava pra saber quando eu voltava ao trabalho. Nunca perguntou se eu estava melhor.
Agora estou no outro extremo, mas sempre lidei melhor com a depressão. A maioria dos bipolares prefere a mania. Eu detesto. Geralmente tenho hipomania, fico 'alegrinha', acelerada e isso já me deixa agoniada. Parece que estou dirigindo em alta velocidade. Eu quero diminuir e não consigo. A mania é pura irritação. Horrível. Ainda bem que tive pouquíssimas crises ao longo da vida. Sou capaz de lembrar de todas, incluindo cada vexame. Sei, inclusive, a causa dessa última crise: a psiquiatra tirou o lítio do esquema a meu pedido. Minha acne piorou muito e isso estava acabando com minha auto-estima, e olha que eu não sou vaidosa. Achei que a causa fosse o lítio e ela concordou em suspender, iniciando outra medicação, que me deixa pra lá de lenta de raciocínio. A pele melhorou, a cabeça não. O jeito é voltar ao esquema antigo. Aliás, quem faz parte do esquema terapêutico há algum tempo é Aimée, muito prazer:
Por alguma razão, ela adora alface e coentro.
Eu me rendi e me reinscrevi no programa. De cara, fui grossa com a secretária de saúde na entrevista inicial e tive que contar o meu problema. Ela saiu da sala por um tempão, depois me aprovou. Descobri tempos depois que ela falou com a supervisora chefe 'mas ela é bipolar!' e a chefe 'e daí?'. De lá pra cá, eu descompensei gravemente uma vez. Tão gravemente que chamei minha mãe. Eu, que nunca chamo ninguém. Três semanas em mania. O Inferno na terra. Acho que me vinguei por todos os anos da minha mãe, que também tem depressão, gritando comigo. E ela não respondeu nenhuma vez, graças às medicações dela. Coitada. A secretária de saúde só ligava pra saber quando eu voltava ao trabalho. Nunca perguntou se eu estava melhor.
Agora estou no outro extremo, mas sempre lidei melhor com a depressão. A maioria dos bipolares prefere a mania. Eu detesto. Geralmente tenho hipomania, fico 'alegrinha', acelerada e isso já me deixa agoniada. Parece que estou dirigindo em alta velocidade. Eu quero diminuir e não consigo. A mania é pura irritação. Horrível. Ainda bem que tive pouquíssimas crises ao longo da vida. Sou capaz de lembrar de todas, incluindo cada vexame. Sei, inclusive, a causa dessa última crise: a psiquiatra tirou o lítio do esquema a meu pedido. Minha acne piorou muito e isso estava acabando com minha auto-estima, e olha que eu não sou vaidosa. Achei que a causa fosse o lítio e ela concordou em suspender, iniciando outra medicação, que me deixa pra lá de lenta de raciocínio. A pele melhorou, a cabeça não. O jeito é voltar ao esquema antigo. Aliás, quem faz parte do esquema terapêutico há algum tempo é Aimée, muito prazer:
Por alguma razão, ela adora alface e coentro.
sexta-feira, julho 24, 2015
Ainda sem chorar
Ontem, voltei ao posto pra fechar a produção. A dor de ler a história de cada pessoa que atendi nos três últimos dias, de ver escrito 'retorno em...' e saber que essa pessoa não vai ter um médico para reavaliá-la quase acabou comigo. E eu não chorei, e meu estômago não doeu. Dessa vez, eu fiz meu trabalho, recolhi meu calendário pintado por pés e bocas, peguei o lanche que tinha esquecido no dia anterior e fui-me embora.
Hoje, eu limpei o mato da entrada que crescia há meses, pensando em alternativas de suicídio, investimento na clínica particular ou transferência pra outro município. Varri a casa. Troquei os lençóis da cama, tentei falar com o marceneiro pra instalar a porta do corredor que espera há meses, arquivei as contas, inaugurei a colcha de sofá que meu irmão comprou de encomenda pra mim, molhei as orquídeas, coloquei o lixo pra fora. Dormi, dormi, dormi. Organizei o fichário eletrônico dos pacientes da clínica, fiz a lista de tarefas pra amanhã, tomei meus remédios. Nada que indique uma descompensação.
Tudo que eu queria era ficar atendendo num sítio perto de casa. Outros querem ser grandes e famosos. É crime querer tão pouco?
Hoje, eu limpei o mato da entrada que crescia há meses, pensando em alternativas de suicídio, investimento na clínica particular ou transferência pra outro município. Varri a casa. Troquei os lençóis da cama, tentei falar com o marceneiro pra instalar a porta do corredor que espera há meses, arquivei as contas, inaugurei a colcha de sofá que meu irmão comprou de encomenda pra mim, molhei as orquídeas, coloquei o lixo pra fora. Dormi, dormi, dormi. Organizei o fichário eletrônico dos pacientes da clínica, fiz a lista de tarefas pra amanhã, tomei meus remédios. Nada que indique uma descompensação.
Tudo que eu queria era ficar atendendo num sítio perto de casa. Outros querem ser grandes e famosos. É crime querer tão pouco?
quarta-feira, julho 22, 2015
Sem lágrimas
Hoje eu recolhi tudo e pedi transferência do município. Deixei bem claro à gestora do porquê, consegui ignorar a maioria das ironias, apesar de ficar tremendo, é só voltarei lá porque tenho que fechar a produção. Sem produção não tem salário. Depois, ocorreu-me que ambas foram propositalmente me interrogar sobre os dias que faltei por motivo de doença pra puxar assunto após assunto até acontecer o que aconteceu. Quem sabe é o que eu preciso pra enfrentar a clínica de uma vez.
O interessante é que eu não chorei nem uma vez.
O interessante é que eu não chorei nem uma vez.
quinta-feira, janeiro 22, 2015
sábado, setembro 13, 2014
Vida fora de prumo
Minha casa nunca foi impecável, mas era quase. Há muito, muito tempo não é assim. Estou em uma fase em que lavo louça uma vez por semana. Arrumo a cama todo dia, mas é só. Também consigo colocar a roupa pra lavar uma vez por semana, mas só passo o mínimo, já que procuro comprar peças que não precisam passar. Quando consigo arrumar o quarto, não restam forças pra varrer a casa. A área de serviço está um pesadelo e as plantas sobrevivem graças à chuva. No meio desse caos, prazos da pós, incluindo um TCC para 'defesa de título de especialista em saúde pública'. A simples perspectiva de eu ter um título de especialista nisto, num curso à distância, quando não li quase nada do material sugerido e tirei um monte de notas altas, já mostra a qualidade da pós.
domingo, agosto 31, 2014
?
Eu aguento o sábado inteiro a secretaria de saúde me mandando ligar pra ela, não atendendo a ligação, me fazendo passar mensagem, mandando mensagem em péssimo português dizendo que estou desligada do município e não do Mais Médicos, ligando pra mim e dizendo que 'o telefone estava no silencioso' (se você marca hora pra receber ligação, isso não existe). Me garantindo que já tem um médico pra me substituir na segunda-feira, então não existe risco daquela criança de risco ficar sem assistência. Depois manda outra mensagem perguntando se a prefeita pode ligar pra mim. Acabando, em suma, com minha ida ao almoço das ex-alunas no centenário da ED. Então, hoje à noite, ela manda outro sms dizendo para nos reunirmos amanhã e resolvermos 'esse impasse'.
Oi? E a paciente psiquiátrica sou eu...
Oi? E a paciente psiquiátrica sou eu...
segunda-feira, agosto 25, 2014
Ultimato
Um fim de semana inteiro organizando todas as referências bibliográficas. Sabe aquelas regrinhas insuportáveis da ABNT? Autor vírgula inicial ponto título do artigo em itálico etc, etc. Vinte e quatro referências, a maioria em inglês. O programa deu pau, a suposta orientadora não respondeu até uma hora dessas e o prazo é até hoje, meia-noite. Pra mim, é perfeito. Eu nunca quis essa pós. Desde que eu possa continuar no emprego, ótimo. Se não puder, tudo bem também. Contanto que alguma coisa se resolva, pra mim está tudo bem.
É difícil explicar como eu consigo levantar quase todos os dias. Por enquanto, é um idoso que lembra muito meu avô e que tem sido negligenciado pela família. Ele tem um monte de problemas graves que só fazem piorar porque a família não se mexe. Hoje, confirmei que uma idosa alcoolista, que está sem beber há mais de meio ano, está com câncer, mas tem tudo pra ficar curada. Fui eu quem viu a lesão e encaminhei-a para o especialista.
Só quem trabalha na saúde pública entende o que é amar e odiar em partes iguais esse trabalho. Ter que prescrever benzetacil para uma criança porque não tem cefalexina, que a mãe não tem condições de comprar. Convencer uma gestante a fazer um sumário de urina particular porque ela pode ter um abortamento se esperar pelo exame 'urgente' do SUS. Só quem trabalha na saúde pública entende por que eu vivo descompensando e não consigo emagrecer, por que precisei de mais de dez anos pra começar uma pós e não tenho nenhum estímulo para terminar algo em saúde pública, por que todo dia eu chego em casa e não consigo fazer mais nada além de fugir pra outra realidade que não essa.
É difícil explicar como eu consigo levantar quase todos os dias. Por enquanto, é um idoso que lembra muito meu avô e que tem sido negligenciado pela família. Ele tem um monte de problemas graves que só fazem piorar porque a família não se mexe. Hoje, confirmei que uma idosa alcoolista, que está sem beber há mais de meio ano, está com câncer, mas tem tudo pra ficar curada. Fui eu quem viu a lesão e encaminhei-a para o especialista.
Só quem trabalha na saúde pública entende o que é amar e odiar em partes iguais esse trabalho. Ter que prescrever benzetacil para uma criança porque não tem cefalexina, que a mãe não tem condições de comprar. Convencer uma gestante a fazer um sumário de urina particular porque ela pode ter um abortamento se esperar pelo exame 'urgente' do SUS. Só quem trabalha na saúde pública entende por que eu vivo descompensando e não consigo emagrecer, por que precisei de mais de dez anos pra começar uma pós e não tenho nenhum estímulo para terminar algo em saúde pública, por que todo dia eu chego em casa e não consigo fazer mais nada além de fugir pra outra realidade que não essa.
quinta-feira, agosto 21, 2014
terça-feira, agosto 19, 2014
Ser sobrevivente
Suzi, da Brigite Acessórios, colocou o site inteiro em promoção. Pedido vai, comentário vem, ela me diz que não consegue comentar aqui no blog, mas está feliz de me ver arrumar o ninho. Ai, Suzi, se você visse o caos que andam as coisas...
Minha casa, minha letra e minhas finanças sempre refletiram meu estado emocional. Eu ando até equilibrada da doença bipolar, mas desde que troquei de vizinhos, perdi o pique pra extreme makeover do apartamento. A louça se acumula na pia, esqueço de tirar o lixo (ou lembro e não tenho coragem de tirar) e faço só o mínimo necessário pra seguir com a vida.
Minha casa, minha letra e minhas finanças sempre refletiram meu estado emocional. Eu ando até equilibrada da doença bipolar, mas desde que troquei de vizinhos, perdi o pique pra extreme makeover do apartamento. A louça se acumula na pia, esqueço de tirar o lixo (ou lembro e não tenho coragem de tirar) e faço só o mínimo necessário pra seguir com a vida.
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segunda-feira, junho 23, 2014
Cidades pequenas têm mania de feriado. De imprensar dias de trabalho também. Por alguma razão, onde eu trabalho, nunca avisam que o dia foi imprensado, exceto na véspera. Geralmente a véspera é um domingo ou o próprio feriado, quando ele cai numa quinta-feira. É de deixar qualquer um louco de raiva, porque a pessoa poderia viajar, mas não, você sai na sexta-feira com o aviso que é feriado na terça por causa do São João e tem expediente até meio-dia na segunda-feira por causa do jogo do Brasil (não sei por que, uma vez que o jogo é às cinco da tarde), e no meio da tarde do domingo é avisada que não tem expediente na segunda. Detalhe: não foi a supervisora ou a enfermeira quem avisou. Foi uma agente de saúde de outro posto que me conhece e mandou mensagem pra mim e pra enfermeira. Tudo muito organizado nesse país que ainda não troquei pelo Canadá por causa dessa doença horrível.
Só consegui adormecer lá pelas três da manhã. Insônia é um dos sintomas que aparecem quando começo a ciclar. Sonhos vívidos e desconexos também fazem parte do pacote. Náusea e dor de estômago têm sido frequentes e eu não duvidaria de uma gastrite. Acordei me sentindo mal e fiquei pior ao longo da manhã. Foi preciso muita força de vontade pra me convencer que o único meio de melhorar era comprando as medicações.
Consegui sair de casa às dez e meia. Ficou faltando a bupropiona original, mas deixei encomendada. Como recompensa, apareceu a luminária que eu procurava há muito tempo, em mais de uma cidade e em diversos sites, numa loja que acaba de abrir aqui. Não tem lá, mas perguntei se existia e a dona disse que podia encomendar. Compras pequenas de puxadores pra estante do escritório, rolo, pincéis, corantes, que eu nunca fazia e que me impediam de terminar a decoração do escritório e da sala. Suculentas de verdade (e de plástico) para decorar a escrivaninha e uma orquídea pra sala porque é uma planta de fácil manutenção, como as suculentas.
Se a náusea deixar, pinto ou envernizo alguma coisa hoje ou amanhã.
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domingo, junho 22, 2014
Olhar e não comprar
Uma das coisas que acontece com um bipolar descompensado é sair comprando sem parar. Comigo, talvez porque eu deteste fazer compras, eu só olho as coisas, raramente compro. Nessas épocas, me divirto olhando páginas e mais páginas de canecas, camisetas e mousepads de minhas séries favoritas. Hoje estou vendo, literalmente, milhares de pijamas com temas geeks na Cafe Press. Salvo as fotos do que gosto e isso me basta. Será que serviria como terapia pros compradores compulsivos?
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Sem sair do lugar
De novo. Não posso nunca, nunca, deixar as medicações compradas na capital acabarem. Aqui sempre faltam os originais. Similares e genéricos não fazem o mesmo efeito, não importa o que digam o Governo e os laboratórios. Eu sei como meu organismo reage. Fica faltando aquele raiozinho de sol e eu recomeço a chorar. Fiz uma cena vergonhosa há dois dias no meio do posto por causa de uma besteira, briguei com uma comunitária. Já pedi desculpas, mas estou péssima por causa do acontecido desde então. Já estava mal, mas depois da discussão fiquei muito pior. Disse à mulher que era TPM e ela foi supercompreensiva, toda mulher entende TPM e a irritação da depressão é muito semelhante mesmo. Eu já disse, certa vez, que ter depressão é como ter TPM os trinta dias do mês.
Por isso, tudo está parado de novo. As enxaquecas voltaram. A labirintite está rondando. Ainda não fiz os ácidos pros peelings. Preciso mandar uma proposta, URGENTE, pro trabalho de conclusão de curso em Saúde Pública. Estive pensando em algo como a geração espontânea de louça na pia da cozinha ou sugestões para a auto-organização de habitações humanas. Isso porque não consigo manter nada organizado. Tenho vontade de comprar tudo que vejo, algo totalmente anormal pra mim. Só não compro o que está na minha lista há meses.
Não termino nunca de pintar a sala de estar, não compro a tinta pra sala de jantar, não coloco a prateleira pro telefone, a estante continua sem puxadores, o sofá do escritório continua sem cobrir e as janelas estão sem cortinas. Dei as antigas estantes do corredor e não chamei o gesseiro pra fazer a estante nova. Todo dia, eu faço uma lista do que fazer, e não faço nada, ou quase nada. Se as pessoas tivessem noção do que faz a depressão, haveria bem menos seres humanos classificados como preguiçosos neste planeta. Inclusive, eu me pergunto como consigo me manter trabalhando.
Não consigo emagrecer. Não é só comer menos e certo, é o estresse que mantém o peso extra. Há semanas que quero começar um exercício físico. Até consegui ir à academia, encomendei as roupas, mas não consigo começar. O mal estar físico ou emocional sempre atrapalha. De dez objetivos para um dia, eu consigo alcançar um. E dou-me por satisfeita porque geralmente é algo relativo a algum paciente.
Do que consegui recentemente, eu comemoro mais de duas semanas sem comer sorvete, voltar a consumir suco de frutas e verduras regularmente, reorganizar o guarda-roupa de trabalho e fazer as sobrancelhas. Finalmente encontrei o adesivo que procurava para colocar no hall (eu sempre quis um hall, um lugar pra largar as coisas quando chegasse). Também encontrei os ladrilhos adesivos adequados ao banheiro. O visual que está lá agora é temporário, fruto da necessidade. Foi uma reforma feita às pressas: revestimento das paredes com cimento queimado, pintura com tinta acrílica e cinco faixas de adesivos de conchas comprados na loja de R$ 1,99.
Quero retomar meus projetos e percebo que, para isso, o primeiro objetivo a alcançar é comprar as medicações originais. O problema é que detesto ir à capital. Especialmente quando estou descompensada.
Por isso, tudo está parado de novo. As enxaquecas voltaram. A labirintite está rondando. Ainda não fiz os ácidos pros peelings. Preciso mandar uma proposta, URGENTE, pro trabalho de conclusão de curso em Saúde Pública. Estive pensando em algo como a geração espontânea de louça na pia da cozinha ou sugestões para a auto-organização de habitações humanas. Isso porque não consigo manter nada organizado. Tenho vontade de comprar tudo que vejo, algo totalmente anormal pra mim. Só não compro o que está na minha lista há meses.
Não termino nunca de pintar a sala de estar, não compro a tinta pra sala de jantar, não coloco a prateleira pro telefone, a estante continua sem puxadores, o sofá do escritório continua sem cobrir e as janelas estão sem cortinas. Dei as antigas estantes do corredor e não chamei o gesseiro pra fazer a estante nova. Todo dia, eu faço uma lista do que fazer, e não faço nada, ou quase nada. Se as pessoas tivessem noção do que faz a depressão, haveria bem menos seres humanos classificados como preguiçosos neste planeta. Inclusive, eu me pergunto como consigo me manter trabalhando.
Não consigo emagrecer. Não é só comer menos e certo, é o estresse que mantém o peso extra. Há semanas que quero começar um exercício físico. Até consegui ir à academia, encomendei as roupas, mas não consigo começar. O mal estar físico ou emocional sempre atrapalha. De dez objetivos para um dia, eu consigo alcançar um. E dou-me por satisfeita porque geralmente é algo relativo a algum paciente.
Do que consegui recentemente, eu comemoro mais de duas semanas sem comer sorvete, voltar a consumir suco de frutas e verduras regularmente, reorganizar o guarda-roupa de trabalho e fazer as sobrancelhas. Finalmente encontrei o adesivo que procurava para colocar no hall (eu sempre quis um hall, um lugar pra largar as coisas quando chegasse). Também encontrei os ladrilhos adesivos adequados ao banheiro. O visual que está lá agora é temporário, fruto da necessidade. Foi uma reforma feita às pressas: revestimento das paredes com cimento queimado, pintura com tinta acrílica e cinco faixas de adesivos de conchas comprados na loja de R$ 1,99.
Quero retomar meus projetos e percebo que, para isso, o primeiro objetivo a alcançar é comprar as medicações originais. O problema é que detesto ir à capital. Especialmente quando estou descompensada.
terça-feira, junho 17, 2014
Muuuuito geek!
A Made With Molecules foi descoberta de Grissom's Girl. Ela me mostrou esses pingentes de bases nitrogenadas para você usar combinando com sua cara-metade ou aquele amigo que se encaixa perfeitamente com você.
Eu gostei mesmo foi dos pingentes de neurotransmissores:
Na ordem: GABA (Relaxation), Norepinephrine (Excitement), Acetylcholine (Learning), Serotonin (Happiness), Glutamate (Memory), Dopamine (Love).
Na ordem: norepinephrine, acetylcholine, and dopamine (responsáveis pela concentração)
Bracelete com neurotransmissores, que podem ser combinados: acetylcholine (learning, (memory, dreaming), dopamine (love, pleasure, drive), GABA (general relaxant), glutamate (general stimulant), norepinephrine (focus, drive), serotonin (happiness, relaxation, satisfaction).
E essa é a teobromina, substância presente no chocolate, e que dá sensação de satisfação. Não é um jeito muito geek de declarar amor por chocolate?
Eu gostei mesmo foi dos pingentes de neurotransmissores:
Na ordem: GABA (Relaxation), Norepinephrine (Excitement), Acetylcholine (Learning), Serotonin (Happiness), Glutamate (Memory), Dopamine (Love).
Na ordem: norepinephrine, acetylcholine, and dopamine (responsáveis pela concentração)
Bracelete com neurotransmissores, que podem ser combinados: acetylcholine (learning, (memory, dreaming), dopamine (love, pleasure, drive), GABA (general relaxant), glutamate (general stimulant), norepinephrine (focus, drive), serotonin (happiness, relaxation, satisfaction).
E essa é a teobromina, substância presente no chocolate, e que dá sensação de satisfação. Não é um jeito muito geek de declarar amor por chocolate?
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domingo, junho 01, 2014
Cantando e dançando
Queria entender por que em certos dias eu acordo tão mal que quase não saio da cama pra ir pro trabalho, mas quando fecho a porta e desço as escadas pra abrir o portão, saio cantando. Sempre. E geralmente dançando. Às vezes temo perder o equilíbrio, inclusive, por causa da labirintite. Mesmo que eu chegue no trabalho e a dor de cabeça comece, que eu fique tão mal humorada que queira morder alguém, eu saio de casa feliz porque vou para aquele lugar. Gosto das pessoas que trabalham comigo e da população que atendo.
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terça-feira, maio 27, 2014
Fazer o quê?
Vontade de morrer ou de matar alguém, de pelo menos dar uma boa surra. Vontade de comprar vestidos e sapatos. De passar o dia sem fazer nada. De ler e me esquecer da vida. De largar o emprego. De brigar com alguém por razão nenhuma. De comer quilos de doce. Eis-me ciclando, mais uma vez.
Não trabalhei a semana passada inteira, com enxaqueca. Tive que desistir da pós de dermatologia, porque não conseguia reter informação nenhuma. Pelo menos, agora consigo ir pro trabalho, mas não quero estar lá. Não é o lugar. Já trabalhei em locais que me faziam mal, mas lá não é assim. Sou eu que estou mal.
Não trabalhei a semana passada inteira, com enxaqueca. Tive que desistir da pós de dermatologia, porque não conseguia reter informação nenhuma. Pelo menos, agora consigo ir pro trabalho, mas não quero estar lá. Não é o lugar. Já trabalhei em locais que me faziam mal, mas lá não é assim. Sou eu que estou mal.
quinta-feira, maio 22, 2014
Palavra que acordo antes das seis, antes do despertador, todo dia. Que deixo tudo organizado pra ir pro trabalho. Que tomo todos os comprimidos prescritos, um ansiolítico e um betabloqueador, etcetera, etcetera.
Na Terça, eu consegui chegar lá pra dizer que não conseguia atender e voltei pra casa. O resto da semana fiquei em casa. Quando não é a dor de cabeça, é a náusea ou a tontura, ou tudo junto.
Acredite: nenhum chefe fica com mais raiva que eu mesma quando isso começa. Dá logo vontade de pedir as contas porque parece até preguiça.
quarta-feira, abril 23, 2014
Baby steps
Fui trabalhar, me arrastando. Voltei me arrastando e apaguei, sem estudar nada. Consegui organizar os resumos dos assuntos de dermatologia, mas não consigo estudar. Não durmo bem também. Fiz as malas, é o fim de semana da pós. Está tudo uma confusão: apartamento, a mesa de estudos e minha cabeça. Um minuto. Eu só preciso agüentar um minuto de cada vez.
quarta-feira, abril 16, 2014
Ser palhaça
Descubro que a ajuda de custo que a prefeitura deveria me pagar para alimentação e moradia nunca foi depositada. A culpa foi minha porque, como nunca precisei do dinheiro, não fui ao banco conferir o depósito. O que mais me aborreceu foi a desculpa da secretária de saúde, através de terceiros, que não houve verba e o compromisso foi repassado para este ano. Custava me dizer? Não é a primeira vez que ela combina algo comigo, não faz e deixa que eu descubra sozinha.
Não fui trabalhar hoje. Estou com vontade de não ir nunca mais.
Não fui trabalhar hoje. Estou com vontade de não ir nunca mais.
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