Esta que vos fala é o resultado da verdadeira miscigenação: bisavô português, bisavó cigana e com certeza sangues índio e negro constam na família. Hoje é Dia de Sara Kali, padroeira dos ciganos:
As pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositam verdadeira fé nela. Mas perseguirá os opressores, os racistas, aqueles que vão contra seus protegidos prímevos, que são os roma (ciganos). Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados.
(Mais aqui, na Wikipédia)
A oração a Sara Kali encontra-se neste link. E as imagens (como as de muitos santos) divergem tanto, que algumas lembram até N. Sra da Conceição. Então, não vou postar nenhuma aqui.
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terça-feira, maio 24, 2011
sexta-feira, maio 13, 2011
Dia de Estrela
Hoje é Dia de N. Sra de Fátima. Há exatos três anos, eu decidi não ser mais médica. Aos pouquinhos, estou conseguindo.
P.S.: só por causa disso, acabam de telefonar, pedindo uma consulta. Desculpe, estou curtindo uma crise alérgica. A chuva trouxe um monte de mofo pro meu quarto. Atchin e soneca (por causa do antialérgico) são os anões favoritos do momento.
P.S.: só por causa disso, acabam de telefonar, pedindo uma consulta. Desculpe, estou curtindo uma crise alérgica. A chuva trouxe um monte de mofo pro meu quarto. Atchin e soneca (por causa do antialérgico) são os anões favoritos do momento.
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sábado, março 12, 2011
Jornal? Que jornal?
Não, eu não quero detalhes sobre o Japão. Estou descompensada sem isso mesmo. Num instante, faço listas e mais listas: guias de episódios de séries de TV, soundtracks das mesmas séries, organizo as músicas de sete temporadas de Cold Case e... Daí a pouco me desorganizo legal. Fico me perguntando o que faço aqui, se não deveria ir pra uma casa menor, uma cidade ainda menor, e não sei por que não largo tudo antes dos 40.
Sem dúvida, preciso ajustar o lítio, o anti-depressivo, e não me atrevo a aumentar o estabilizador de humor, com medo de mais dez quilos na balança. 'Basta a cada dia o seu mal', segundo um dos livros sagrados. No caso, o 'carnaval' da cidade, que é após a Quarta-Feira de Cinzas. Misture axé, música de vaquejada, brega, música de dor de cotovelo, paródias horríveis de músicas estrangeiras, e o vizinho ouvindo 'Superman ficou fraco' e você entenderá que o Japão vai ter que esperar sua vez.
Sem dúvida, preciso ajustar o lítio, o anti-depressivo, e não me atrevo a aumentar o estabilizador de humor, com medo de mais dez quilos na balança. 'Basta a cada dia o seu mal', segundo um dos livros sagrados. No caso, o 'carnaval' da cidade, que é após a Quarta-Feira de Cinzas. Misture axé, música de vaquejada, brega, música de dor de cotovelo, paródias horríveis de músicas estrangeiras, e o vizinho ouvindo 'Superman ficou fraco' e você entenderá que o Japão vai ter que esperar sua vez.
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quarta-feira, janeiro 05, 2011
Eu indico:
O Livro de Eli

Indicação certeira do meu irmão. Roteiro genial, boa fotografia, excelente interpretação. Vale a pena conferir.

Indicação certeira do meu irmão. Roteiro genial, boa fotografia, excelente interpretação. Vale a pena conferir.
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sábado, julho 03, 2010
Fim de férias
Tarefas de hoje:
- definitivamente, arrumar a papelada da casa antiga: já estava quase tudo FEITO, só não achei o IPTU. Juro que não entendi, mas a dona da casa antiga disse que esteve conferindo os IPTUs dos imóveis dela e sabe que não há nada em atraso. Parece que estou vendo: quando eu entregar a casa, o papel misterioso aparece. Justo comigo, que gosto de tudo arquivado, etiquetado, classificado...
- pegar chave extra da casa antiga com pedreiro-pintor (FEITO)
- recolher roupa lavada (FEITO)
- colocar campainha (FEITO)
- terminar a limpeza do liquidificador: desmontar, tirar o motor, colocar de molho, esfregar, colocar em cloro, esfregar, secar, montar (feito)
- organizar o escritório: só falta a mesa ENORME, com computador, HD externo, organizadores, caixas de som e cabos, muitos cabos.
- terminar de arrumar o quarto da TV/biblioteca: durante o JN, eu inventei de rearrumar os livros, depois não havia espaço, acabei me sentindo o processador do PC, fazendo defragmentação. Como diz Tio Bonner: PUTZ!
- varrer, varrer: feito. Minha mão está criando mais calos de tanto que já varri essa e a outra casa.
- Avisar à dona da casa e ao mestre de obras que é preciso refazer o box e que ‘faltou’ colocarem um spot (deixaram só o buraco, como na história da campainha) pro lado da casa. (claro que foi feito! E não serei eu a pagar por isso)
- dormir, dormir. Acordar pra ver o jogo do Brasil, só pra dormir no sofá, sem nem ligar a TV (não esqueça que fui dormir às sete da manhã). Ligar a TV por causa dos fogos e descobrir que já era o intervalo. Ver/sonhar que a Holanda ganhou o jogo.
- Não esquecer do Rivotril pra amanhã
Preparação psicológica
Amanhã começa a pintura do lado externo, com o pintor que queria me cobrar 300 reais a mais pra pintar a outra casa. Nessa que estou agora, tem respingo de tinta látex nas janelas, que a dona deixou apenas com selante (parece verniz, mas é só pra proteger a madeira). Além de mal pintadas, as janelas têm tinta respingada. Quero que pinte de novo, especialmente a porta de entrada e a janela que dá pro pergolado, onde caiu muita chuva. Terei que tirar as plantas do pergolado ou ele vai quebrar a metade.
E hoje, o mestre de obras terminou o muro, a calçada e a entrada da casa! Ainda fez o favor de colocar todo o barro que sobrou pra dentro e espalhou, pra eu fazer o jardim. Ele mesmo tomou a iniciativa. Até agora, só tenho o desnível do box depondo contra ele. O resto da casa está ok, e ele é bem tranquilo. Amanhã eu posto as fotos da entrada antes do pintor andar pra todo lado e bagunçar o serviço do outro. Se começar a chover, vai ser pura lama, já estou até vendo, mas só posso plantar alguma coisa depois de pintarem tudo, ou vão pisar nas plantas. Ai, ai.
Eu deveria devolver a casa antiga hoje, mas a dona chegou muito cansada da viagem e não pode amanhã pela manhã (deve estar dando tempo pro filho dela vir). Queria que fosse no domingo. ‘Não, eu tenho que estar na outra casa por causa do pedreiro’ (o que é verdade). Marcamos neste sábado, à tarde, assim que eu estiver livre (eu tenho um monte de coisa pra resolver e o comércio aqui fecha às duas da tarde no sábado), mas não pode ser muito tarde porque ela mora num local esquisito. Ficou insistindo pelo telefone ‘mas está tudo limpo?’. EU varri e passei pano úmido. ‘A senhora mandou capinar o mato da frente da casa?’ Havia um pouco de mato, mas eu mesma capinei ontem (seis da noite e eu limpando mato com um sacho). ‘Mas os banheiros estão limpos?’. Disse que deixei um limpo há mais de um mês e lavei o outro ontem. Estou entregando a casa do jeito que encontrei, exceto pelo buraco na sala.
‘Ah, isso é besteira pra fazer. A gente tira a cerâmica e....’. Eu falei que era mais que cerâmica solta, etc. ‘A gente coloca terra, faz um contra-piso e fica novo’. Tá bom. Quero que ela me convença que era possível ficar morando numa casa com a sala afundando, e que por isso eu devo pagar quase 400 reais de multa. Uma coisa era um desnível, a sensação de cerâmica solta, outra é isso no dia que me mudei (24.06.10):
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E isso ontem (01.07.10):

Ela já está ganhando 15 dias de aluguel, porque está tudo pago até o dia 15 de julho, e o IPTU desse ano quitado. Eu não gosto de sentir que estou explorando os outros, nem que me explorem também. O único perigo é saírem falando por aí que eu, ‘a doutora’, dei calote numa viúva, etc. Ah, vocês nem imaginam as histórias daqui.
Reza daí que hoje é dia de São Tomé, padroeiro dos engenheiros e arquitetos, 'já que a arquitetura não pode lidar com meias certezas e, aliás, só lida com certezas numéricas incontestáveis' (Revista Umbigo). Vai que São Tomé, um ex-incrédulo, coloca juízo nesse povo que acha entender de engenharia, e me liberam da multa por sair antes do término do contrato.
- definitivamente, arrumar a papelada da casa antiga: já estava quase tudo FEITO, só não achei o IPTU. Juro que não entendi, mas a dona da casa antiga disse que esteve conferindo os IPTUs dos imóveis dela e sabe que não há nada em atraso. Parece que estou vendo: quando eu entregar a casa, o papel misterioso aparece. Justo comigo, que gosto de tudo arquivado, etiquetado, classificado...
- pegar chave extra da casa antiga com pedreiro-pintor (FEITO)
- recolher roupa lavada (FEITO)
- colocar campainha (FEITO)
- terminar a limpeza do liquidificador: desmontar, tirar o motor, colocar de molho, esfregar, colocar em cloro, esfregar, secar, montar (feito)
- organizar o escritório: só falta a mesa ENORME, com computador, HD externo, organizadores, caixas de som e cabos, muitos cabos.
- terminar de arrumar o quarto da TV/biblioteca: durante o JN, eu inventei de rearrumar os livros, depois não havia espaço, acabei me sentindo o processador do PC, fazendo defragmentação. Como diz Tio Bonner: PUTZ!
- varrer, varrer: feito. Minha mão está criando mais calos de tanto que já varri essa e a outra casa.
- Avisar à dona da casa e ao mestre de obras que é preciso refazer o box e que ‘faltou’ colocarem um spot (deixaram só o buraco, como na história da campainha) pro lado da casa. (claro que foi feito! E não serei eu a pagar por isso)
- dormir, dormir. Acordar pra ver o jogo do Brasil, só pra dormir no sofá, sem nem ligar a TV (não esqueça que fui dormir às sete da manhã). Ligar a TV por causa dos fogos e descobrir que já era o intervalo. Ver/sonhar que a Holanda ganhou o jogo.
- Não esquecer do Rivotril pra amanhã
Preparação psicológica
Amanhã começa a pintura do lado externo, com o pintor que queria me cobrar 300 reais a mais pra pintar a outra casa. Nessa que estou agora, tem respingo de tinta látex nas janelas, que a dona deixou apenas com selante (parece verniz, mas é só pra proteger a madeira). Além de mal pintadas, as janelas têm tinta respingada. Quero que pinte de novo, especialmente a porta de entrada e a janela que dá pro pergolado, onde caiu muita chuva. Terei que tirar as plantas do pergolado ou ele vai quebrar a metade.
E hoje, o mestre de obras terminou o muro, a calçada e a entrada da casa! Ainda fez o favor de colocar todo o barro que sobrou pra dentro e espalhou, pra eu fazer o jardim. Ele mesmo tomou a iniciativa. Até agora, só tenho o desnível do box depondo contra ele. O resto da casa está ok, e ele é bem tranquilo. Amanhã eu posto as fotos da entrada antes do pintor andar pra todo lado e bagunçar o serviço do outro. Se começar a chover, vai ser pura lama, já estou até vendo, mas só posso plantar alguma coisa depois de pintarem tudo, ou vão pisar nas plantas. Ai, ai.
Eu deveria devolver a casa antiga hoje, mas a dona chegou muito cansada da viagem e não pode amanhã pela manhã (deve estar dando tempo pro filho dela vir). Queria que fosse no domingo. ‘Não, eu tenho que estar na outra casa por causa do pedreiro’ (o que é verdade). Marcamos neste sábado, à tarde, assim que eu estiver livre (eu tenho um monte de coisa pra resolver e o comércio aqui fecha às duas da tarde no sábado), mas não pode ser muito tarde porque ela mora num local esquisito. Ficou insistindo pelo telefone ‘mas está tudo limpo?’. EU varri e passei pano úmido. ‘A senhora mandou capinar o mato da frente da casa?’ Havia um pouco de mato, mas eu mesma capinei ontem (seis da noite e eu limpando mato com um sacho). ‘Mas os banheiros estão limpos?’. Disse que deixei um limpo há mais de um mês e lavei o outro ontem. Estou entregando a casa do jeito que encontrei, exceto pelo buraco na sala.
‘Ah, isso é besteira pra fazer. A gente tira a cerâmica e....’. Eu falei que era mais que cerâmica solta, etc. ‘A gente coloca terra, faz um contra-piso e fica novo’. Tá bom. Quero que ela me convença que era possível ficar morando numa casa com a sala afundando, e que por isso eu devo pagar quase 400 reais de multa. Uma coisa era um desnível, a sensação de cerâmica solta, outra é isso no dia que me mudei (24.06.10):
E isso ontem (01.07.10):
Ela já está ganhando 15 dias de aluguel, porque está tudo pago até o dia 15 de julho, e o IPTU desse ano quitado. Eu não gosto de sentir que estou explorando os outros, nem que me explorem também. O único perigo é saírem falando por aí que eu, ‘a doutora’, dei calote numa viúva, etc. Ah, vocês nem imaginam as histórias daqui.
Reza daí que hoje é dia de São Tomé, padroeiro dos engenheiros e arquitetos, 'já que a arquitetura não pode lidar com meias certezas e, aliás, só lida com certezas numéricas incontestáveis' (Revista Umbigo). Vai que São Tomé, um ex-incrédulo, coloca juízo nesse povo que acha entender de engenharia, e me liberam da multa por sair antes do término do contrato.
sábado, junho 12, 2010
Noite de Fogueira

Já passou das seis da noite, hora das simpatias. Quando eu era criança, buscavam a aliança de uma mulher casada pras moças saberem em quantos anos casariam. Seguravam a aliança num fio de cabelo sobre um copo com água e rezavam a Salve-Rainha, contando quantas vezes a aliança batia na borda do copo. O número de batidas era o número de anos que faltava pra pessoa casar. A aliança nunca bateu no copo quando eu fazia a simpatia. Ainda bem. Eu torcia que não batesse mesmo.
Noite de fogueira é noite de gente com asma nas emergências, gente bêbada e/ou queimada por fogos de artifício. Esse ano, a chance de queimadura aumenta por causa da Copa do mundo de futebol. Ainda bem que não trabalho mais em hospitais, mas sei que vai chegar alguém com queimadura pelo posto por esses dias.
Em noites assim, eu recomendo não lavar roupa. Fica tudo com cheiro de fumaça e você acaba tendo que lavar tudo novamente. A casa cheira a fumaça, quer você feche a janela ou não. Na minha rua não há fogueiras. Ainda assim, posso ouvir os fogos nesse momento.
Lembro-me de minha infância, quando seis horas era a hora de acender a fogueira, montada geralmente com lenha que eu havia providenciado semanas antes, podando as árvores do quintal. Nossa fogueira não era a maior da rua, mas era a que eu mais gostava. Quando finalmente havia brasas, eram transferidas com uma pá pra churrasqueira de casa, onde assávamos milho de um modo bem mais confortável.
Não soltávamos fogos, além de traques. Meu pai trabalhava, ainda trabalha, em emergências. Minha mãe foi auxiliar de enfermagem por dez anos. Não precisa dizer mais nada. Não sinto falta dos fogos de artifício que não soltei na minha infância. Se algum dia senti, essa ausência sumiu quando vi meu primeiro queimado. Há certas coisas na vida que é melhor passar sem. Pra dizer a verdade, não vejo graça nem em fogos no Ano-Novo, mas isso é opinião minha.
Noite de fogueira combina com canjica (e eu não comprei nem uma daquelas de caixa), de pamonha (que tem o ano inteiro aqui) e milho verde cozido. Lembro-me do ano em que meu irmão foi encarregado de trazer uma dúzia de espigas do supermercado e recebeu as instruções pra identificar uma boa espiga: não faltar grãos na fileira, não ter bichos, a ponta não podia estar podre, não ter muito cabelo. Estava anoitecendo, todo mundo maluco porque ele não voltava e o mercado não era longe, quando finalmente meu irmão chega. Com as mais perfeitas espigas de milho que devo ter visto em minha vida. Como eu, ele sempre foi de seguir instruções à risca. Talvez por isso, a gente não se dê tão bem na vida.
Em noites assim, as pessoas vão pra festas, pra casa de outras pessoas. Eu fico em casa. Esse ano, minha companhia é um cesto de roupa pra passar. Adoraria estar mexendo uma panela de canjica (da verdadeira), porque adoro tanto canjica que não me importo de mexer por horas a fio. Não sei por que não comprei canjica. Deve ser porque não estou fazendo questão de nada: canjica, festa, fogueira ou da TV que ainda não voltou do conserto.
De qualquer modo, feliz Dia dos Namorados, véspera de Santo Antônio.
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segunda-feira, maio 31, 2010
Mudar: verbo intransitivo
Eu sei que a meta é um cômodo por dia, mas tente fazer isso atendendo um monte de gente com dengue (cada caso tem que ser notificado e é uma ficha enorme), mãe aparecendo pra consultar o filho quase às três da tarde (meu horário de saída é, teoricamente, às duas) e que havia marcado a ficha pela manhã! Palavra, eu só atendi por causa do menino. Isso é desrespeito com o profissional. Só porque mora perto vem a hora que quer? Eu acabo tão cansada (e ainda é segunda-feira) que não dá pra fazer a mudança como planejado.
Hoje, consegui uma porção de caixas ENORMES. São boas pra colocar objetos leves: almofadas, roupa de cama (preciso passar a roupa, saco), toalhas, potes plásticos, objetos da área de serviço como baldes, bacias, etc. Também guardam objetos de decoração leves, mas volumosos, como flores artificiais. Nada pesado. Se eu encher de livros, ninguém levanta. Falando em caixa, maioria das coisas da minha cozinha está em caixas ou organizadores plásticos. Você abre os armários e só vê caixa, mas está fácil de encontrar tudo.
Procurando idéias pra casa nova, eu me lembrei desse post do 'Chega de Bagunça', com uma central de tarefas, uma excelente idéia.

Aliás, alguém me deu outra boa idéia. Aqui, todo mundo que pode tem uma cisterna, pro caso de faltar água. A casa nova não tem, a caixa é de 1000 litros e só. A sugestão foi aproveitar o pedreiro que construiu a casa e ainda está por lá pra instalar uma segunda caixa d'água, ao invés de ficar juntando água em tonel, que só dá larva de mosquito e lodo, além de ocupar espaço. Eu falei com a dona da casa e disse que pagava o custo da caixa. Acredite-me: sai mais barato que comprar caminhão d'água porque está muito seco e ainda nem começou a chover. Só garoa de vez em quando. Vai faltar água no fim do ano, com certeza.
O plano de hoje era começar a embalar as roupas que não amassam e descartar os sabotadores de imagem do meu armário. Talvez passar os lençóis novos que me esperam há quase um mês. Nessas horas a TV faz falta, porque eu fico vendo filme e passando roupa, mas levei a TV pra consertar uma besteira. Sem TV e cansada do dia, não fiz nada disso.
Ao invés disso, fico imaginando o antigo sofá, coberto de marrom, combinando com os pufes. Estou me empolgando desde sábado com as possibilidades que marrom oferece. Dá pra usar verde, laranja, amarelo-mostarda, bege, goiaba... É só procurar mantas e capas de almofadas e a cada semana a decoração da sala muda! Também encontrei outra foto pra mostrar pro gesseiro o que quero fazer com o balcão que separa a cozinha da copa/sala de jantar. Consegui o número de um gesseiro hoje. Espero que não seja muito caro.
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Vamos torcer pra sobrar tempo amanhã. De qualquer modo, eu estava lembrando a uma amiga que é possível ter tempo pra tudo e citei (Eclesiastes 3, 1-8), uma das poucas passagens da Bíblia que sei localizar. Até hoje, eu não havia reparado a beleza da frase: ‘nada é melhor para o homem do que folgar e procurar a felicidade durante a sua vida’. Acho que é por aí.
Hoje, consegui uma porção de caixas ENORMES. São boas pra colocar objetos leves: almofadas, roupa de cama (preciso passar a roupa, saco), toalhas, potes plásticos, objetos da área de serviço como baldes, bacias, etc. Também guardam objetos de decoração leves, mas volumosos, como flores artificiais. Nada pesado. Se eu encher de livros, ninguém levanta. Falando em caixa, maioria das coisas da minha cozinha está em caixas ou organizadores plásticos. Você abre os armários e só vê caixa, mas está fácil de encontrar tudo.
Procurando idéias pra casa nova, eu me lembrei desse post do 'Chega de Bagunça', com uma central de tarefas, uma excelente idéia.

Aliás, alguém me deu outra boa idéia. Aqui, todo mundo que pode tem uma cisterna, pro caso de faltar água. A casa nova não tem, a caixa é de 1000 litros e só. A sugestão foi aproveitar o pedreiro que construiu a casa e ainda está por lá pra instalar uma segunda caixa d'água, ao invés de ficar juntando água em tonel, que só dá larva de mosquito e lodo, além de ocupar espaço. Eu falei com a dona da casa e disse que pagava o custo da caixa. Acredite-me: sai mais barato que comprar caminhão d'água porque está muito seco e ainda nem começou a chover. Só garoa de vez em quando. Vai faltar água no fim do ano, com certeza.
O plano de hoje era começar a embalar as roupas que não amassam e descartar os sabotadores de imagem do meu armário. Talvez passar os lençóis novos que me esperam há quase um mês. Nessas horas a TV faz falta, porque eu fico vendo filme e passando roupa, mas levei a TV pra consertar uma besteira. Sem TV e cansada do dia, não fiz nada disso.
Ao invés disso, fico imaginando o antigo sofá, coberto de marrom, combinando com os pufes. Estou me empolgando desde sábado com as possibilidades que marrom oferece. Dá pra usar verde, laranja, amarelo-mostarda, bege, goiaba... É só procurar mantas e capas de almofadas e a cada semana a decoração da sala muda! Também encontrei outra foto pra mostrar pro gesseiro o que quero fazer com o balcão que separa a cozinha da copa/sala de jantar. Consegui o número de um gesseiro hoje. Espero que não seja muito caro.
Vamos torcer pra sobrar tempo amanhã. De qualquer modo, eu estava lembrando a uma amiga que é possível ter tempo pra tudo e citei (Eclesiastes 3, 1-8), uma das poucas passagens da Bíblia que sei localizar. Até hoje, eu não havia reparado a beleza da frase: ‘nada é melhor para o homem do que folgar e procurar a felicidade durante a sua vida’. Acho que é por aí.
domingo, outubro 18, 2009
Dia de Sol

A gente nunca se lembra, mas o sol é uma estrela de quinta grandeza, portanto, hoje também é dia de estrela. É dia de São Lucas. Quando me vejo numa grande complicação na profissão médica, eu me lembro desse santo. Lucano passou boa parte da vida lutando contra Deus, tentando vencê-lo na luta contra a morte no exercício da Medicina. Ele não queria ser maior que Deus. Ele queria ser mais compassivo que Deus, porque achava que Deus não era piedoso, via Deus como um ser indiferente ao amor que as pessoas sentiam umas pelas outras, que não prezava a vida dos inocentes que sequer haviam cometido qualquer pecado para merecer morrer em tenra idade, por exemplo. Dessa forma, Lucano se dedicava a manter as pessoas com saúde e fez mais de um milagre sem perceber. Tratava as pessoas de graça, libertava escravos, fazia caridade, sem perceber que fazia a obra de Deus. Não percebia que fazia milagres. Acreditava em Deus, não acreditava no amor de Deus. Lucas, como passou a ser chamado, não era judeu, mas grego. Os gregos tinham muitos deuses e um altar para o que chamavam de 'deus desconhecido', sem qualquer imagem. Era esse 'deus desconhecido' que Lucas, que nasceu e cresceu na Antioquia, combatia porque o conhecia muito bem, pois seus pais foram escravos libertos de romanos numa terra de judeus devotos a esse Deus. Muitos anos se passaram até Lucas entender como funciona o mundo, quais as razões de tudo acontecer como acontece, que ele era um instrumento de Deus e que foi preciso que ele perdesse pessoas queridas pra se dedicar totalmente a cuidar dos entes queridos de outras pessoas. Ele precisava sofrer pra entender o sofrimento alheio. É por isso que na missa de formatura, nós lemos isso:
Eclesiástico 38
O médico e as doenças
1. Honra o médico por seus serviços, pois foi o Senhor quem o criou.
2. (Toda a Medicina provém de Deus), como é do rei que se recebe um presente.
3. A ciência do médico o eleva em honra, ele é admirado na presença dos grandes.
4. O Senhor fez sair da terra os remédios, e o homem sensato não os rejeita.
5. Não foi um pedaço de madeira que tornou doce a água? Essa virtude chegou ao conhecimento dos homens.
6. O Altíssimo deu-lhes a ciência da Medicina para que pudessem glorificá-lo por suas maravilhas;
7. e dela se serve para acalmar as dores e curá-las; o farmacêutico faz misturas agradáveis, compõe unguentos agradáveis à saúde, e seu trabalho não terminará,
8. até que a paz divina se estenda sobre a face da terra.
9. Filho, ao adoeceres não te descuides: roga ao Senhor e ele te curará.
10. Evita as faltas, torna reto o agir de tuas mãos, purifica o coração de todo pecado.
11. Oferece o incenso e o memorial de flor de farinha e sacrifica vítimas gordas, como se não fosses sobreviver.
12. E recorre depois ao médico, pois também a ele o Senhor criou; e não se afaste de ti, pois dele igualmente necessitas.
13. Chega o momento em que a cura está em suas mãos;
14. pois também eles rogarão ao Senhor para que lhes conceda o dom de aliviar, e a cura para salvar uma vida.
15. Quem peca diante do seu Criador, que caia nas mãos do médico.
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quinta-feira, outubro 08, 2009
Amanhã é dia de estrela
São Mesrob é o outro santo padroeiro dos tradutores, conforme comentado por aqui. Como amanhã vai ser um dia cheio, eu estou com paciente complicado, eu resolvi postar logo sobre São Mesrob. O interessante é que eu posto sobre esses santos, mas não costumo rezar pra eles. Ando lembrando por causa da internet, que manda os emails, avisando os aniversários das pessoas, que é dia disso e daquilo, mas só sei do dia de São Lucas e olhe lá. Sou uma pessoa de fé, mas não costumo ir à Igreja. Tenho amigos de todas as religiões. Fui criada como católica, mas discordo de certas coisas que a Igreja, com 'I' maiúsculo (como diria um personagem meu) sustenta como certas. Acho interessantes algumas premissas do Espiritismo, fascinante o judaísmo, interessante o hinduísmo, mas continuo uma católica 'de carteirinha', nas palavras de Pe Marcelo Rossi. Ele diz isso dos católicos onde consta na carteira de identificação 'católico', mas que nunca vão à missa e mal sabem rezar um terço. Mas da minha fé sabe Deus, e acho que isso basta.
domingo, outubro 04, 2009
Dia do Tradutor
O bom de ser multitarefa é que a gente acaba com mais de um dia pra comemorar. Como quarta-feira passada era dia de São Jerônimo, padroeiro dos tradutores, foi Dia do Tradutor e eu nem sabia. Eu sou tradutora? Se sou, foi dia meu também. Não lembram de me dar parabéns nem no meu aniversário. Aliás, poucas foram as pessoas que me desejaram 'Feliz Natal' no último Natal, nem mesmo todas a quem eu mandei cartão me devolveram a gentileza. A cada resposta, fui descobrindo qual minha verdadeira família. Eu fui entendendo, portanto, o que significa 'amar ao próximo como a si mesmo'. Não é 'primeiro eu', como dizer alguns idiotas. Não! É ter um mínimo de amor-próprio pra poder amar todo o resto, é dar um pouquinho de valor a si, sabe?
Soube hoje do Dia do Tradutor por causa da Fal. Então vamos lá. Comecei a traduzir pra valer ano passado e não parei mais. Nunca ganhei um centavo e me divirto horrores com isso porque o faço pra partilhar legendas e fanfictions de CSI. Estou, inclusive, retomando a melhor fanfic GSR de todos os tempos, temporariamente suspensa porque retomei minha atividade médica (pra pagar as contas) e veio mudança de emprego, H1N1, sem falar que Grissom se mandou pra Sorbonne e isso ativou o meu lado escritora (tem Dia do Escritor?) e o lado ruim de ser multitarefa é que eu só tenho dois hemisférios cerebrais, duas mãos e minha casa continua sem o tal botão auto-clean. Quanto às legendas, não fiz por muito tempo porque o grupo não entendeu que a intenção é aprender uma língua a sério e estudar ciência. As fics estão aí e me fazem ter contato com pessoas maravilhosas.
(Olha aqui um texto sobre São Mesrob, do Paulo Coelho, que eu encontrei no meio de uma tradução pra essas legendas. São Mesrob é outro santo padroeiro dos tradutores)
Isso me ajudou recentemente no meu trabalho médico, numa aula importantíssima sobre Tuberculose e Hanseníase, onde tive que entrar em contato com o CDC, o American Leprosy, o ILEP, a OMS, em inglês e francês. Com o Ministério da Saúde também, mas foi o único órgão que não respondeu e a mensagem foi em português. Donde concluo que, apesar de tradutora de dicionário e boa vontade, eu estou no caminho certo e o dia 30 de setembro passa a partir deste ano a acompanhar o dia 18 de outubro nas comemorações aqui em casa. Vou ali assistir o segundo episódio da décima temporada da melhor série do mundo. Com legenda em inglês, claro. E sem dicionário!
Soube hoje do Dia do Tradutor por causa da Fal. Então vamos lá. Comecei a traduzir pra valer ano passado e não parei mais. Nunca ganhei um centavo e me divirto horrores com isso porque o faço pra partilhar legendas e fanfictions de CSI. Estou, inclusive, retomando a melhor fanfic GSR de todos os tempos, temporariamente suspensa porque retomei minha atividade médica (pra pagar as contas) e veio mudança de emprego, H1N1, sem falar que Grissom se mandou pra Sorbonne e isso ativou o meu lado escritora (tem Dia do Escritor?) e o lado ruim de ser multitarefa é que eu só tenho dois hemisférios cerebrais, duas mãos e minha casa continua sem o tal botão auto-clean. Quanto às legendas, não fiz por muito tempo porque o grupo não entendeu que a intenção é aprender uma língua a sério e estudar ciência. As fics estão aí e me fazem ter contato com pessoas maravilhosas.
(Olha aqui um texto sobre São Mesrob, do Paulo Coelho, que eu encontrei no meio de uma tradução pra essas legendas. São Mesrob é outro santo padroeiro dos tradutores)
Isso me ajudou recentemente no meu trabalho médico, numa aula importantíssima sobre Tuberculose e Hanseníase, onde tive que entrar em contato com o CDC, o American Leprosy, o ILEP, a OMS, em inglês e francês. Com o Ministério da Saúde também, mas foi o único órgão que não respondeu e a mensagem foi em português. Donde concluo que, apesar de tradutora de dicionário e boa vontade, eu estou no caminho certo e o dia 30 de setembro passa a partir deste ano a acompanhar o dia 18 de outubro nas comemorações aqui em casa. Vou ali assistir o segundo episódio da décima temporada da melhor série do mundo. Com legenda em inglês, claro. E sem dicionário!
quarta-feira, setembro 30, 2009
Hoje é dia de São Jerônimo (e de estrela)

Santo Padroeiro dos Tradutores. Como tradutora de dicionário e boa vontade, fica minha lembrança ao santo natural da Dalmácia, que recebeu formação católica, mas só foi batizado aos 20 anos. Possuidor de uma cultura clássica das maiores do tempo, é considerado um dos mestres da língua latina. Aproveitou integralmente sua imensa cultura no serviço da Igreja, lutando contra as heresias e defendendo a Fé católica. Atraído pela vida isolada e recolhida, na oração e nas austeridades, nem por isso deixava de participar ativamente, desde os vários locais em que viveu como ermitão, das grandes controvérsias do mundo culto de então. Foi secretário do Papa São Dâmaso, e recebeu deste o encargo de traduzir para o latim os Livros Sagrados, de modo a haver uma única versão oficial das Escrituras, para que não fossem estas deturpadas pelos hereges dos séculos futuros. Essa foi a origem da "Vulgata". Na fase final de sua vida, permaneceu em Belém, na Palestina, onde dirigiu um mosteiro de monges e deu assistência a um mosteiro feminino. (Hagiografia, Vida de Santos)
Como ser tradutor é difícil, dia 9 de outubro é dia de São Mesrob, o outro santo padroeiro dos tradutores.
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sábado, setembro 26, 2009
Hoje é dia de Cosme e Damião
Pra ser bem sincera, eu nunca me lembro dos dias dos santos. O dia de São Lucas é inesquecível porque é Dia do Médico, mas São Lucas não é o Padroeiro dos Médicos. Cosme e Damião são padroeiros de cirurgiões, físicos (aqui significando 'médicos'), farmacêuticos, faculdades de medicina, barbeiros, cabeleireiros e das crianças vítimas de violência. Fui lembrada hoje, graças a uma antiga colega da ED, me envia o 'Evangelho do dia' por email.
Como eu nunca me lembro, eu nunca distribuo os doces. Ando com a oração desses santos na carteira, mas na hora do aperto, eu sempre digo 'Valha-me São Lucas'. Deve ser porque li e reli 'Médico de Homens e de Almas', indicação da diretora da mesma Escola Doméstica onde essa colega estudou. Se houver um livro sobre Cosme e Damião, anônimo leitor, é favor indicar. Eu só conheço 'O santo de cada dia', e dei de presente. Não tenho comigo.
Da Wikipédia:
Há relatos que atestam serem originários da Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.
Estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder".
Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.
Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano, foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.
Foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS - Cosme e Damião.
Como eu nunca me lembro, eu nunca distribuo os doces. Ando com a oração desses santos na carteira, mas na hora do aperto, eu sempre digo 'Valha-me São Lucas'. Deve ser porque li e reli 'Médico de Homens e de Almas', indicação da diretora da mesma Escola Doméstica onde essa colega estudou. Se houver um livro sobre Cosme e Damião, anônimo leitor, é favor indicar. Eu só conheço 'O santo de cada dia', e dei de presente. Não tenho comigo.
Da Wikipédia:
Há relatos que atestam serem originários da Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.
Estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder".
Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.
Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano, foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.
Foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS - Cosme e Damião.
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domingo, agosto 09, 2009
Ser paciente Psiquiátrico
09.08.09
Você tem psiquiatra? Eu tenho. A maioria dos pacientes psiquiátricos alega que toma ‘remédios pros nervos’, mas eu admito: sou uma paciente psiquiátrica. Eu acredito que, se você reconhece que é um paciente psiquiátrico e segue o tratamento, essa é uma atitude responsável consigo mesmo e com seus semelhantes. Como um monte de gente coloca a vida em minhas mãos, minha responsabilidade aumenta porque sou uma paciente psiquiátrica. Eu admito aqui, mas tenho uma boa justificativa pra não fazê-lo publicamente.
Sou médica e muitos dos meus pacientes jamais entenderiam que ser uma paciente psiquiátrica não significa ser mentalmente insana. Costumo dizer aos meus pacientes portadores de doenças psiquiátricas: ‘Você toma remédios pra não ficar doido’, numa forma de incentivá-los a não pararem os famosos remédios controlados, que impedem que o paciente seja um carro desgovernado no meio do trânsito pesado. Eu passei a falar isso depois de assistir ‘Kiss the sky’, onde o personagem de WP dá uma bronca no amigo que quer fumar ópio: ‘Está doido? Você toma remédio pra não perder o juízo!’. De fato, ambos enfrentam uma depressão de meia-idade e um deles já foi até internado por causa disso. Poucas vezes eu ri tanto em minha vida como na primeira cena do filme onde os dois estão em plena sessão de massagem e discutem os prós e contras das medicações que já usaram ou estão usando. Pareciam comigo, conversando com minha médica que, não por acaso, foi minha professora de psiquiatria.
Por causa da doença, quase não termino o curso médico. ‘Descompensei’ tantas vezes que perdi a conta. Não gosto de tomar remédios e esse foi um dos motivos de demorar tanto, acho, a encontrar o que funciona pro meu caso. Precisei de alguns anos pra entender que, assim como cada paciente com hipertensão arterial é único, o mesmo se dá com pacientes psiquiátricos. O argumento que me convenceu a usar regularmente as medicações veio de um professor de psiquiatria: ‘assim como não se trata diabetes só com conversa, não dá pra tratar a verdadeira depressão só com conversa’. É verdade. O tratamento de muitas doenças se divide entre medicações, apoio psicológico e mudanças de estilo de vida. Pra cada pessoa, um desses aspectos pesa mais. Eu fui da geração Prozac, ‘a pílula da felicidade’. Usei quase tudo que existia na época, em matéria de medicação pra depressão e reconheço: foi a indústria farmacológica, em última instância, que me manteve profissionalmente ativa. Muitas pessoas sabem que eu tomo remédios controlados e por que, mas um professor muito querido aconselhou-me, há muitos e muitos anos, a não sair dizendo a todo mundo porque as pessoas rotulam muito facilmente, embora nem sempre entendam o que estão rotulando. Atualmente, uso apenas uma medicação, mas estou fazendo terapia e encontrei a melhor válvula de escape do mundo quando comecei a escrever regularmente. Não falto às consultas médicas, mas nem sempre foi assim. Hoje, mal a tempestade ameaça, eu corro atrás de uma avaliação extra.
Minha doença já teve vários nomes - ‘depressão maior’, ‘depressão endógena’, ‘Psicose Maníaco-Depressiva’ (PMD), ‘Transtorno Obsessivo-Compulsivo’, ‘Transtorno Bipolar’. A expressão Transtorno Bipolar era a moda na minha época de estudante porque a pessoa transita entre dois pólos extremos de humor, depois foi Transtorno Obsessivo-Compulsivo, do qual não gosto porque não define como me sinto quando estou abaixo do lençol freático que está sob o fundo do poço. Sabe-se lá como vão chamar na próxima revista de Psiquiatria ou edição do Código Internacional de Doenças. O nome não muda como eu me sinto, mas é bom saber o que eu tenho. O problema em psiquiatria é que as doenças têm muitos sintomas em comum. Alguns transtornos de comportamento são tão semelhantes entre si que, por muito tempo, eu não sabia bem o que tinha, além de ‘depressão’. Sempre que eu lia algo novo em psiquiatria, achava que tinha mais um diagnóstico pra lista. Não sou hipocondríaca, mas gosto das coisas às claras. Agora posso dizer: ‘sou bipolar’, mas continuo achando que PMD descreve perfeitamente a doença.
O primeiro aviso que tem algo errado, no meu caso, são aqueles dias em que eu quero bater em todo mundo, começando por mim mesma. Ser bipolar é ter TPM o mês inteiro, pelo menos quando se está com o quadro clínico descompensado. Ninguém te entende, o mundo é horrível e você é a pior pessoa do mundo, nem sempre você chora, mas briga com as paredes e tem um monte de dores físicas e psicológicas que analgésicos não resolvem muito bem e que a maioria dos médicos não entende. Ainda tem mais isso: existe dor física. Encontraram até um nome: Fibromialgia. Tem médico que diz que ‘essas dores nem existem, são psicológicas’. Nem por isso doem menos, posso garantir. Dá vontade de dizer: ‘Claro que são psicológicas, seu idiota! Ao menos, encaminhe a pessoa pra um psicólogo, um psiquiatra, alguém que saiba lidar com a cabeça dos outros!’. Eu mesma, tive períodos com dor de cabeça tão intensa, que usei até medicações pra pacientes com câncer em último estágio. A dor sumiu com meses de terapia psicológica e desde então, estou aprendendo a me conhecer para não viver tomando a farmácia inteira e me viciando em analgésicos. Mas tudo começou a melhorar quando eu reconheci que eu era bipolar e que, até o momento, não há cura pra isso, só controle. Se não tivesse feito admitido, já poderia ter cometido um erro qualquer, que custaria a vida de alguém. E ser bipolar não ajuda em nada pra se ter uma carreira bem-sucedida.
Um perfeito exemplo de como uma doença psiquiátrica atrapalha a vida está na série de TV ‘Monk’. O brilhante investigador Andrew Monk, afastado de suas funções indefinidamente depois que perdeu a esposa e piorou de suas ‘manias’: lavar as mãos, repetir gestos indefinidamente, etc. Ele faz terapia e não consegue tomar medicações. Resolve casos que a polícia, com pessoas teoricamente ‘normais’, psiquiatricamente falando, não consegue e vai levando a vida dentro dos limites possíveis. Ele até mesmo se rendeu ao uso de medicações quando se deu conta do quão limitante era a doença, mas ficou tão estranho e desconcentrado que resolveu parar. Ficou limpando as mãos e resolvendo tudo brilhantemente. Enquanto isso, o Jack Nicholson se rendeu às medicações pra ficar com Helen Hunt em ‘Melhor é impossível’. Agora, imagine uma médica bipolar.
A única vez na vida em que a doença me foi útil foi numa prova. Na época eu estava péssima, quase não termino o período e passei graças a muita gente legal da minha turma me apoiando, meus professores de psiquiatria, o tal professor muito querido e minha família, além de alguns grandes amigos não médicos. A doença ajudou quando a única questão da prova de psiquiatria prática foi ‘Comente Depressão e o tratamento com Lítio’. Eu só não sabia a dosagem do lítio, mas escrevi um minitratado sobre a psicopatologia, etiologia e fatores relacionados às causas da depressão, citei en passant que só se dosa lítio em usuários da droga (mal sabia eu quantas dosagens eu faria) e que não se diagnostica depressão solicitando dosagem de lítio em gente com sintomas de depressão. Tirei nove. O professor que aplicou a prova deve ter se sentido ótimo porque foi ele quem deu a aula (eu mal respirei ouvindo essa aula) e sabia que eu estava descompensada. Eu nunca cheguei a dizer pra ele que foi o argumento dele que me convenceu do uso regular das medicações.
Então, se você tem transtornos de humor, se você já fez acompanhamento psiquiátrico, se já foi internado numa ala psiquiátrica, não minta pra si mesmo. Pergunte francamente ao médico qual seu diagnóstico e qual o prognóstico. O que tem de paciente por aí que usa a medicação, mas nem ele, nem a família sabem que é ele é esquizofrênico, nem se conta. Saiba se você oferece algum risco pra si mesmo ou pros outros. Não se assuste se seu problema não tiver cura. A maioria das doenças não tem cura, mas tem controle e não é contagiosa. Visite seu médico regularmente pra prevenir complicações. Pergunte em quanto tempo deve voltar, porque os médicos quase nunca dizem e, quando dizem, quase nunca o paciente escuta. Se algum sintoma diferente aparecer, também é bom falar com o médico. Acredite que vai melhorar, tenha fé no tratamento e tenha um bom conselheiro: seu médico, um familiar, um amigo, qualquer pessoa que entende a doença e que possa perceber algo de diferente no seu comportamento habitual o mais cedo possível. No meu caso, eu percebo que tem algo de errado quando fico impaciente com os pacientes.
Se for a primeira vez que você apresenta sintomas, descarte uma causa física porque pode até ser que não seja uma doença psiquiátrica, mas alguma doença que dá sintomas parecidos. E atenção com as pessoas bem-intencionadas, mas que não entendem nada do assunto. Muitas doenças psiquiátricas tão transitórias, ou podem ser curadas se o tratamento for precoce, mas existe muita resistência do paciente ou da família. Durante uma aula de psiquiatria, ouvi algo muito verdadeiro: ‘Se um paciente sem histórico psiquiátrico tem um surto, é levado pra missa, depois vira evangélico, leva uns passes num centro espírita, vai pro terreiro e por último, quando já não tem mais jeito, lembram do psiquiatra’. O professor não criticava as religiões, ele se referia à negação da existência de uma doença psiquiátrica. O mesmo vale pros conselhos que ouvi como paciente com depressão: ‘Vá dar uma volta que você melhora’, ‘Você precisa de um cachorro’, ‘Você precisa se divertir mais’. Os conselhos e a religião geralmente ajudam muito, mas a pessoa precisa de bem mais que isso.
Como médica, indico pra alguns de meus pacientes a prática da religião e leitura de textos religiosos como parte do tratamento, mas presto atenção nas respostas às preces que faço por eles. Muitas vezes, a ajuda que peço vem na forma de um remédio ou de um médico que pode ajudá-los mais do que eu; outras vezes, apenas a fé da pessoa e força de vontade resolvem o problema. Respeito quando as pessoas se recusam a tomar medicações porque acreditam que sua fé pode curá-las. Muitos esperam que um anjo venha do céu, com o milagre. Pra mim, anjos nada mais são que pessoas daqui mesmo, que se permitem ser instrumentos de Deus, A Força, ou como quer que você chame. Em mais de uma situação, convenci o paciente com ‘Honra a Deus e dá lugar ao médico, porque o médico é instrumento de Deus’ e ‘O Senhor fez sair da terra os remédios, e o homem sensato não os rejeita’. (Eclesiático 38, v.1 e v.4). Como paciente, minha fé oscila de acordo com meu humor, mas eu já entendi que isso faz parte da doença e não me preocupo mais. Me convenci que preciso tomar os remédios por melhor que eu me sinta e tenha vontade de parar. Como escovo os dentes e tomo banho todo dia, tomo meus remédios todo dia, pra continuar de bem com a vida.
Sou paciente psiquiátrica. E daí?
Você tem psiquiatra? Eu tenho. A maioria dos pacientes psiquiátricos alega que toma ‘remédios pros nervos’, mas eu admito: sou uma paciente psiquiátrica. Eu acredito que, se você reconhece que é um paciente psiquiátrico e segue o tratamento, essa é uma atitude responsável consigo mesmo e com seus semelhantes. Como um monte de gente coloca a vida em minhas mãos, minha responsabilidade aumenta porque sou uma paciente psiquiátrica. Eu admito aqui, mas tenho uma boa justificativa pra não fazê-lo publicamente.
Sou médica e muitos dos meus pacientes jamais entenderiam que ser uma paciente psiquiátrica não significa ser mentalmente insana. Costumo dizer aos meus pacientes portadores de doenças psiquiátricas: ‘Você toma remédios pra não ficar doido’, numa forma de incentivá-los a não pararem os famosos remédios controlados, que impedem que o paciente seja um carro desgovernado no meio do trânsito pesado. Eu passei a falar isso depois de assistir ‘Kiss the sky’, onde o personagem de WP dá uma bronca no amigo que quer fumar ópio: ‘Está doido? Você toma remédio pra não perder o juízo!’. De fato, ambos enfrentam uma depressão de meia-idade e um deles já foi até internado por causa disso. Poucas vezes eu ri tanto em minha vida como na primeira cena do filme onde os dois estão em plena sessão de massagem e discutem os prós e contras das medicações que já usaram ou estão usando. Pareciam comigo, conversando com minha médica que, não por acaso, foi minha professora de psiquiatria.
Por causa da doença, quase não termino o curso médico. ‘Descompensei’ tantas vezes que perdi a conta. Não gosto de tomar remédios e esse foi um dos motivos de demorar tanto, acho, a encontrar o que funciona pro meu caso. Precisei de alguns anos pra entender que, assim como cada paciente com hipertensão arterial é único, o mesmo se dá com pacientes psiquiátricos. O argumento que me convenceu a usar regularmente as medicações veio de um professor de psiquiatria: ‘assim como não se trata diabetes só com conversa, não dá pra tratar a verdadeira depressão só com conversa’. É verdade. O tratamento de muitas doenças se divide entre medicações, apoio psicológico e mudanças de estilo de vida. Pra cada pessoa, um desses aspectos pesa mais. Eu fui da geração Prozac, ‘a pílula da felicidade’. Usei quase tudo que existia na época, em matéria de medicação pra depressão e reconheço: foi a indústria farmacológica, em última instância, que me manteve profissionalmente ativa. Muitas pessoas sabem que eu tomo remédios controlados e por que, mas um professor muito querido aconselhou-me, há muitos e muitos anos, a não sair dizendo a todo mundo porque as pessoas rotulam muito facilmente, embora nem sempre entendam o que estão rotulando. Atualmente, uso apenas uma medicação, mas estou fazendo terapia e encontrei a melhor válvula de escape do mundo quando comecei a escrever regularmente. Não falto às consultas médicas, mas nem sempre foi assim. Hoje, mal a tempestade ameaça, eu corro atrás de uma avaliação extra.
Minha doença já teve vários nomes - ‘depressão maior’, ‘depressão endógena’, ‘Psicose Maníaco-Depressiva’ (PMD), ‘Transtorno Obsessivo-Compulsivo’, ‘Transtorno Bipolar’. A expressão Transtorno Bipolar era a moda na minha época de estudante porque a pessoa transita entre dois pólos extremos de humor, depois foi Transtorno Obsessivo-Compulsivo, do qual não gosto porque não define como me sinto quando estou abaixo do lençol freático que está sob o fundo do poço. Sabe-se lá como vão chamar na próxima revista de Psiquiatria ou edição do Código Internacional de Doenças. O nome não muda como eu me sinto, mas é bom saber o que eu tenho. O problema em psiquiatria é que as doenças têm muitos sintomas em comum. Alguns transtornos de comportamento são tão semelhantes entre si que, por muito tempo, eu não sabia bem o que tinha, além de ‘depressão’. Sempre que eu lia algo novo em psiquiatria, achava que tinha mais um diagnóstico pra lista. Não sou hipocondríaca, mas gosto das coisas às claras. Agora posso dizer: ‘sou bipolar’, mas continuo achando que PMD descreve perfeitamente a doença.
O primeiro aviso que tem algo errado, no meu caso, são aqueles dias em que eu quero bater em todo mundo, começando por mim mesma. Ser bipolar é ter TPM o mês inteiro, pelo menos quando se está com o quadro clínico descompensado. Ninguém te entende, o mundo é horrível e você é a pior pessoa do mundo, nem sempre você chora, mas briga com as paredes e tem um monte de dores físicas e psicológicas que analgésicos não resolvem muito bem e que a maioria dos médicos não entende. Ainda tem mais isso: existe dor física. Encontraram até um nome: Fibromialgia. Tem médico que diz que ‘essas dores nem existem, são psicológicas’. Nem por isso doem menos, posso garantir. Dá vontade de dizer: ‘Claro que são psicológicas, seu idiota! Ao menos, encaminhe a pessoa pra um psicólogo, um psiquiatra, alguém que saiba lidar com a cabeça dos outros!’. Eu mesma, tive períodos com dor de cabeça tão intensa, que usei até medicações pra pacientes com câncer em último estágio. A dor sumiu com meses de terapia psicológica e desde então, estou aprendendo a me conhecer para não viver tomando a farmácia inteira e me viciando em analgésicos. Mas tudo começou a melhorar quando eu reconheci que eu era bipolar e que, até o momento, não há cura pra isso, só controle. Se não tivesse feito admitido, já poderia ter cometido um erro qualquer, que custaria a vida de alguém. E ser bipolar não ajuda em nada pra se ter uma carreira bem-sucedida.
Um perfeito exemplo de como uma doença psiquiátrica atrapalha a vida está na série de TV ‘Monk’. O brilhante investigador Andrew Monk, afastado de suas funções indefinidamente depois que perdeu a esposa e piorou de suas ‘manias’: lavar as mãos, repetir gestos indefinidamente, etc. Ele faz terapia e não consegue tomar medicações. Resolve casos que a polícia, com pessoas teoricamente ‘normais’, psiquiatricamente falando, não consegue e vai levando a vida dentro dos limites possíveis. Ele até mesmo se rendeu ao uso de medicações quando se deu conta do quão limitante era a doença, mas ficou tão estranho e desconcentrado que resolveu parar. Ficou limpando as mãos e resolvendo tudo brilhantemente. Enquanto isso, o Jack Nicholson se rendeu às medicações pra ficar com Helen Hunt em ‘Melhor é impossível’. Agora, imagine uma médica bipolar.
A única vez na vida em que a doença me foi útil foi numa prova. Na época eu estava péssima, quase não termino o período e passei graças a muita gente legal da minha turma me apoiando, meus professores de psiquiatria, o tal professor muito querido e minha família, além de alguns grandes amigos não médicos. A doença ajudou quando a única questão da prova de psiquiatria prática foi ‘Comente Depressão e o tratamento com Lítio’. Eu só não sabia a dosagem do lítio, mas escrevi um minitratado sobre a psicopatologia, etiologia e fatores relacionados às causas da depressão, citei en passant que só se dosa lítio em usuários da droga (mal sabia eu quantas dosagens eu faria) e que não se diagnostica depressão solicitando dosagem de lítio em gente com sintomas de depressão. Tirei nove. O professor que aplicou a prova deve ter se sentido ótimo porque foi ele quem deu a aula (eu mal respirei ouvindo essa aula) e sabia que eu estava descompensada. Eu nunca cheguei a dizer pra ele que foi o argumento dele que me convenceu do uso regular das medicações.
Então, se você tem transtornos de humor, se você já fez acompanhamento psiquiátrico, se já foi internado numa ala psiquiátrica, não minta pra si mesmo. Pergunte francamente ao médico qual seu diagnóstico e qual o prognóstico. O que tem de paciente por aí que usa a medicação, mas nem ele, nem a família sabem que é ele é esquizofrênico, nem se conta. Saiba se você oferece algum risco pra si mesmo ou pros outros. Não se assuste se seu problema não tiver cura. A maioria das doenças não tem cura, mas tem controle e não é contagiosa. Visite seu médico regularmente pra prevenir complicações. Pergunte em quanto tempo deve voltar, porque os médicos quase nunca dizem e, quando dizem, quase nunca o paciente escuta. Se algum sintoma diferente aparecer, também é bom falar com o médico. Acredite que vai melhorar, tenha fé no tratamento e tenha um bom conselheiro: seu médico, um familiar, um amigo, qualquer pessoa que entende a doença e que possa perceber algo de diferente no seu comportamento habitual o mais cedo possível. No meu caso, eu percebo que tem algo de errado quando fico impaciente com os pacientes.
Se for a primeira vez que você apresenta sintomas, descarte uma causa física porque pode até ser que não seja uma doença psiquiátrica, mas alguma doença que dá sintomas parecidos. E atenção com as pessoas bem-intencionadas, mas que não entendem nada do assunto. Muitas doenças psiquiátricas tão transitórias, ou podem ser curadas se o tratamento for precoce, mas existe muita resistência do paciente ou da família. Durante uma aula de psiquiatria, ouvi algo muito verdadeiro: ‘Se um paciente sem histórico psiquiátrico tem um surto, é levado pra missa, depois vira evangélico, leva uns passes num centro espírita, vai pro terreiro e por último, quando já não tem mais jeito, lembram do psiquiatra’. O professor não criticava as religiões, ele se referia à negação da existência de uma doença psiquiátrica. O mesmo vale pros conselhos que ouvi como paciente com depressão: ‘Vá dar uma volta que você melhora’, ‘Você precisa de um cachorro’, ‘Você precisa se divertir mais’. Os conselhos e a religião geralmente ajudam muito, mas a pessoa precisa de bem mais que isso.
Como médica, indico pra alguns de meus pacientes a prática da religião e leitura de textos religiosos como parte do tratamento, mas presto atenção nas respostas às preces que faço por eles. Muitas vezes, a ajuda que peço vem na forma de um remédio ou de um médico que pode ajudá-los mais do que eu; outras vezes, apenas a fé da pessoa e força de vontade resolvem o problema. Respeito quando as pessoas se recusam a tomar medicações porque acreditam que sua fé pode curá-las. Muitos esperam que um anjo venha do céu, com o milagre. Pra mim, anjos nada mais são que pessoas daqui mesmo, que se permitem ser instrumentos de Deus, A Força, ou como quer que você chame. Em mais de uma situação, convenci o paciente com ‘Honra a Deus e dá lugar ao médico, porque o médico é instrumento de Deus’ e ‘O Senhor fez sair da terra os remédios, e o homem sensato não os rejeita’. (Eclesiático 38, v.1 e v.4). Como paciente, minha fé oscila de acordo com meu humor, mas eu já entendi que isso faz parte da doença e não me preocupo mais. Me convenci que preciso tomar os remédios por melhor que eu me sinta e tenha vontade de parar. Como escovo os dentes e tomo banho todo dia, tomo meus remédios todo dia, pra continuar de bem com a vida.
Sou paciente psiquiátrica. E daí?
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quarta-feira, maio 13, 2009
A título de Informação
Hoje começa o Festival de Cinema em Cannes
(Aceito as passagens, a hospedagem e os assentos para as premiéres mais elegantes da Europa. Dispensaria o intérprete, mas não falo francês desde, desde... esqueci)
***
Hoje é o dia de Nossa Senhora de Fátima.
(Difícil de esquecer a partir do ano passado. Após de uma festa do 'Dia das Mães', com um momento religioso, uma pessoa me fez ver, com sua atitude indiferente, que eu NUNCA vou fazer todas as pessoas entenderem que médico também é gente)
(Aceito as passagens, a hospedagem e os assentos para as premiéres mais elegantes da Europa. Dispensaria o intérprete, mas não falo francês desde, desde... esqueci)
***
Hoje é o dia de Nossa Senhora de Fátima.
(Difícil de esquecer a partir do ano passado. Após de uma festa do 'Dia das Mães', com um momento religioso, uma pessoa me fez ver, com sua atitude indiferente, que eu NUNCA vou fazer todas as pessoas entenderem que médico também é gente)
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sábado, maio 09, 2009
Pregando
Então as Testemunhas de Jeová ali da esquina resolveram bater por aqui. Eu não discuto religião, elas dizem também que não, que apenas 'estão pregando a palavra de Deus', mas querem sempre me convencer que o modo como eu penso não me garante um lugar numerado na versão deles de Paraíso.
Portanto, eu vou avisando que sou católica (ou assim fui criada) e que respeito todas as religiões (pelo menos as pacíficas), mas não, obrigada. Vou continuar lendo a Bíblia sozinha e no meu caminho à procura da felicidade. Acho louvável a atitude dessas pessoas religiosas que saem de porta em porta oferecendo conforto, mas quando trazem como bônus a promessa de salvação, eu dispenso.
Sempre que alguém aparece assim na minha casa, eu lembro de uma tia por afinidade (casada com um tio meu), às portas da morte e desenganada, muito, muito jovem, que estava internada no hospital onde eu estudei. Era hora das visitas e eu, como estudante de Medicina, tinha livre trânsito a qualquer hora, mas minha mãe não. Então, lá estávamos eu e minha mãe, fazendo companhia pra minha tia, quando chegaram umas vizinhas da mesma, de alguma igreja, pedindo que ela se arrependesse dos pecados, que aceitasse Jesus no coração e que ela ficaria curada. Ocuparam um bom tempo da hora de visita com casos de pessoas que haviam feito o mesmo e estavam bem de saúde por causa disso. Até que minha tia, quase sem ar, com um cateter de oxigênio e tudo, conseguiu fôlego pra murmurar: 'Eu já aceitei Jesus e ele está comigo há muito tempo'. Só faltou dizem 'me deixem morrer me paz', mas estava implícito. Ninguém havia dito o diagnóstico, ou que ela não ia voltar viva pra casa. Ela faleceu em menos de uma semana e durante todo o velório, a imagem dela dizendo isso foi o que me confortou.
Essa tia foi minha primeira paciente naquele hospital. Aprendi muito ali e naquela mesma enfermaria, onde não podia entrar sem me lembrar dela quando ainda grávida do meu primo, feliz ao lado do meu tio (hoje também falecido). Uma das maiores lições veio do modo tranquilo (e não resignado) com que ela disse 'Jesus está comigo há muito tempo'. Isso me mostrou que visitas de religiosos são bem-vindas, mas não pra trazerem mais dúvidas e angústia para o doente.
Aliás, obrigada a cada pessoa religiosa que passou em minha existência e que me ofereceu conforto, sem questionar meus motivos. Deve ser por isso que eu tenho amigos espíritas, adventistas do sétimo dia, batistas, católicos, umbandistas, mórmons...
Portanto, eu vou avisando que sou católica (ou assim fui criada) e que respeito todas as religiões (pelo menos as pacíficas), mas não, obrigada. Vou continuar lendo a Bíblia sozinha e no meu caminho à procura da felicidade. Acho louvável a atitude dessas pessoas religiosas que saem de porta em porta oferecendo conforto, mas quando trazem como bônus a promessa de salvação, eu dispenso.
Sempre que alguém aparece assim na minha casa, eu lembro de uma tia por afinidade (casada com um tio meu), às portas da morte e desenganada, muito, muito jovem, que estava internada no hospital onde eu estudei. Era hora das visitas e eu, como estudante de Medicina, tinha livre trânsito a qualquer hora, mas minha mãe não. Então, lá estávamos eu e minha mãe, fazendo companhia pra minha tia, quando chegaram umas vizinhas da mesma, de alguma igreja, pedindo que ela se arrependesse dos pecados, que aceitasse Jesus no coração e que ela ficaria curada. Ocuparam um bom tempo da hora de visita com casos de pessoas que haviam feito o mesmo e estavam bem de saúde por causa disso. Até que minha tia, quase sem ar, com um cateter de oxigênio e tudo, conseguiu fôlego pra murmurar: 'Eu já aceitei Jesus e ele está comigo há muito tempo'. Só faltou dizem 'me deixem morrer me paz', mas estava implícito. Ninguém havia dito o diagnóstico, ou que ela não ia voltar viva pra casa. Ela faleceu em menos de uma semana e durante todo o velório, a imagem dela dizendo isso foi o que me confortou.
Essa tia foi minha primeira paciente naquele hospital. Aprendi muito ali e naquela mesma enfermaria, onde não podia entrar sem me lembrar dela quando ainda grávida do meu primo, feliz ao lado do meu tio (hoje também falecido). Uma das maiores lições veio do modo tranquilo (e não resignado) com que ela disse 'Jesus está comigo há muito tempo'. Isso me mostrou que visitas de religiosos são bem-vindas, mas não pra trazerem mais dúvidas e angústia para o doente.
Aliás, obrigada a cada pessoa religiosa que passou em minha existência e que me ofereceu conforto, sem questionar meus motivos. Deve ser por isso que eu tenho amigos espíritas, adventistas do sétimo dia, batistas, católicos, umbandistas, mórmons...
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segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Conforme prometido
Eu falei tanto das análises cômicas da Fal a respeito das novelas da Glória Perez que é justo fazer propaganda de 'Caminho da Roça'. A novela deve ter umas três semanas (nem adianta se horrorizar, anônimo leitor, eu só liguei a TV essa semana pra ver 'Espanglês' na Globo e porque a Paz Vega, bem, é tudo que eu queria ser em matéria de beleza) e Fal está engatinhando na sátira, mas engatinhando firme.
Segundo ela, falta o Alexandre (marido dela, falecido há algum tempo) para dar os apelidos legais pros personagens, mas o que já temos é bem promissor:
"Pelo que eu entendi da nobela, a India é um lugar lindo e feliz e colorido, onde todo mundo passa o dia todo dançando no meio da rua ao som de Raul Seixas. Eu não vou lá nem amarrada."
"É um chavão atrás do outro, a moçada dos treinamentos inspiracionais deve de tar nadando de braçada. "Abraçar a incerteza", "ser feliz fazendo feliz", "o deus que moram em vc mora nele" (é? e o deus que mora ni mim não paga aluguel, é um perdulário), "onde vc vê problemas eu vejo desafios" (essa é de nanar)."
"Depois que a missão dessa novela é resumir 6 mil anos de história em 50 minutos então todas as personagens passam o tempo todo dando lições umas pras outra, pro mó de instruir a platéia. O que é um porre."
E outras pérolas assim, intercaladas com a descrição hilária da trama.
Como eu disse pra Fal, "nem me dei ao trabalho de assistir à novela propriamente dita, uma vez que é sempre assim no primeiro mês: ela vai explicar a 'cultura' onde se ambienta a história. Em 'Explode Coração', eu aguentei na boa, porque minha bisavó era cigana, mas aí era um caso de família".
Bom, anônimo leitor, vai se acostumando com 'Peri, o Batman', 'Shazam', 'Jupira Maria', 'Indiiiiiira', 'Toni Uepa' e outros tantos, porque como diz a própria Fal, 'é personagem demais. Eu fico zonza.'
Pra se ter uma idéia, 'Toni Uepa é o comerciante mau. Ele é preconceituoso, odeia pobre, enfim, mas a gente deixa, porque ele usa as mudinha mais lindas do mundo. lindas. E toca sininhos. Tamos aí. Ele tem um monte de filhos, Rá-gincana, Amistad, Reive e Xande e é casado com a Indiiiiiiiira.'
Se você acessar o blog dela, começa de baixo pra cima (os posts mais recentes vêm primeiro) e procura os posts da novela. Fal, como eu, não separa os posts por assunto, então tem 'Caminho da Roça', conversas no MSN com os amigos, recados para os leitores, as aventuras dos gatos e cachorro que estão na casa dela e assim vai. Aliás, a Fal não mede palavras. Pensando bem, não mede nada.
"Então que inventamos a roda, o telégrafo, o telefone, o celular, os foguetes, as vacinas, o asfalto, o fax e a prótese peniana e as pessoas ainda aparecem na casa alheia sem avisar antes como faziam há 200 anos atrás. Nada, nada, nada me tira mais do sério do que gente que “dá uma passada”, pqp. E os amigos da minha mãe parecem ter essa tendência bastante acentuada. Daí, ela viaja e eu fico aqui, sendo tirada da cama nos horários mais improváveis. Nossa, como eu odeio isso. Liga antes, caraio, combina".
É por isso que quando tocam a campainha e eu não estou com saco pra atender (ou lá numa de minhas realidades alternativas, escrevendo pra aguentar ESSA realidade aqui), fico lembrando que quem sabe onde eu moro (não é muita gente) tem meu telefone. Se for o carteiro, o cara da companhia de energia elétrica, ele volta quando eu estiver disposta a falar com o mundo (o agente comunitário de saúde aparece aqui a cada seis meses, viu? E nunca me cadastrou no Programa de Saúde da Família. Não é incrível, anônimo leitor? Eu, médica do PSF, não sou cadastrada no programa).
A propósito, metade da cidade deve ter meu telefone (sabe como é médico), se for uma emergência, no mínimo vão berrar do outro lado do muro: 'doutooooooora!'. Interessante é que os pacientes só ligam em caso grave mesmo, o pessoal do hospital também. O que prova que quem toca a campainha da minha casa sem se fazer anunciar ou é o carteiro (com uma improvável encomenda), ou é o cara da luz (que vem dia 12 ou 13 de cada mês), ou é mal-educado mesmo. As Testemunhas de Jeová da igreja ali na esquina já se convenceram que eu não discuto religião, embora aprove todas que não fazem mal pra ninguém.
Segundo ela, falta o Alexandre (marido dela, falecido há algum tempo) para dar os apelidos legais pros personagens, mas o que já temos é bem promissor:
"Pelo que eu entendi da nobela, a India é um lugar lindo e feliz e colorido, onde todo mundo passa o dia todo dançando no meio da rua ao som de Raul Seixas. Eu não vou lá nem amarrada."
"É um chavão atrás do outro, a moçada dos treinamentos inspiracionais deve de tar nadando de braçada. "Abraçar a incerteza", "ser feliz fazendo feliz", "o deus que moram em vc mora nele" (é? e o deus que mora ni mim não paga aluguel, é um perdulário), "onde vc vê problemas eu vejo desafios" (essa é de nanar)."
"Depois que a missão dessa novela é resumir 6 mil anos de história em 50 minutos então todas as personagens passam o tempo todo dando lições umas pras outra, pro mó de instruir a platéia. O que é um porre."
E outras pérolas assim, intercaladas com a descrição hilária da trama.
Como eu disse pra Fal, "nem me dei ao trabalho de assistir à novela propriamente dita, uma vez que é sempre assim no primeiro mês: ela vai explicar a 'cultura' onde se ambienta a história. Em 'Explode Coração', eu aguentei na boa, porque minha bisavó era cigana, mas aí era um caso de família".
Bom, anônimo leitor, vai se acostumando com 'Peri, o Batman', 'Shazam', 'Jupira Maria', 'Indiiiiiira', 'Toni Uepa' e outros tantos, porque como diz a própria Fal, 'é personagem demais. Eu fico zonza.'
Pra se ter uma idéia, 'Toni Uepa é o comerciante mau. Ele é preconceituoso, odeia pobre, enfim, mas a gente deixa, porque ele usa as mudinha mais lindas do mundo. lindas. E toca sininhos. Tamos aí. Ele tem um monte de filhos, Rá-gincana, Amistad, Reive e Xande e é casado com a Indiiiiiiiira.'
Se você acessar o blog dela, começa de baixo pra cima (os posts mais recentes vêm primeiro) e procura os posts da novela. Fal, como eu, não separa os posts por assunto, então tem 'Caminho da Roça', conversas no MSN com os amigos, recados para os leitores, as aventuras dos gatos e cachorro que estão na casa dela e assim vai. Aliás, a Fal não mede palavras. Pensando bem, não mede nada.
"Então que inventamos a roda, o telégrafo, o telefone, o celular, os foguetes, as vacinas, o asfalto, o fax e a prótese peniana e as pessoas ainda aparecem na casa alheia sem avisar antes como faziam há 200 anos atrás. Nada, nada, nada me tira mais do sério do que gente que “dá uma passada”, pqp. E os amigos da minha mãe parecem ter essa tendência bastante acentuada. Daí, ela viaja e eu fico aqui, sendo tirada da cama nos horários mais improváveis. Nossa, como eu odeio isso. Liga antes, caraio, combina".
É por isso que quando tocam a campainha e eu não estou com saco pra atender (ou lá numa de minhas realidades alternativas, escrevendo pra aguentar ESSA realidade aqui), fico lembrando que quem sabe onde eu moro (não é muita gente) tem meu telefone. Se for o carteiro, o cara da companhia de energia elétrica, ele volta quando eu estiver disposta a falar com o mundo (o agente comunitário de saúde aparece aqui a cada seis meses, viu? E nunca me cadastrou no Programa de Saúde da Família. Não é incrível, anônimo leitor? Eu, médica do PSF, não sou cadastrada no programa).
A propósito, metade da cidade deve ter meu telefone (sabe como é médico), se for uma emergência, no mínimo vão berrar do outro lado do muro: 'doutooooooora!'. Interessante é que os pacientes só ligam em caso grave mesmo, o pessoal do hospital também. O que prova que quem toca a campainha da minha casa sem se fazer anunciar ou é o carteiro (com uma improvável encomenda), ou é o cara da luz (que vem dia 12 ou 13 de cada mês), ou é mal-educado mesmo. As Testemunhas de Jeová da igreja ali na esquina já se convenceram que eu não discuto religião, embora aprove todas que não fazem mal pra ninguém.
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sábado, outubro 18, 2008
Dia de São Lucas
"Como um atleta que se prepara com exercícios leves para maiores pelejas, o espírito de Andrew ainda se mantinha em guarda ao aproximar-se da vida."
Me lembrei disso hoje, depois que minha pacientezinha saiu daqui há pouco para a revisão da sinusite que quase a enlouqueceu com dor de cabeça. Eu fui dormir quase às seis da manhã, acordei às nove com o telefonema da mãe dela que não tinha mesmo outro horário para trazê-la (e, de mais a mais, quem é a louca criatura que tem esses horários de sono?).
Essa frase faz parte do capítulo de reestabelecimento do Dr Andrew Manson após o duro golpe da morte de sua esposa. "A Cidadela", de A. J. Cronin (médico) foi indicação (e presente, devidamente roubado com um antigo carro que eu tive) do meu pai (que é médico). Alguns anos depois, Fernanda (fã de Cronin, por causa de 'As Chaves do Reino') me deu outro exemplar. Cronin é um dos autores prediletos da minha mãe (e da mãe de Vicky), mas eu li quase tudo dele e tenho algumas ressalvas. Porém, 'A Cidadela' é o meu predileto daquele autor sobre temas médicos ('As Chaves do Reino' é imbatível, embora minha mãe insista em 'O Castelo do Homem sem Alma' ou 'Pelos Caminhos de minha vida', não lembro mais).
Cada pessoa tem seu método para organizar suas coisas e meus livros têm um sistema ímpar. Na verdade, aqui em casa há uma seção onde estão autores médicos, romances médicos ou com referência a médicos. 'As Viagens de Gulliver' (que era médico) só não está ali porque é tão 'aventura' que ficou ao lado de 'A ilha do Tesouro'. Mas Dr Dráuzio Varela ('Por um Fio', 'O Médico Doente', 'Borboletas da Alma') está ao lado de Dr Moacyr Scliar ('Dicionário do Viajante Insólito'), Robin Cook ('Cego', o resto eu li da biblioteca do meu pai ou por aí), Hipócrates ('Viver, Cuidar, Amar'), Noah Gordon ('O Físico', 'A Escolha da Dra Cole' e outros), Michael Crichton (ele mesmo! De 'Jurassick Park'. Eu tenho 'Cinco Casos', uma das raras obras dele sobre a própria formação médica), A. J. Cronin e Taylor Caldwell. 'Médico de Homens e de Almas', de Caldwell, foi separado dos outros da mesma autora porque é sobre a vida de São Lucas.
Eu não sei quantas vezes eu comprei esse livro e dei de presente para algum médico. Na minha formatura, eu esperei, esperei e um dia, andando pelo shopping eu simplesmente entrei numa livraria, peguei um exemplar e fui pro caixa. A minha mãe ficou olhando, meio sem entender e eu respondi 'Eu acho que eu mereço ganhar um presente de formatura, nem que seja de mim mesma.'
Entendam-me: a minha mãe fez questão de me dar meu anel de formatura, algo que pessoalmente eu acho uma besteira, mas ela não teve anel, nem meu pai, porque é algo muito caro, e eu nunca soube como ela conseguiu comprá-lo. Toda a formatura foi cheia de historinhas, mamãe costurou todos os vestidos, junto com minha tia (exceto o do baile, cujo primeiro aluguel saiu do meu bolso). Meu pai mandou o suficiente para comprar os tecidos dos vestidos. Se eu já não estivesse trabalhando, não teria participado da formatura (outra besteira, na minha particular visão), mas eu fiz pela minha mãe, que queria ter se formado em 'Medicina' e parou o curso pela metade pra criar menino. Se alguém conseguir entender, me explique, eu desisti: meu pai comeu o pão que o diabo amassou pra se formar em Medicina e convenceu minha mãe a largar a mesma faculdade porque os filhos 'iam ficar mal-educados na mão de empregada'.
Bem, histórias de família. A história de São Lucas é que vale a pena. Apesar dos santos padroeiros dos médicos (e farmacêuticos) serem Cosme e Damião (também médicos, segundo a lenda), o dia do médico é comemorado no dia de São Lucas (obviamente, médico).
Na primeira página do exemplar (devidamente lido, relido e trilido), está, escrito com a mesma caneta que assinou meus convites de formatura, a seguinte dedicatória com minha letrinha ainda cursiva (passei a escrever em letra de forma pros pacientes não terem dificuldade com as receitas):
'Que você nunca desista'
Hoje é dia do médico.
***
Se lhe interessa, neste mesmo blog:
Vida de médico (o texto não é meu)
Sobre pacientes e plantões (uma revisão sobre posts de uma comunidade do Orkut, com comentários meus)
A Declaração de Genebra (que é o juramento atual nas formaturas de Medicina)
E o imbatível Juramento de Hipócrates (considerado cheio de situações politicamente incorretas, por isso substituído)
Da minha autoria, Feliz dia do Médico. Recomendando a leitura da Declação e do Juramento antes, pra ficar mais compreensível.
E, como diria o Dr Grissom (Ph. D em Entomologia, bem entendido): 'Let's move on!'
Odessa Valadares ('doutora', como diz meu pai, é só um apelido)
Me lembrei disso hoje, depois que minha pacientezinha saiu daqui há pouco para a revisão da sinusite que quase a enlouqueceu com dor de cabeça. Eu fui dormir quase às seis da manhã, acordei às nove com o telefonema da mãe dela que não tinha mesmo outro horário para trazê-la (e, de mais a mais, quem é a louca criatura que tem esses horários de sono?).
Essa frase faz parte do capítulo de reestabelecimento do Dr Andrew Manson após o duro golpe da morte de sua esposa. "A Cidadela", de A. J. Cronin (médico) foi indicação (e presente, devidamente roubado com um antigo carro que eu tive) do meu pai (que é médico). Alguns anos depois, Fernanda (fã de Cronin, por causa de 'As Chaves do Reino') me deu outro exemplar. Cronin é um dos autores prediletos da minha mãe (e da mãe de Vicky), mas eu li quase tudo dele e tenho algumas ressalvas. Porém, 'A Cidadela' é o meu predileto daquele autor sobre temas médicos ('As Chaves do Reino' é imbatível, embora minha mãe insista em 'O Castelo do Homem sem Alma' ou 'Pelos Caminhos de minha vida', não lembro mais).
Cada pessoa tem seu método para organizar suas coisas e meus livros têm um sistema ímpar. Na verdade, aqui em casa há uma seção onde estão autores médicos, romances médicos ou com referência a médicos. 'As Viagens de Gulliver' (que era médico) só não está ali porque é tão 'aventura' que ficou ao lado de 'A ilha do Tesouro'. Mas Dr Dráuzio Varela ('Por um Fio', 'O Médico Doente', 'Borboletas da Alma') está ao lado de Dr Moacyr Scliar ('Dicionário do Viajante Insólito'), Robin Cook ('Cego', o resto eu li da biblioteca do meu pai ou por aí), Hipócrates ('Viver, Cuidar, Amar'), Noah Gordon ('O Físico', 'A Escolha da Dra Cole' e outros), Michael Crichton (ele mesmo! De 'Jurassick Park'. Eu tenho 'Cinco Casos', uma das raras obras dele sobre a própria formação médica), A. J. Cronin e Taylor Caldwell. 'Médico de Homens e de Almas', de Caldwell, foi separado dos outros da mesma autora porque é sobre a vida de São Lucas.
Eu não sei quantas vezes eu comprei esse livro e dei de presente para algum médico. Na minha formatura, eu esperei, esperei e um dia, andando pelo shopping eu simplesmente entrei numa livraria, peguei um exemplar e fui pro caixa. A minha mãe ficou olhando, meio sem entender e eu respondi 'Eu acho que eu mereço ganhar um presente de formatura, nem que seja de mim mesma.'
Entendam-me: a minha mãe fez questão de me dar meu anel de formatura, algo que pessoalmente eu acho uma besteira, mas ela não teve anel, nem meu pai, porque é algo muito caro, e eu nunca soube como ela conseguiu comprá-lo. Toda a formatura foi cheia de historinhas, mamãe costurou todos os vestidos, junto com minha tia (exceto o do baile, cujo primeiro aluguel saiu do meu bolso). Meu pai mandou o suficiente para comprar os tecidos dos vestidos. Se eu já não estivesse trabalhando, não teria participado da formatura (outra besteira, na minha particular visão), mas eu fiz pela minha mãe, que queria ter se formado em 'Medicina' e parou o curso pela metade pra criar menino. Se alguém conseguir entender, me explique, eu desisti: meu pai comeu o pão que o diabo amassou pra se formar em Medicina e convenceu minha mãe a largar a mesma faculdade porque os filhos 'iam ficar mal-educados na mão de empregada'.
Bem, histórias de família. A história de São Lucas é que vale a pena. Apesar dos santos padroeiros dos médicos (e farmacêuticos) serem Cosme e Damião (também médicos, segundo a lenda), o dia do médico é comemorado no dia de São Lucas (obviamente, médico).
Na primeira página do exemplar (devidamente lido, relido e trilido), está, escrito com a mesma caneta que assinou meus convites de formatura, a seguinte dedicatória com minha letrinha ainda cursiva (passei a escrever em letra de forma pros pacientes não terem dificuldade com as receitas):
'Que você nunca desista'
Hoje é dia do médico.
***
Se lhe interessa, neste mesmo blog:
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Sobre pacientes e plantões (uma revisão sobre posts de uma comunidade do Orkut, com comentários meus)
A Declaração de Genebra (que é o juramento atual nas formaturas de Medicina)
E o imbatível Juramento de Hipócrates (considerado cheio de situações politicamente incorretas, por isso substituído)
Da minha autoria, Feliz dia do Médico. Recomendando a leitura da Declação e do Juramento antes, pra ficar mais compreensível.
E, como diria o Dr Grissom (Ph. D em Entomologia, bem entendido): 'Let's move on!'
Odessa Valadares ('doutora', como diz meu pai, é só um apelido)
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segunda-feira, outubro 13, 2008
Por quê?
É dia de São Eduardo. Rei da Inglaterra, com ‘temperamento manso e generoso (nunca uma indelicadeza ou uma palavra de repreensão ou um gesto de ira nem para com os mais humildes súditos)’. A descrição é de ‘Um Santo para cada dia’, a quem interessar possa.
Porque um Eduardo me honrou com seu temperamento também manso e generoso: muito obrigada.
***
Heroes Of Sand
(Angra )
Sealing light/Nothing to see/Like a miracle life/Starts with the pain/Forever this will be
Close my eyes/Thunders won't cease/Crawling down to the edge/I break down and weep/Tears on the river deep/Oh! Back to the sea
Shout loud/Moving ahead/Ride the horses of justice/Virtues of men, yawns!
Down and out/Losing my head/Like a dream you're returning/Back from the dead-awake!/Shadows will fade some day
All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand
Haunted by the heavy clouds/Thunder is tearing away/Howling like a mountain wolf/Warriors are leading the way
All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand
on the sand
Porque desde que ouvi (há quase duas semanas!) não sai da minha cabeça e do Windows Media Player. Tradução para quem quiser.
***
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Porque Vinícius anda aqui por esses dias e esse foi um dos primeiros de uma longa lista de sonetos que tocaram meu coração. E olha que a lista inclui quase todos os sonetos do Bardo!
PS: Presente de uma pessoa maravilhosa, a ‘Antologia Poética’ de Vinícius só não tem ‘Quatro Elementos’ senão seria um livro perfeito. Me acompanha (acompanha-me, dá no mesmo, seus puristas) desde um pós-operatório (daí a intenção do presente) e, de fato, a dedicatória me enternece até hoje. ‘E que a dor de dente não seja infinita enquanto dure!’ sempre me faz sorrir a cada vez que leio.
***
Respondendo
Cardápio do almoço com os poetas (e poetisas):
- Aperitivos: variedade de poemas satíricos e políticos.
- Entrada: suspiros por inatingíveis objetos do desejo humano (a criatura amada, por exemplo).
- Primeiro prato: odes a criações perfeitas da Natureza (sol, lua, estrelas e animais de estimação)
- 'Piéce de resistance': poemas de amor correspondido acompanhados de pequenas porções de saudade.
- Sobremesa: poemas eróticos (a essa altura, todos já estarão bêbados mesmo).
- Café: declarações e resoluções de vida (ou morte).
- Conhaque: Profundas meditações sobre a existência e finitude humana, , ao final das quais todos se despedirão, acreditando que mais um dia é possível (se existe por quem ou pelo que almejar).
Porque eu me diverti tanto planejando o menu que resolvi compartilhar. Ai, deu saudade de 'Um Alfabeto para Gourmets'. Vou cobrar de volta senão... adeus livro. Sou ciumentíssima com meus livros, raramente empresto e esse está com minha mãe. Mas eu vou cobrar assim mesmo.
***
Só porque hoje é segunda e há a perspectiva de uma semana inteira pela frente.
PS: Sabe aquele meu lugar no mundo? Acaba de sair daqui uma pequenina com dor de cabeça há nove dias e com febre. É como andar de bicicleta (ainda que o equilíbrio falte de vez em quando): onde é que eu guardei as fichas do povo? Cadê as duas calculadoras da minha maleta? Como é mesmo o nome-fantasia do xarope de dipirona com sabor de chocolate?
A mãe da menina me conhece há aaaanos. Ela sabe que é só falta de prática. Eu tenho certeza disso.
Porque um Eduardo me honrou com seu temperamento também manso e generoso: muito obrigada.
***
Heroes Of Sand
(Angra )
Sealing light/Nothing to see/Like a miracle life/Starts with the pain/Forever this will be
Close my eyes/Thunders won't cease/Crawling down to the edge/I break down and weep/Tears on the river deep/Oh! Back to the sea
Shout loud/Moving ahead/Ride the horses of justice/Virtues of men, yawns!
Down and out/Losing my head/Like a dream you're returning/Back from the dead-awake!/Shadows will fade some day
All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand
Haunted by the heavy clouds/Thunder is tearing away/Howling like a mountain wolf/Warriors are leading the way
All the heroes go down/Shed their blood on the land/Dreaming somehow/The divine will now stand./Heroes go down/With their hearts in their hands/Building, their castles on the sand
on the sand
Porque desde que ouvi (há quase duas semanas!) não sai da minha cabeça e do Windows Media Player. Tradução para quem quiser.
***
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Porque Vinícius anda aqui por esses dias e esse foi um dos primeiros de uma longa lista de sonetos que tocaram meu coração. E olha que a lista inclui quase todos os sonetos do Bardo!
PS: Presente de uma pessoa maravilhosa, a ‘Antologia Poética’ de Vinícius só não tem ‘Quatro Elementos’ senão seria um livro perfeito. Me acompanha (acompanha-me, dá no mesmo, seus puristas) desde um pós-operatório (daí a intenção do presente) e, de fato, a dedicatória me enternece até hoje. ‘E que a dor de dente não seja infinita enquanto dure!’ sempre me faz sorrir a cada vez que leio.
***
Respondendo
Cardápio do almoço com os poetas (e poetisas):
- Aperitivos: variedade de poemas satíricos e políticos.
- Entrada: suspiros por inatingíveis objetos do desejo humano (a criatura amada, por exemplo).
- Primeiro prato: odes a criações perfeitas da Natureza (sol, lua, estrelas e animais de estimação)
- 'Piéce de resistance': poemas de amor correspondido acompanhados de pequenas porções de saudade.
- Sobremesa: poemas eróticos (a essa altura, todos já estarão bêbados mesmo).
- Café: declarações e resoluções de vida (ou morte).
- Conhaque: Profundas meditações sobre a existência e finitude humana, , ao final das quais todos se despedirão, acreditando que mais um dia é possível (se existe por quem ou pelo que almejar).
Porque eu me diverti tanto planejando o menu que resolvi compartilhar. Ai, deu saudade de 'Um Alfabeto para Gourmets'. Vou cobrar de volta senão... adeus livro. Sou ciumentíssima com meus livros, raramente empresto e esse está com minha mãe. Mas eu vou cobrar assim mesmo.
***
Só porque hoje é segunda e há a perspectiva de uma semana inteira pela frente.
PS: Sabe aquele meu lugar no mundo? Acaba de sair daqui uma pequenina com dor de cabeça há nove dias e com febre. É como andar de bicicleta (ainda que o equilíbrio falte de vez em quando): onde é que eu guardei as fichas do povo? Cadê as duas calculadoras da minha maleta? Como é mesmo o nome-fantasia do xarope de dipirona com sabor de chocolate?
A mãe da menina me conhece há aaaanos. Ela sabe que é só falta de prática. Eu tenho certeza disso.
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