Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
sábado, setembro 05, 2015
Do Facebook
(art by Michael and Inessa Garmach)
Não nasci para ser adequada,
coerente, adorável, nasci para ser gente,
para sentir de verdade.
Tenho vocação para transparências
e não preciso ser interessante o tempo todo.
Marla de Queiroz
domingo, dezembro 15, 2013
Doda, Feliz Aniversário!
Soneto de aniversário
Vinicius de Moraes
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece
Marcadores:
citações,
flores,
fotografia,
imagens,
minha família de coração,
Poesia,
Vinícius de Moraes
terça-feira, agosto 27, 2013
Profundamente Constrangida
Ontem, houve um protesto no Ceará, contra os médicos estrangeiros. Se pode-se chamar de protesto xingar e constranger pessoas que vieram por vontade própria ou ordenadas, com intenção de ajudar nossa população. Médicos brasileiros fizeram um corredor polonês na saída da aula dos estrangeiros para gritar palavras de ordem. Para quê? É uma daquelas situações como diria Bruna Lombardi: 'você briga com o moinho quando a briga com o vento'.
A situação dos cubanos é ainda pior. Vão para onde mandam, não têm liberdade de ir e vir nem mesmo aqui, e agora ainda se sentem indesejados no nosso país. Sinto muitíssimo.
Reconheço que sim, alguma solução deve ser dada pra situação dos municípios sem médicos e estou fazendo a minha parte. Cabe ao Governo fazer a dele e a cada médico fazer a sua.
A situação dos cubanos é ainda pior. Vão para onde mandam, não têm liberdade de ir e vir nem mesmo aqui, e agora ainda se sentem indesejados no nosso país. Sinto muitíssimo.
Reconheço que sim, alguma solução deve ser dada pra situação dos municípios sem médicos e estou fazendo a minha parte. Cabe ao Governo fazer a dele e a cada médico fazer a sua.
Marcadores:
citações,
outros blogs,
Poesia,
PSF,
ser médica
segunda-feira, julho 22, 2013
Que poema de Fernando Pessoa você é?
Indicação de Grissom's Girl, esse teste divertido indicou algo do Livro do Desassossego (que eu tenho, mas ainda não li) para mim. Tão certeiro que estou publicando aqui: "Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo."
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
indicações,
Poesia
quinta-feira, junho 13, 2013
quinta-feira, junho 06, 2013
Sobre ontem
Algumas horas depois de eu me demitir, recebo um telefonema. A secretária de saúde mandou um recado, através de um intermediário, dizendo que não queria que eu fosse mais. Bem, ela não soube que eu me demiti ou não quis falar comigo pessoalmente? A bem da verdade, concordo com ela. Eu sou uma péssima funcionária, apesar da minha alta produtividade. Na maior parte do tempo, eu me sinto em 'Bohemian Rhapsody', do Queen, naquela parte em que o Freddy canta 'I don't want to die/ I sometimes wish I'd never been born at all'.
'não existem crimes mais graves
daqueles que andam comigo
nada me assusta tanto
quanto meu próprio bandido
ninguém me machuca tanto
quanto eu mesmo consigo
ninguém me mora tão dentro
como meu próprio inimigo'
(Bruna Lombardi, Arame Farpado)
'não existem crimes mais graves
daqueles que andam comigo
nada me assusta tanto
quanto meu próprio bandido
ninguém me machuca tanto
quanto eu mesmo consigo
ninguém me mora tão dentro
como meu próprio inimigo'
(Bruna Lombardi, Arame Farpado)
Marcadores:
música,
Poesia,
PSF,
ser bipolar,
ser médica
quarta-feira, março 20, 2013
Me sentindo assim...
Namarië
Adeus
Ai! laurië lantar lassi súrinen,
Ah! como ouro caem as folhas ao vento,
yéni únótimë ve rámar aldaron!
longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Yéni ve lintë yuldar avánier
Os longos anos se passaram como goles rápidos
mi oromardi lissë-miruvóreva
do doce hidromel em salões altos
Andúnë pella, Vardo tellumar
além do Oeste, sob as abóbadas azuis de Varda
nu luini yassen tintilar i eleni
onde as estrelas tremem
ómaryo airetári-lírinen.
na voz de sua canção, de santa e rainha.
Sí man i yulma nin enquantuva?
Quem agora há de encher-me a taça outra vez?
An sí Tintallë Varda Oiolossëo
Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
ve fanyar máryat Elentári ortanë
do Monte Semprebranco ergueu suas mãos como nuvens
ar ilyë tier undulávë lumbulë
e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
ar sindanóriello caita mornië
e de uma terra cinzenta a escuridão se deita
i falmalinnar imbë met,
sobre as ondas espumantes entre nós,
ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
e a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Adeus! Talvez tu hajas de encontrar Valimar!
Nai elyë hiruva. Namárië!
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!
Também chamado: O Lamento de Galadriel, é o maior texto em Quenya de O Senhor dos Anéis. Texto e tradução de Tolkien.
Adeus
Ai! laurië lantar lassi súrinen,
Ah! como ouro caem as folhas ao vento,
yéni únótimë ve rámar aldaron!
longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Yéni ve lintë yuldar avánier
Os longos anos se passaram como goles rápidos
mi oromardi lissë-miruvóreva
do doce hidromel em salões altos
Andúnë pella, Vardo tellumar
além do Oeste, sob as abóbadas azuis de Varda
nu luini yassen tintilar i eleni
onde as estrelas tremem
ómaryo airetári-lírinen.
na voz de sua canção, de santa e rainha.
Sí man i yulma nin enquantuva?
Quem agora há de encher-me a taça outra vez?
An sí Tintallë Varda Oiolossëo
Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
ve fanyar máryat Elentári ortanë
do Monte Semprebranco ergueu suas mãos como nuvens
ar ilyë tier undulávë lumbulë
e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
ar sindanóriello caita mornië
e de uma terra cinzenta a escuridão se deita
i falmalinnar imbë met,
sobre as ondas espumantes entre nós,
ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
e a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Adeus! Talvez tu hajas de encontrar Valimar!
Nai elyë hiruva. Namárië!
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!
Também chamado: O Lamento de Galadriel, é o maior texto em Quenya de O Senhor dos Anéis. Texto e tradução de Tolkien.
quinta-feira, março 14, 2013
Hoje é...
...Dia Nacional da Poesia.

'Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim'.
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
***
Porque...

'Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim'.
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
***
Porque...
Marcadores:
citações,
Dia de Estrela,
Fernando Pessoa,
imagens,
Poesia
quinta-feira, dezembro 13, 2012
A propósito...
'coragem' deveria vir em gotas, em comprimidos, em drágeas de liberação lenta, em pílulas cor de rosa, pros médicos prescreverem.
porque alguns não pensam que em alguns falta insulina, a outros serotonina, melatonina, hemoglobina, e tudo parece apenas... falta de coragem.
Marcadores:
citações,
escritores,
imagens,
médicos escritores,
meus escritos,
Poesia,
ser bipolar,
ser escritora
quarta-feira, maio 16, 2012
Ser ou não ser?
'Calma João que sozinho
é mais fácil desistir
e João não foi pra isso
que a gente chegou até aqui.'
(Do lado do bandido, Bruna Lombardi)
O que resta fazer quando uma pessoa se recusa a permanecer no hospital, tendo uma anemia tão grave que tem falta de ar quando começa a andar, vomita tudo que come ou bebe há três semanas, e perdeu 12 quilos em seis meses? A anemia pode ser corrigida com uma transfusão e os vômitos parariam se a pessoa esperasse tempo suficiente pra fazer uma cirurgia. Possivelmente parte desse peso seria recuperado e a pessoa teria mais tempo de vida. Eu me recuso a aceitar que alguém assina um termo de responsabilidade pra ir morrer em casa, de sede e fome.
Pra recomeçar logo assim, fica difícil.
é mais fácil desistir
e João não foi pra isso
que a gente chegou até aqui.'
(Do lado do bandido, Bruna Lombardi)
O que resta fazer quando uma pessoa se recusa a permanecer no hospital, tendo uma anemia tão grave que tem falta de ar quando começa a andar, vomita tudo que come ou bebe há três semanas, e perdeu 12 quilos em seis meses? A anemia pode ser corrigida com uma transfusão e os vômitos parariam se a pessoa esperasse tempo suficiente pra fazer uma cirurgia. Possivelmente parte desse peso seria recuperado e a pessoa teria mais tempo de vida. Eu me recuso a aceitar que alguém assina um termo de responsabilidade pra ir morrer em casa, de sede e fome.
Pra recomeçar logo assim, fica difícil.
Marcadores:
citações,
escritores,
Poesia,
ser médica
quarta-feira, julho 06, 2011
For Grissom's Girl

Saudade
Neruda
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não
foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Marcadores:
borboletas,
citações,
escritores,
flores,
fotografia,
imagens,
Poesia,
saudade,
solidão
quarta-feira, junho 01, 2011
Estava falando...
...dessa, mas descobri que nunca foi postada nesse blog, ou cometi algum erro, portanto:
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
De Álvaro de Campos:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Nada me tira da cabeça que a pessoa do Fernando tinha umas tristezas muito semelhantes às minhas e que ele recorreu ao único apoio eficaz de nossas épocas: eu tenho arquétipos, ele tinha heterônimos. Esqueça. Só pesquisando, porque é muito extenso e eu ainda quero compartilhar essa outra poesia que conheci hoje. Tenho 'Cancioneiro' desde o ano passado, comecei a ler, mas parei e como ando com preguiça de ler (isso é muito grave, doutor!), perdi-a porque está na página 108 da edição que tenho. Os estilos são diferentes porque são poetas diferentes.

Tenho dó das estrelas
Fernando Pessoa, Cancioneiro, 4/8/1930
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo ...
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir ...
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Boiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.
Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
Marcadores:
citações,
escritores,
estrelas,
Fernando Pessoa,
imagens,
Lua,
outros blogs,
Poesia
quarta-feira, abril 20, 2011
Desaniversário
Ontem foi meu desaniversário, e alguém lembrou! Imagine receber isso, do nada:


Como já comentei aqui, costumo enviar fotos de flores pros meus correspondentes mais frequentes, ou fotos de paisagem, ou poemas. Evito textos tipo 'spam', mas gosto de enviar crônicas do Veríssimo. Até ebooks, do Domínio Público, se for o caso.
E você, anônimo leitor? Quando fez uma surpresa a alguém?

Como já comentei aqui, costumo enviar fotos de flores pros meus correspondentes mais frequentes, ou fotos de paisagem, ou poemas. Evito textos tipo 'spam', mas gosto de enviar crônicas do Veríssimo. Até ebooks, do Domínio Público, se for o caso.
E você, anônimo leitor? Quando fez uma surpresa a alguém?
Marcadores:
flores,
fotografia,
imagens,
Literatura,
Poesia,
ser leitora,
Veríssimo
domingo, março 13, 2011
Dia de estrela
Amanhã é o Dia Nacional da Poesia. Entre Quintana e Cecília, Drummond e Vinícius, quem escolher? Como esquecer Augusto dos Anjos? Indico a quem ainda não conhece Bruna Lombardi, Martha Medeiros, o saudoso João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, Carlos Pena Filho, Bilac, e a lista segue, infinita, porque - amante ardoroso ou leitor desavisado - todo mundo conhece alguma poesia.

Lembrança de Morrer
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Lembrança de Morrer
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
Marcadores:
citações,
Dia de Estrela,
escritores,
fotografia,
imagens,
Lua,
Martha Medeiros,
Poesia,
ser leitora,
Vinícius de Moraes
sábado, março 12, 2011
Tem dias que...
Os ombros suportam o mundo
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu deus!
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor!
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
***
Nesses dias...
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu deus!
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor!
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
***
Nesses dias...
Marcadores:
citações,
imagens,
Poesia,
ser bipolar
domingo, janeiro 02, 2011
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Não sei o hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa par eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
(Alberto Caeiro)

É, Fernando Pessoa provou que ter heterônimos vale a pena. Alberto Caeiro é só um de muitos. E até onde entendo da obra de Jung, heterônimos e arquétipos são o mesmo. Ou não?
Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Não sei o hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa par eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
(Alberto Caeiro)

É, Fernando Pessoa provou que ter heterônimos vale a pena. Alberto Caeiro é só um de muitos. E até onde entendo da obra de Jung, heterônimos e arquétipos são o mesmo. Ou não?
Marcadores:
citações,
Fernando Pessoa,
flores,
fotografia,
imagens,
Poesia,
ser bipolar
sábado, janeiro 01, 2011
Ano Novo

Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Fonte: Jornal de Poesia
Marcadores:
citações,
escritores,
flores,
fotografia,
imagens,
Literatura,
outros blogs,
Poesia
quinta-feira, dezembro 30, 2010
De lua

Acende uma lua no céu
Toquinho/Vinícius de Moraes
Acende uma lua no céu
E muitas estrelas no olhar
E deixa-te linda e sem véu
Envolta num brando dossel de luar
Semeia de flores teu chão
E abre a janela aos perfumes do ar
E esquece tua porta entreaberta
Porque na hora certa
Verás teu poeta surgir
E entrar e abraçar-te chorando
E amar-te até quando
Tiver que partir
Fontes: letra (viniciusdemoraes.com.br), vídeo (Youtube)
Marcadores:
citações,
estrelas,
letras de música,
Lua,
música,
outros blogs,
Poesia,
Vinícius de Moraes
Quase 30 anos depois...
...reencontrei a poesia de Vinícius que li uma única vez e me encantei (pra variar, aconteceu na Escola Doméstica). Acho que foi naquele instante que aprendi que não existe apenas amor entre pessoas, e que existe mais de um modo de amar um país além do 'ser patriota', tão enfatizado em minha infância trans-ditadura. É fantástico perceber que, tirando um detalhe ou outro, tudo se encaixa nos dias de hoje. Isso é escrever bem, anônimo leitor. Por isso:

Olhe aqui, Mr. Buster *
* Este poema é dedicado a um americano simpático, extrovertido e podre de rico, em cuja casa estive poucos dias antes de minha volta ao Brasil, depois de cinco anos de Los Angeles, EUA. Mr. Buster não podia compreender como é que eu, tendo ainda o direito de permanecer mais um ano na Califórnia, preferia, com grande prejuízo financeiro, voltar para a "Latin America", como dizia ele. Eis aqui a explicação, que Mr. Buster certamente não receberá, a não ser que esteja morto e esse negócio de espiritismo funcione.
Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo
Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue
O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood
Um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências
O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial
Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavar
Capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra da
Coréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas
E suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho
Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi
Com alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell
E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do
ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster - o Sr. ainda acabará governador do seu estado
E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?
Fonte: Vinícius de Moraes.com.br

Olhe aqui, Mr. Buster *
* Este poema é dedicado a um americano simpático, extrovertido e podre de rico, em cuja casa estive poucos dias antes de minha volta ao Brasil, depois de cinco anos de Los Angeles, EUA. Mr. Buster não podia compreender como é que eu, tendo ainda o direito de permanecer mais um ano na Califórnia, preferia, com grande prejuízo financeiro, voltar para a "Latin America", como dizia ele. Eis aqui a explicação, que Mr. Buster certamente não receberá, a não ser que esteja morto e esse negócio de espiritismo funcione.
Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo
Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue
O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood
Um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências
O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial
Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavar
Capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra da
Coréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas
E suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho
Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi
Com alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell
E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do
ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster - o Sr. ainda acabará governador do seu estado
E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?
Fonte: Vinícius de Moraes.com.br
terça-feira, dezembro 28, 2010
In Memorian
But what am I?
An infant crying in the night:
An infant crying for the light:
And with no language but a cry.
from "In Memoriam" - Alfred, Lord Tennyson

Estou me sentindo 'La Femme au chapeau noir' (by Jack Vettriano). Aparentemente controlada por fora, arrasada por dentro.
Quer entender com o que parecia com minha escola? 'O Sorriso de Monalisa', politicamente correto ou não. Quem batalhou pela evolução, por nossa entrada no mercado de trabalho, foi nossa diretora. Tipo a Julia Roberts no filme em questão.
(Quão descontrolada uma pessoa deve estar para que acreditem que há algo de muito, muito errado? Perdi essa aula)
An infant crying in the night:
An infant crying for the light:
And with no language but a cry.
from "In Memoriam" - Alfred, Lord Tennyson

Estou me sentindo 'La Femme au chapeau noir' (by Jack Vettriano). Aparentemente controlada por fora, arrasada por dentro.
Quer entender com o que parecia com minha escola? 'O Sorriso de Monalisa', politicamente correto ou não. Quem batalhou pela evolução, por nossa entrada no mercado de trabalho, foi nossa diretora. Tipo a Julia Roberts no filme em questão.
(Quão descontrolada uma pessoa deve estar para que acreditem que há algo de muito, muito errado? Perdi essa aula)
Marcadores:
Cinema,
citações,
escritores,
imagens,
Pintura,
Poesia,
saudade,
ser bipolar,
ser Técnica em Economia Doméstica,
solidão,
Vettriano
Assinar:
Postagens (Atom)



